— Eu queria o Cano solto, ele era nosso jogador mais talentoso. Tínhamos Talles Magno, que às vezes se esforçava, outras não. O Benítez possuía certa habilidade, mas não tinha comprometimento, não respeitava suas funções e frequentemente se lesionava. Ambos poderiam atuar como armadores, mas careciam de solidez defensiva. Coloquei-os mais próximos do Cano. Neto (Borges) tinha bom desempenho ofensivo, mas Henrique era superior na defensiva. Meus laterais jogavam como extremos, enquanto meus atacantes atuavam por dentro para apoiar o Cano.
— Vencemos o Sport, mas era necessário trazer novos jogadores. Eu chegava para os jogos e não contava com a mesma equipe. Foi uma luta constante durante a pandemia para repetir a escalação. Se consegui uma vez, foi um milagre. A continuidade é essencial para competir. Esse foi o esquema que encontrei para acomodar o Léo Matos, o Netinho, o Castán, pois com a linha de quatro ele não tinha como atuar, já estava no limite. Exausto.
Sá Pinto, Vasco x Santos — Foto: André Durão/ge
Sá Pinto expressou sua tristeza com as declarações de Leandro Castán, que criticou o técnico após sua saída do Vasco.
— Eu, que ajudei o Castán, fiquei desapontado com o que ele disse. Se eu soubesse, talvez tivesse tomado uma atitude diferente e sido mais justo com o Ricardo. Preciso considerar o contexto. Estávamos em uma fase de grande pressão, na zona de rebaixamento, e os jovens mereciam apoio, não serem colocados nesta situação.
Em entrevistas passadas, Castán e outros jogadores do elenco rebaixado à Série B disseram que o esquema com três zagueiros implementado por Sá Pinto nunca foi compreendido pela equipe. Em um episódio do podcast “GE Vasco”, o capitão ressaltou que o português não conhecia bem seus jogadores.
O técnico se defendeu em relação ao seu trabalho no Vasco, afirmando que não era um milagreiro. Comparou seu desempenho ao de Vanderlei Luxemburgo, que assumiu depois e também não conseguiu evitar o rebaixamento do clube. Ele enfatizou que a pandemia, os problemas financeiros da época e as condições enfrentadas tiveram um impacto significativo nos resultados.
— Milagres não são minha especialidade. O Luxemburgo, uma figura extremamente competente e com um grande currículo, não conseguiu um desempenho melhor. O problema não estava no treinador. Ele teve mais partidas, não lidou com Covid, trouxe novos jogadores e jogava a cada oito dias, enquanto eu tinha apenas jogos a cada três dias. Enfrentei um contexto muito complicado que não permitiu que eu fizesse mais.
— Eu esperava aliviar a carga de jogos e, em seguida, trazer novos reforços para uma temporada melhor. Não sou um milagreiro, não posso fazer tudo sozinho. Não tinha recursos para até mesmo pintar o campo do CT. Muitos jogadores não tinham dinheiro para se alimentar. Passei quatro ou cinco meses sem receber salário. Alguém ouviu eu reclamar?
O técnico lamentou sua saída do clube e afirmou que os atletas não seguiram suas orientações na partida final, contra o Athletico-PR, na Arena da Baixada.
— Fizemos uma grande partida contra o Santos, sob o comando do Cuca, e em seguida apresentamos um desempenho decepcionante contra o Athletico, onde em 20 minutos já estávamos perdendo por 2 a 0. Quando pedi à equipe que se mantivesse cautelosa no campo defensivo nos minutos iniciais, a primeira coisa que fizeram foi pressionar. Eram jogadores experientes, que sabiam o que precisávamos. Precisávamos de pontos.
Fonte: ge
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