Histórico da parceria entre Vasco e Nations Bank é detalhado por Sérgio Frias e seus desdobramentos

Sérgio Frias detalha a parceria entre o Vasco da Gama e o Nations Bank, abordando os desdobramentos e a importância dessa colaboração.

Elucidações sobre Vasco, Nations Bank, inadimplência, narrativas, fatos e a atualidade

Recentemente, foi divulgada uma análise no Instagram que aborda a relação entre o Vasco e o Nations Bank, assim como as consequências dessa parceria nos dias atuais. Essa publicação, que busca induzir o leitor a uma conclusão distorcida dos fatos, é a terceira vez que o tema é abordado em redes sociais nos últimos meses. Diferentemente das edições anteriores, optamos por apresentar uma nota explicativa que traz mais detalhes sobre o histórico dessa questão.

O método utilizado nas publicações anteriores foi semelhante, com imagens que reproduzem trechos de textos, acompanhadas por matérias que tentam validar algumas das afirmações feitas. Abaixo, transcrevemos o conteúdo das imagens e apresentamos as elucidações pertinentes.

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Imagem 1

“O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões…
Em uma dívida de R$100 milhões em 3 anos.
Como foi que o maior contrato da história do futebol brasileiro destruiu um clube campeão?”

ELUCIDAÇÕES:

A afirmação de que “O Vasco transformou um investimento de U$30 milhões em uma dívida de 100 milhões em 3 anos” é incorreta. É importante ressaltar que, no início de 2001, o Vasco já enfrentava uma dívida superior a R$100 milhões, sem considerar ações judiciais em andamento.

Na virada do século, o clube acumulava dívidas significativas, incluindo perdas de aproximadamente R$60 milhões em ativos de jogadores devido à Lei Pelé, além de débitos fiscais que somavam cerca de R$23 milhões com o IR e R$10 milhões com o FGTS. O clube também enfrentava dificuldades financeiras, como a compra do passe de Euller, cujo valor de R$8,6 milhões não foi quitado, e dívidas com a Rede Globo que totalizavam R$37,4 milhões.

A parceria com o Nations Bank, estabelecida por Eurico Miranda, tinha como objetivo impulsionar a marca do Vasco, mas a inadimplência do banco gerou problemas financeiros significativos. Apesar disso, até a troca de gestão em 01/07/2008, o clube conseguiu manter uma situação financeira relativamente melhor em comparação aos outros grandes clubes do Rio.

Imagem 2

“Nos anos 90, o futebol brasileiro entrou em uma nova era.
Dinheiro da TV, patrocínios milionários, a promessa de clubes mais profissionais…
E foi nesse cenário que, em 1998, o Vasco assinou um acordo que parecia mudar tudo.”

ELUCIDAÇÕES:

Nos anos 1990, o Vasco conquistou títulos importantes, como o tricampeonato carioca e o campeonato brasileiro, com a estrutura que possuía. O clube fez um acordo com o Nations Bank em 1998, semelhante a outros contratos firmados por clubes como Flamengo e Grêmio. A parceria com o banco visava investimentos em diversas áreas, incluindo a reforma de São Januário e a construção de um centro de treinamento.

A profissionalização do Vasco não se deu apenas com a parceria, pois o clube já era profissional desde 1933. No entanto, a mudança nas regras do futebol, como o fim da Lei do Passe, trouxe desafios adicionais para os clubes.

Imagem 3

“O Bank of America (na época Nations Bank), surgiu com um acordo:
Por 10 anos controlaria a marca Vasco: camisas, direitos de TV, licenças…
O clube recebia U$30 milhões de adiantamento e ficaria com 50% de receita.
A expectativa era faturar R$150 milhões/ano.
Mas o que parecia o maior contrato da história do futebol brasileiro tomou um rumo inesperado.”

ELUCIDAÇÕES:

O contrato com o Nations Bank passou a ter termos aditivos, estendendo-se de 10 para 25 anos, devido à percepção do banco sobre o valor do investimento. Em 1999, a receita do Vasco alcançou R$93,96 milhões, um aumento significativo em relação aos anos anteriores. Porém, a inadimplência do banco a partir de julho de 2000 impactou negativamente o clube.

Imagem 4

“O Vasco fez o que quase qualquer clube faria: apostou alto e acelerou gastos.
Vieram contratações em peso como Juninho Paulista, Euller, Edmundo, Romário.
Sendo que os dois últimos passaram a ter os maiores salários do futebol brasileiro.
E, por um momento, parecia que tinha dado certo”.

ELUCIDAÇÕES:

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O Vasco, ao investir em jogadores, buscava fortalecer sua equipe, o que resultou em conquistas importantes, como a Copa Mercosul e o Campeonato Brasileiro em 2000. Entretanto, a inadimplência do banco começou a afetar a capacidade do clube de honrar seus compromissos financeiros.

Imagem 5

“Entre 1998 e 2000, o Vasco viveu uma das fases mais vitoriosas da sua história:
Ganharam a Libertadores, Brasileiro, Mercosul, Carioca. Parecia o começo de algo grande.
Até que uma decisão mudou tudo.”

ELUCIDAÇÕES:

A fase vitoriosa do Vasco se iniciou com a conquista do Campeonato Brasileiro em 1997, e continuou com outros títulos. Contudo, a inadimplência do banco a partir de julho de 2000 afetou o desempenho financeiro do clube, que ainda conquistou títulos importantes durante esse período.

Imagem 6

“Em 1999, o vice-presidente Eurico Miranda decidiu ir além do futebol.
Ele queria transformar o Vasco em uma potência olímpica, pensando nos jogos de Sydney.
Vieram contratações de atletas de alto nível, em várias modalidades.
E o resultado?”

ELUCIDAÇÕES:

Os investimentos em outras modalidades esportivas começaram em 1998 e resultaram em conquistas significativas para o clube. A participação do Vasco nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 1999 trouxe resultados positivos, aumentando a visibilidade do clube.

Imagem 7

“A visibilidade do clube aumentou – mas o retorno financeiro não.
O projeto olímpico sozinho custou cerca de R$30 milhões em um ano.
O excesso de gastos foi motivo de questionamentos da diretoria do banco.”

ELUCIDAÇÕES:

Os investimentos em projetos olímpicos trouxeram visibilidade e medalhas, mas não necessariamente o retorno financeiro esperado. O banco, que não cumpriu suas obrigações, questionou os gastos do clube.

Imagem 8

“A VGL, empresa criada para gerir a parceria, passou a travar os repasses.
E em 2001, o Vasco tomou a decisão mais arriscada possível:
Rompeu unilateralmente o contrato.”

ELUCIDAÇÕES:

A VGL não travou repasses; o banco não pagou os valores devidos, levando o Vasco a romper o contrato após meses de inadimplência. O clube ganhou uma ação judicial contra o Bank of America em 2001, comprovando a dívida do banco.

Imagem 9

“Isso porque o Vasco já havia antecipado cotas futuras de TV, apostando que o dinheiro da parceria cobriria tudo.
Mas a conta não fechou – e o banco foi à Justiça.”

ELUCIDAÇÕES:

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O Vasco antecipou cotas de TV, mas parte desse valor foi baseada em expectativas de recebimento do banco, que não se concretizaram. O rompimento do contrato não resultou em dívidas contratuais para o clube.

Imagem 10

“O que era para ser um acordo de 10 anos terminou em apenas 3 e deixando algumas feridas abertas pro clube.”

ELUCIDAÇÕES:

O contrato com o Nations Bank foi cumprido por 26 meses, sendo encerrado devido à inadimplência do banco. A dívida do Vasco já era superior a R$100 milhões antes mesmo do início da parceria.

Imagem 11

“O contrato virou alvo da CPI do Futebol em 2001.
Depoimentos apontaram que metade do dinheiro investido pelo banco não passou pela tesouraria do clube.”

ELUCIDAÇÕES:

As investigações da CPI não encontraram irregularidades nas transferências feitas pelo banco. O Vasco, posteriormente, ganhou uma ação judicial que confirmou a dívida do banco.

Imagem 12

“O Vasco passou a brigar contra o rebaixamento.
Vieram a queda de público, crise políticas e problemas administrativos.”

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco não foi rebaixado entre 2001 e 2008, apesar de crises políticas e administrativas. A situação financeira do clube era melhor em comparação aos outros grandes do Rio.

Imagem 13

“Nesse meio tempo foram rebaixados quatro vezes.
Até que em 2022 o clube aprova a transformação em SAF (Sociedade Anônima).”

ELUCIDAÇÕES:

O Vasco não foi rebaixado sob a gestão de Eurico Miranda, mas enfrentou dificuldades após a troca de gestão em 2008, resultando em dois rebaixamentos. A transformação em SAF em 2022 gerou novas expectativas, mas também desafios financeiros.

Imagem 14

“Com o (sic) SAF sendo controlada pela 777, o Vasco passa 24 de 38 rodadas na zona de rebaixamento.”

ELUCIDAÇÕES:

A mudança para SAF trouxe novas dificuldades, com o clube enfrentando a zona de rebaixamento e contestação por parte da torcida. A busca por um novo investidor se intensificou, mas o clube ainda possui potencial de crescimento.

Imagem 15

“Hoje o Vasco carrega uma dívida de R$1 bilhão.
Busca um novo investidor para assumir a SAF.”

ELUCIDAÇÕES:

A dívida do Vasco cresceu significativamente nos últimos anos, mas a busca por um novo investidor não é a única solução. O clube tem potencial para aumentar suas receitas nos próximos anos.

Imagem 16

“Ter recursos não é suficiente se você não souber administrá-los.
Isso serve tanto para vida, negócios ou investimentos.
O maior contrato do futebol brasileiro virou um dos maiores desastres justamente por isso.”

ELUCIDAÇÕES:

A má gestão dos recursos e a falta de planejamento financeiro foram fatores cruciais para a deterioração da situação do Vasco. A distorção da história e a falta de transparência nas informações levaram a uma percepção negativa sobre o clube.

Sérgio Frias

Fontes: Casaca


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