Polícia e TJD investigam possível manipulação de resultados no Campeonato Carioca

Polícia e TJD estão investigando suspeitas de manipulação de resultados no Campeonato Carioca.

Raphael Zarko explica metodologia e mostra alguns resultados do censo do ge com jogadores de clubes pequenos do Carioca 2026

Cerca de 15% dos atletas de equipes menores da Série A do futebol carioca relataram ter recebido propostas ou sondagens para manipulação de resultados ou lances durante as partidas. Este dado é o principal achado de uma pesquisa inédita realizada pelo ge, que entrevistou mais de 100 jogadores que competem na primeira divisão do Rio de Janeiro por clubes com menor investimento.

Além disso, um inquérito está em andamento no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) e na Polícia Civil, investigando um caso relacionado ao Campeonato Carioca da Série A de 2026. Uma partida do “quadrangular da morte”, que define o rebaixamento na competição, está sob investigação.

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A suspeita surgiu a partir de um alerta emitido pela Federação do Rio aos clubes, que indicou movimentações irregulares em casas de apostas. Dois jogadores, de clubes distintos, foram identificados como suspeitos, e um deles já foi afastado de sua equipe.

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Censo do Carioca 2026 mostra que 15% dos jogadores de clubes pequenos já foram sondados para manipula resultados — Foto: chatGPTCenso do Carioca 2026 mostra que 15% dos jogadores de clubes pequenos já foram sondados para manipula resultados — Foto: chatGPT

Os investigadores da Delegacia do Consumidor (DECON), que cuidam dos inquéritos sobre manipulação de resultados no futebol carioca, já ouviram alguns depoimentos. O presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, foi convocado a prestar esclarecimentos.

Até o momento, este é o único alerta sobre manipulação em jogos da Série A do Carioca neste ano.

O censo do Carioca 2026, realizado de forma anônima com os atletas por meio de sete perguntas objetivas sobre suas vidas e carreiras, será divulgado em duas partes pelo ge. A primeira parte aborda a manipulação no futebol. Dos 116 jogadores entrevistados entre os oito clubes menores, 17 afirmaram ter recebido propostas ou sondagens para manipular resultados ou lances de jogos, representando 14,6% do total.

– Isso se tornou um vírus, né? A gente não percebe – afirmou Alfredo Sampaio, presidente da Saferj (Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Neste Campeonato Carioca, ele atuou como técnico do Sampaio Corrêa e atualmente comanda a Portuguesa da Ilha do Governador.

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Ferj: casos diminuíram nos últimos anos

Apesar da pesquisa anônima, Alfredo acredita que o número de jogadores abordados para manipulação pode ser ainda maior.

– Ninguém admite, seja por vergonha ou medo. Nas divisões inferiores, especialmente na Série B e Série C, a situação é alarmante. É um desafio difícil de controlar – comentou Alfredo Sampaio.

Alfredo Sampaio, presidente do Saferj, comandou Sampaio Corrêa e Portuguesa neste Carioca — Foto: Thiago Ribeiro/AGIFAlfredo Sampaio, presidente do Saferj, comandou Sampaio Corrêa e Portuguesa neste Carioca — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Na Série A do Carioca, destaca-se o atacante Ygor Catatau, que retornou ao futebol após uma suspensão. Ele avançou até as quartas de final do Carioca com o Volta Redonda, tendo sido suspenso em 2023 enquanto jogava pelo Sampaio Corrêa, na Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador conseguiu a revisão de sua pena e voltou a atuar no final do ano passado.

A Ferj não se manifestou sobre o caso em investigação em 2026, embora tenha recebido um alerta de uma empresa especializada em monitoramento de casos suspeitos. A federação, no entanto, enfatizou que os casos de manipulação têm diminuído nos últimos anos. Confira a nota:

“Com o intuito de proteger o esporte, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro tem adotado medidas de combate à manipulação de resultados há vários anos. Além da contratação de uma empresa internacional de serviços de integridade, o Departamento Jurídico da entidade encaminha todas as denúncias – sejam anônimas à sua Ouvidoria ou oriundas de relatórios emitidos pela parceira de monitoramento – para a Polícia Civil, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Tribunal de Justiça Desportiva-RJ e Confederação Brasileira de Futebol, visando, com a soma de esforços, identificar e punir esportivamente e criminalmente os envolvidos. É importante ressaltar que, após as ações e o trabalho conjunto entre os órgãos, o número de casos apresenta uma queda significativa: 19 (2022), 7 (2023), 3 (2024) e 2 (2025).”

Fonte: ge


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