Dedé comenta sobre o jogo em altitude e sugere que Carille deve preparar a equipe com foco em Philippe Coutinho.

Após um hiato de cinco anos, o Vasco da Gama retorna às competições internacionais e, nesta quarta-feira (2), dá início à fase de grupos da CONMEBOL Sul-Americana. O primeiro desafio será a altitude de 2.335 metros de Arequipa, no Peru, onde enfrentará o Melgar, no Grupo G.

Dedé, ex-zagueiro do clube e semifinalista da competição em 2011, ano em que também conquistou a Copa do Brasil e terminou como vice no Campeonato Brasileiro, compartilha suas memórias sobre os desafios que a altitude impõe. Embora não tenha jogado nesse tipo de condição quando era atleta do Vasco, ele já acumulou experiências complicadas em suas viagens ao Peru e à Bolívia, defendendo Cruzeiro e Athletico-PR.

Em entrevista à ESPN, Dedé recordou uma partida na Bolívia contra o The Strongest, onde revelou ter enfrentado grandes dificuldades. “Quando pisei naquele lugar, só queria ir embora. O ar estava rarificado e me deixava desesperado, como se estivesse em uma bolha”, explicou. Ele ainda se lembrou de um jogo contra o Real Garcilaso (hoje Cusco FC), que também trouxe dificuldades, ainda que a altitude fosse um pouco menor.

Dedé relatou que as precauções para os jogadores lidarem com a altitude nem sempre funcionam. “Em uma partida contra o The Strongest, me deram uma máscara de oxigênio, mas não consegui usar. Era melhor enfrentar a dificuldade do que ficar pensando na altitude”, comentou.

‘O time deve jogar em prol do Coutinho’

O ex-jogador também abordou a atual fase da equipe sob o comando do técnico Fábio Carille, com ênfase especial no talento de Philippe Coutinho, que Dedé teve a oportunidade de ver crescer no Vasco desde 2009. Para ele, a estratégia da equipe deve ser adaptada para que Coutinho possa jogar mais à vontade.

“O Vasco precisa criar um estilo de jogo que beneficie o Philippe Coutinho. Ele é o cérebro da equipe, todos devem correr em prol dele. É como Romário disse sobre a Copa de 94: o time deve trabalhar para que ele faça os gols”, afirmou.

“Apesar dos desafios, o Vasco tem um time talentoso. Em competições como a Sul-Americana, onde os jogos podem ser eliminatórios, a torcida é um fator motivacional imenso. Somente quem vivenciou o Vasco sabe o que é essa paixão. O time deve se estruturar para jogar ao redor de Coutinho, que tem um diferencial que os adversários respeitam,” acrescentou.

Dedé também comentou sobre as críticas direcionadas a Coutinho, especialmente pela sua condição física. Contudo, para ele, o jogador tem a experiência necessária para lidar com esses desafios. “Ele é um excelente atleta e uma pessoa admirável, sempre ajuda os colegas. O torcedor é exigente, mas Coutinho já enfrentou isso antes e tem maturidade para lidar com isso. Ele é um jogador que faz a diferença em campo,” ressaltou.

‘Vamos em busca do título’

O ex-atleta recordou a trajetória do Vasco na Sul-Americana de 2011, que ainda é considerada a melhor campanha do clube nessa competição. Na época, a competição tinha um formato diferente, apenas de mata-mata e ocorrer apenas no segundo semestre, não era priorizada pelo time. Contudo, depois de conquistar a Copa do Brasil e garantir uma vaga na CONMEBOL Libertadores, as expectativas mudaram.

Nas fases iniciais, o Vasco eliminou Palmeiras e Aurora-BOL, mas foi após vencer o Universitario-PER nas quartas de final que começaram a acreditar em um possível título. Na semifinal, o time foi derrotado pela Universidad de Chile, que se tornou campeã sob a orientação de Jorge Sampaoli.

“Foi somente após a partida contra o Universitario que começamos a acreditar que poderíamos conquistar o título. A equipe estava em um bom momento após a Copa do Brasil e nos sentimos mais leves. Na semifinal, enfrentamos um time forte da Universidad de Chile, que tinha muitos jogadores de qualidade,” recordou Dedé.

Por fim, o ex-zagueiro comentou sobre a abordagem tática de Carille, destacando sua aptidão para esquemas mais seguros e estratégicos. “Acredito que Carille seja um bom técnico, que sabe jogar de forma segura. Nos títulos que conquistei em 2017 e 2018, a equipe tinha um estilo de jogo mais defensivo, explorando os contra-ataques de forma eficiente,” concluiu.

Fonte: ESPN