A semana do Vasco foi marcada por turbulências, incluindo pressão após quatro derrotas consecutivas e protestos de torcedores no CT Moacyr Barbosa. Contudo, neste sexta-feira, a equipe sob a liderança de Fernando Diniz se reergueu, goleando o Internacional por 5 a 1 na 35ª rodada do Brasileirão, afastando assim os temores de rebaixamento.
O treinador destacou que a mudança de atitude da equipe não ocorreu apenas após a conversa com os torcedores na terça-feira anterior. Ele enfatizou as melhorias nas atuações desde a derrota para o Bahia.
— Contra o Bahia, não vi o jogo com a mesma energia que tivemos contra Grêmio e Botafogo. Provavelmente, se não houvesse a expulsão do David, o jogo terminaria 0 a 0. Apesar da derrota para o Bahia, foi ali que a mudança começou. O time estava jogando mais coeso. O Bahia teve poucas oportunidades de gol, e sabemos como é difícil jogar lá, especialmente após eles terem vencido o Grêmio por 4 a 0 na semana anterior. Foi a partir do jogo contra o Bahia que começamos a nos tornar o Vasco de hoje. Comuniquei aos jogadores que havia mudado. Embora a inspiração tenha faltado, voltamos a atuar unidos. Não conseguimos nada sozinhos; tudo depende da conexão entre nós — declarou.
Fernando Diniz em Vasco x Internacional — Foto: Wagner Meier/Getty Images
Com a vitória, o Vasco alcançou 45 pontos, encerrando a sequência negativa e subindo para a 10ª posição na tabela.
— As manifestações são compreensíveis. Não houve exageros, e os jogadores souberam lidar com a pressão. É importante separar as notícias externas da realidade interna do clube. Eu acompanho muito pouco do que acontece fora; meu foco é no que está dentro. O time sempre foi unido e, merecidamente, teve um desempenho melhor. Além de conseguirmos jogar bem, houve uma nova energia no time. Jogamos em sintonia com a torcida. Mesmo em jogos como contra o São Paulo, onde tecnicamente fomos melhores, a energia desta vez foi diferente — acrescentou.
O confronto foi interrompido por uma forte chuva no Rio de Janeiro, resultando em uma paralisação de uma hora e meia entre os tempos. Embora ambos os times hesitassem em retornar ao campo, a situação melhorou, e o Vasco aproveitou, anotando três gols na segunda metade do jogo.
— Soubermos aproveitar bem o intervalo. Eu, a comissão e os jogadores conseguimos nos mobilizar. A princípio, nem queríamos voltar ao jogo porque o campo estava impraticável. Tanto nós quanto o Inter queríamos que o jogo fosse remarcado. Mas, à medida que o gramado melhorou, conseguimos jogar. Apesar de algumas áreas ainda estarem alagadas, já tínhamos jogado em condições piores — disse.
O Vasco irá retornar aos campos na próxima terça-feira, enfrentando o Mirassol em São Januário, às 19h.
Mais declarações de Diniz
Reação após sequência negativa: — Trabalhamos bem no intervalo, focando no aspecto emocional. Esse era um jogo crucial, e soubemos decidir. Após cinco derrotas, até brinquei com os jogadores sobre marcar um gol para cada derrota. Tivemos mais oportunidades de gol. No primeiro tempo, por exemplo, criamos três ou quatro chances claras. Poderíamos ter vencido por uma margem maior, surpreendentemente. O time merece parabéns. O que fica de relevante nesta situação é que muitos questionaram minha permanência após as derrotas, mas a decisão foi mantida. Aqueles que pediram minha demissão precisam sustentar essa posição agora. Senão, seria falta de coerência. O que realmente mudou? Isso é um problema recorrente no futebol brasileiro, a incapacidade de reconhecer o trabalho — pontuou.
Postura do Vasco: — Tudo o que comentei sobre o jogo contra o Bahia é o que reitero agora. Quando cheguei ao Vasco, estávamos na zona de rebaixamento, mas tivemos momentos brilhantes na temporada. Entre agosto e novembro, jogamos 12 partidas, perdendo apenas uma, empatando quatro, onde dois empatados podem ser considerados vitórias, graças à classificação na Copa do Brasil contra o Botafogo. Após cinco jogos ruins, poderíamos estar em situação diferente. Porém, as críticas muitas vezes não refletem o que se está construindo. Este time do Vasco está em aprendizado, encontrando seu caminho. Na pausa da FIFA, nossa equipe estava treinando. Não acreditem que o sucesso de hoje decorreu apenas desta semana. O time está em constante evolução. Quando você sobe muito, tem que aprender a se manter ou arriscar cair, o que foi o que aconteceu com a gente. E aqui, junto aos jogadores, não haverá acomodação.
Desabafo após a vitória: — Questões que surgem quando o time tem uma má fase muitas vezes são devido à minha postura rígida ou à proteção aos jogadores. Todas essas características fazem parte do meu trabalho. Trabalhamos arduamente. Ontem, por exemplo, estivemos quase duas horas em campo. Se algo está errado, a correção deve ser feita continuamente, não somente após uma derrota. Isso que precisamos entender e comunicar, tanto para o torcedor quanto para aqueles que analisam o futebol. O ambiente precisa ser saudável para todos.
O que motivou a alteração de Gómez e Nuno: — Antes da chuva, o campo estava complicado, a bola quicava. Ajustamos a estratégia de forma que conseguimos ter controle durante toda a partida.
Thiago Mendes: — Ele teve uma atuação excelente. Conheço o Thiago de longa data, mas fiquei sem vê-lo jogar desde 2016 ou 2017, quando foi para a França. Acredito que, devido ao tempo em que esteve no Catar, ele retornou ainda em busca de sua melhor forma. Ao longo desses meses, ele foi melhorando e hoje mostrou seu valor em campo, mesmo tendo tido cãibras no fim do jogo. Ele traz qualidade técnica, experiência e enriquece nosso jogo.
Fonte: ge
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