Juninho, ex-Vasco, marca gol emocionante pelo Novorizontino

Juninho, ex-jogador do Vasco, marcou um gol emocionante jogando pelo Novorizontino.

Novorizontino 2 x 1 São Bernardo | Juninho marca nos acréscimos e dá vitória ao Novorizontino

Toda semana, o futebol revela novos heróis e vilões. O autor do gol da vitória de um clube se torna o foco das atenções dos torcedores, enquanto quem perde uma grande oportunidade é visto como o responsável por todos os problemas. Essa dinâmica é efêmera e passageira.

Novas histórias surgirão em breve, mas, entre os holofotes, existem narrativas de vida dos protagonistas que vão além do campo e muitas vezes não são noticiadas. Esses momentos impactam a performance dentro de campo.

Juninho, volante do Novorizontino, é um exemplo disso. Na última rodada do Paulistão, ele marcou o gol da vitória contra o São Bernardo nos acréscimos, um gol crucial que manteve o Tigre na liderança. A comemoração foi marcada por lágrimas.

— Quando entrei no jogo, ouvi a voz dela gritando: ‘Vai, Júnior’. Naquele momento, comecei a chorar. Acho que meus companheiros não entenderam. Poder ouvir aquela voz novamente, pensei, minha tia está aqui. Orei para ser abençoado com um gol e poder dedicar a ela. Já estava desacreditado, mas aconteceu. Deus me abençoou, pude fazer aquele gol maravilhoso e dedicar a ela e à minha esposa — relatou em entrevista ao programa Resenha Esporte Clube, da Rádio Esperança, de Novo Horizonte.

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Juninho comemora gol da vitória do Novorizontino sobre o São Bernardo — Foto: Juan Rodrigues/NovorizontinoJuninho comemora gol da vitória do Novorizontino sobre o São Bernardo — Foto: Juan Rodrigues/Novorizontino

A tia de Juninho, Angélica Monteiro, não é de sangue, mas uma figura importante em sua vida. A relação começou quando ele tinha apenas nove anos. Devido a dificuldades financeiras, Juninho, que morava com a mãe, não conseguia se deslocar de Volta Redonda até o Rio de Janeiro, cidades separadas por cerca de 130 km.

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Juninho em ação contra o São Bernardo — Foto: Juan Rodrigues/NovorizontinoJuninho em ação contra o São Bernardo — Foto: Juan Rodrigues/Novorizontino

Na base do Flamengo, Juninho jogava ao lado do filho de Angélica, o goleiro João Fernando, atualmente profissional do Boavista-RJ. Ela assumiu a responsabilidade de levar os dois meninos aos treinos.

Essa relação foi interrompida quando Juninho foi dispensado do clube, aos 10 anos, por indisciplina. Sem o futebol, sua vida tomou outro rumo.

— Eu não ia mais para a escola, não jogava e comecei a roubar. Estava viciado em roubar dinheiro, era ladrão, ladrãozinho mesmo — confessou.

Com os pais separados, Juninho foi morar com o pai, Alexandre, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, após deixar o Flamengo.

— Meu pai conseguiu me tirar desse vício. Quando o Flamengo soube disso, foi à minha casa e perguntou se eu poderia voltar, e eu voltei. Mas meu pai não tinha condições de me levar todos os dias. Um dia, ele me deu o dinheiro da passagem (para ir ao CT) e disse que eu poderia ir ou voltar a trabalhar com ele. Eu tinha 11 anos e decidi ir para o clube — contou.

Juninho marcou gol na vitória do Novorizontino sobre o Guarani, no Paulistão — Foto: Juan Rodrigues/NovorizontinoJuninho marcou gol na vitória do Novorizontino sobre o Guarani, no Paulistão — Foto: Juan Rodrigues/Novorizontino

Durante dois anos, Juninho percorreu cerca de 60 quilômetros entre a Baixada Fluminense e Vargem Grande, onde fica o centro de treinamentos do Flamengo, utilizando transporte público e caronas.

Aos 13 anos, ele e seu pai mudaram para Vargem Grande. Com problemas de relacionamento, Juninho saiu de casa e, como seu pai era o responsável legal, foi dispensado novamente pelo Flamengo.

Nesse momento, a tia Angélica voltou a aparecer em sua vida.

— Mudamos para Vargem Grande com ela pagando nosso primeiro aluguel. Quando saí de casa, ela postou uma foto comigo dizendo que não ia desistir de mim. Ela me chamou para morar com ela, ciente dos erros que eu estava cometendo. Voltei para Volta Redonda, para morar com ela e, após quatro meses, fui para o Vasco. A partir daí, segui minha vida sozinho.

Juninho, na base do Flamengo, e tia Angélica — Foto: Arquivo pessoalJuninho, na base do Flamengo, e tia Angélica — Foto: Arquivo pessoal

— Desde os meus 15 anos, minha tia nunca mais foi a um jogo meu. Ela me acompanhou dos nove até os 15 anos. Sempre a via no estádio gritando. Meu pai e minha mãe, acho que foram me ver jogar uma vez só, mas minha tia sempre esteve presente — contou.

Juninho atuou pelo Vasco de 2017 a 2023, sendo os três últimos anos como profissional. Em seguida, defendeu Orlando City, dos Estados Unidos, Goiás e Criciúma.

Atualmente, com o Novorizontino, o volante vive a liderança do Paulistão. Com 16 pontos, o próximo compromisso será neste domingo, às 20h30, contra o Bragantino, em Bragança Paulista. O clube já está garantido nas quartas de final da competição.

Juninho no treino do Vasco em Maceió — Foto: Daniel Ramalho / CRVGJuninho no treino do Vasco em Maceió — Foto: Daniel Ramalho / CRVG

A pontuação já garantiu ao Aurinegro, pelo menos, a segunda colocação, o que significa que no mata-mata decidirá o jogo das quartas em casa. Uma eventual semifinal e final também podem ser decididas em Novo Horizonte.

A trajetória de Juninho é marcada por muitos desafios e, com a camisa do Tigre, ele busca mais conquistas.

— Primeiro, é a humildade de lutar, porque não ganhamos nada, mas por que colocar um empecilho no nosso sonho? Por que não sonhar mais? Então, com muita humildade, a gente sonha, né? Não é um bicho de sete cabeças, mas acreditamos no nosso potencial — finalizou o camisa 50.

Fonte: ge


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