Os adeptos do Vasco receberam a informação de que São Januário continua fechado na tarde de ontem, quarta-feira (30). No entanto, o que foi amplamente divulgado é mais um episódio dos lamentáveis argumentos de representantes da Justiça para manter essa decisão.
As justificativas técnicas ainda não convencem o torcedor e são desproporcionais em relação a casos similares no futebol brasileiro. Os dois desembargadores que votaram contra a abertura utilizaram o argumento de que é necessária uma análise técnica adicional para liberar o estádio. O Vasco está aguardando o resultado dessa análise, que deveria ser concluída em 30 dias, conforme determinação da Justiça, mas já dura 69 dias. O clube já obteve os laudos que autorizam a reabertura de São Januário. De forma inexplicável, solicitaram 90 dias adicionais para a realização dessa perícia, enquanto o Vasco sofre prejuízos esportivos.
No entanto, o argumento técnico é insignificante – ou talvez apenas uma desculpa – diante do elitismo evidente propagado por representantes das instituições judiciais. De acordo com o ‘ge’, o desembargador Fernando Foch iniciou o julgamento mencionando o que “emociona ou não” e manteve a proibição citando “números de pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro e em São Paulo”. Ele também mencionou a “população marginalizada” na “cracolândia” e afirmou que nada disso “nos emociona, mas o futebol nos emociona”.
O Ministério Público, ao iniciar o julgamento com essas considerações, revela todo o elitismo em relação ao povo carioca, aos arredores do estádio do Vasco e aos moradores da região. O desembargador utiliza termos preconceituosos para estabelecer um paralelo entre a Cracolândia e os arredores de São Januário. É importante mencionar a declaração da presidente da Associação de Moradores da região, Vaninha Rodrigues, em resposta ao promotor Rodrigo Terra, que sugeriu o fechamento do estádio e menosprezou a repercussão: “Ao ridicularizar nossa justa indignação com o fechamento de São Januário, o promotor parece menosprezar a opinião e o direito legítimo de manifestação da região, onde vivem pessoas corajosas, honestas e trabalhadoras que não fogem da luta. Não vão nos silenciar”.
Apenas para acrescentar: a questão não é sobre o que emociona mais. Esportivamente, um clube que fez investimentos significativos este ano está sendo prejudicado por não contar com o apoio de sua torcida e de seu estádio. E merece que a Justiça tome uma atitude – já que é ela que está impedindo isso. Socialmente, a situação está cada vez pior, com declarações constantes de representantes da Justiça que revelam a visão que alguns têm sobre a região.
O início da declaração do desembargador segue uma linha semelhante ao argumento apresentado semanas atrás por outro representante da Justiça, igualmente infundado e repleto de preconceitos. Naquela ocasião, o juiz de plantão do Juizado dos Torcedores, Marcelo Rubioli, mencionou “disparos de arma de fogo”, “tráfico de drogas” e “torcedores embriagados” para manter a proibição do estádio. De acordo com dados coletados pelo aplicativo “Fogo Cruzado”, São Januário registrou 22 tiroteios nas proximidades em 2023 – exatamente o mesmo número ocorrido nos arredores do Maracanã no mesmo período. No entanto, apenas um dos estádios está fechado.
Vale ressaltar que, dos três votos dos desembargadores, o único voto favorável à reabertura veio da desembargadora Andréa Pacha. Ela mencionou o ataque aos torcedores do Fluminense dentro do ônibus do Botafogo, que ocorreu recentemente próximo ao aeroporto do Galeão, como um exemplo óbvio: a violência no futebol pode ocorrer em qualquer lugar. Inclusive em Copacabana, que frequentemente se torna palco de confrontos entre torcidas organizadas visitantes que estão indo jogar no Maracanã.
Também é evidente que o processo não segue o mesmo padrão que outros casos semelhantes. Em junho, um dia antes do jogo entre Vasco e Goiás, que foi responsável pelo fechamento de São Januário, o clássico entre Santos e Corinthians também foi palco de cenas lamentáveis, o que resultou na proibição do público na Vila Belmiro. No entanto, a torcida do Santos já foi liberada nos jogos em seu estádio, enquanto a torcida vascaína aguarda o fim da punição imposta pela Justiça.
Se o Ministério Público realmente se importasse com o povo carioca, permitiria a presença da torcida em São Januário. De acordo com um relatório da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda da cidade do Rio de Janeiro, o fechamento do estádio está resultando em uma queda de 60% na receita mensal dos estabelecimentos da região após os jogos. Cerca de 300 trabalhadores autônomos e diaristas são contratados em dias de jogos, podendo receber até R$ 8 mil nessas ocasiões.
Em 6 de agosto, o site ‘Trivela’ publicou uma entrevista com Lucimar, proprietária do quiosque ‘Gelada no Bafo’, localizado na Avenida Roberto Dinamite. Ela relatou dificuldades financeiras devido à ausência de público: “Com certeza há prejuízos. Com a presença da torcida, planejamos com antecedência, investimos. Sem torcedores, sequer fazemos investimentos. Meu freezer está vazio. Os produtos estão parados. Investir sem a presença de público não faz sentido. A presença da torcida faz uma grande diferença”. Talvez relatos como esse não afetem tanto o desembargador.
O estádio do Vasco está prestes a completar cem anos e sempre foi um local de extrema importância para a região, além de ser motivo de grande orgulho para a torcida vascaína. As autoridades de segurança do estado não conseguem resolver os problemas sociais da área e do resto da cidade, acabam punindo o Vasco, seus torcedores e os comerciantes locais em uma demonstração clara de elitismo e preconceito.
Fonte: Esportes News Mundo
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