Representantes do grupo liderado por Marcos Lamacchia estabeleceram contato com membros da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para apresentar a estrutura da empresa que pretendem constituir na aquisição da SAF do Vasco. O intuito é alinhar o negócio antes de um avanço decisivo e realizar ajustes necessários ao regulamento de fair play financeiro.
O objetivo é que essa estrutura esteja em conformidade com o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) antes da conclusão da compra da SAF. Em entrevista na segunda-feira na CBF, o presidente do Vasco, Pedrinho, expressou a expectativa de que a negociação seja finalizada ainda em 2026.
O grupo é chefiado pelo empresário Marcos Lamacchia, filho de José Carlos Lamacchia, proprietário da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Embora ainda não tenha ocorrido uma reunião formal, um encontro está previsto para breve, conforme o andamento das negociações.
Pedrinho e José Roberto Lamacchia — Foto: Reprodução
As normas estabelecem possíveis restrições a esse tipo de transação devido à relação entre Marcos e Leila. O artigo 86 do SSF proíbe que “qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube”.
A influência significativa é definida como “a capacidade de dirigir políticas financeiras ou operacionais, exercer veto relevante, nomear administradores-chave ou deter, isolada ou conjuntamente, mais de 10% dos direitos de voto com acordos de voto ou vetos qualificados, bem como contratos de financiamento que imponham covenants com poder decisório”.
Empresário Marcos Faria Lamacchia — Foto: Reprodução: Linkedin
Para fins de apuração do controle ou influência, são consideradas as somas de participações, direitos de voto ou poderes de veto da pessoa física (ou dos controladores finais da pessoa jurídica) somadas àquelas detidas por seu cônjuge, companheiro(a) ou parentes até o segundo grau (pais, filhos, irmãos).
A aproximação do grupo foi vista de maneira positiva por membros da ANRESF, que interpretaram como uma disposição para encontrar uma solução antes da efetivação da venda.
A ANRESF será responsável por analisar uma possível mudança societária no Vasco e verificar se ela se enquadra nas regras de fair play financeiro – alterações no quadro devem ser comunicadas à ANRESF em até 30 dias.
Uma alternativa para que a estrutura da empresa seja aprovada é a utilização de um “blind trust”, um arranjo em que um fundo controla os ativos sem que o proprietário tenha conhecimento ou influência sobre eles. Essa configuração teria um prazo definido, até que Leila deixe a presidência do Palmeiras – ela está em seu último mandato, que se encerra em dezembro de 2027.
Em declarações ao ge, no início deste mês, o presidente da ANRESF, Caio Resende, afirmou que a agência realizará uma “análise rigorosa” caso a venda seja concretizada.
— Uma pessoa não pode ser diretora esportiva de dois clubes ao mesmo tempo, isso é bem objetivo. Isso gera uma série de implicações éticas que podem comprometer a integridade da competição. Outros aspectos, que envolvem a estrutura societária, quem detém 10%, quem detém 20%, quem realmente opina, podem exigir uma análise mais detalhada – afirmou.
— O que observamos no exterior é que, à medida que a estrutura dos multiclubes se torna mais complexa, às vezes é difícil analisar sob o ponto de vista societário: “Ah, o fundo tal é detentor de participação em outro fundo que possui um clube”. Mas ele tem poder decisório? Ele tem capacidade de comprometer? Essas situações podem levar a uma análise mais aprofundada da agência, sim.
Fonte: ge
Conversa da torcida
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