Apesar da classificação do Vasco para as oitavas de final da Copa do Brasil, Renato Gaúcho iniciou a coletiva após o empate em 2 a 2 com o Paysandu demonstrando insatisfação com seus jogadores. O treinador apontou um relaxamento da equipe após abrir 2 a 0 no placar, o que quase resultou em uma decisão por pênaltis, já que o adversário conseguiu marcar dois gols.
Renato enfatizou a importância de tratar todos os jogos com seriedade, independentemente do rival, e destacou que “é preciso levar a sério os 90 minutos”.
– O jogo se tornou complicado em certos momentos porque permitimos isso. Fizemos 2 a 0, com todo respeito ao Paysandu, que fez uma ótima partida, mas estávamos bem no jogo. Com 2 a 0, alguns jogadores se acomodaram, pensando que já estava decidido. No último lance do primeiro tempo, eles conseguiram um gol. Eu já havia alertado meu time sobre a dificuldade desse jogo, que era perigoso. Eles marcaram no último lance do primeiro tempo e voltaram para a partida – criticou o treinador durante a coletiva.
“Eu os alertei no intervalo. Logo no início do segundo tempo, o Paysandu fez um gol. Falei para eles que o grupo gosta de sofrer, que acha que deve sofrer junto com a torcida. Isso não pode acontecer”, continuou.
– Independentemente da competição ou do adversário, é necessário levar a sério os 90 minutos. Não se pode achar que o jogo está ganho, mesmo com 2 a 0 ou 3 a 0. O jogo se decide durante os 90 minutos, e tudo pode acontecer. Infelizmente, tudo que alertei desde ontem e hoje na preleção aconteceu – completou Renato.
Renato Gaúcho em Vasco x Paysandu — Foto: André Durão
Renato Gaúcho também mencionou a possibilidade de poupar alguns titulares após abrir 2 a 0, pensando no confronto contra o Internacional no próximo sábado, e afirmou que o Vasco “quase pagou caro” pela postura relaxada em São Januário.
– Quando eu poderia poupar um ou dois jogadores para o jogo de sábado, tive que mantê-los em campo se desgastando, pois precisei fazer algumas trocas inesperadas para garantir a classificação. Vi os jogos da Copa do Brasil ontem. Falo sempre para eles que não importa se o time é da quarta, segunda ou terceira divisão, todos querem mostrar serviço. Hoje em dia, não existem mais aqueles craques que decidem o jogo a qualquer momento. Todos estão no mesmo nível. É uma questão de vontade e entrega, e isso eu cobro bastante deles – disse o comandante vascaíno.
– Meu time tem se esforçado, e eu tenho elogiado o grupo. Contudo, em determinados momentos, eles acharam que o jogo estava ganho. Isso não pode acontecer. Ontem, todos os jogos foram difíceis, assim como o nosso. Felizmente, conseguimos a classificação, mas não precisávamos passar por esse sufoco. Infelizmente, deixamos o Paysandu gostar do jogo. Quase pagamos caro por isso, mas o importante é que atingimos nosso objetivo – concluiu.
Com a classificação garantida entre os 16 melhores, o Vasco aguarda o sorteio da CBF para conhecer seu adversário na próxima fase. Os jogos das oitavas de final da Copa do Brasil estão programados para agosto, após a Copa do Mundo.
A equipe volta a campo no próximo sábado para enfrentar o Internacional, às 18h30 (de Brasília), em Porto Alegre, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Veja outras respostas de Renato Gaúcho, técnico do Vasco, na coletiva:
Como está Paulo Henrique, que saiu lesionado?
– Em relação ao PH, ainda não conversei com os médicos. Vou fazer isso, mas provavelmente teremos que esperar 24 horas para uma avaliação mais precisa do jogador.
Atuações de Brenner e David
— São dois jogadores que têm habilidade para atuar tanto por dentro quanto por fora. Eles precisam se comunicar e trocar de posições, o que dificulta a marcação adversária. Não podem jogar de costas, precisam se movimentar. Quando fazem isso, vão bem, mas hoje aceitaram muito a marcação do Paysandu. Tenho dado oportunidades a todos. Amanhã ou depois, ninguém poderá reclamar que não teve chances.
O que tem achado das atuações do Marino?
— Tenho conversado com o Marino, dado orientações e lapidado seu jogo… Hoje foi a melhor atuação dele no Vasco, e torço para que ele retome o futebol que apresentou na Colômbia. Ele está readquirindo seu bom desempenho aos poucos. Às vezes comete erros, mas isso é normal. Fiquei satisfeito, pois ele também jogou bem no Chile. As oportunidades estão sendo dadas.
— O futebol precisa ser simplificado. Ele não é culpado. Vejo muitos jogos da Colômbia e percebo alguns defeitos. Ele não pode ter três jogadores no meio de campo, pois isso gera contra-ataques. Se der certo, será aplaudido; se der errado, será criticado. Orientei-o a não aceitar a marcação, mas a usar criatividade, força e habilidade próximo ou dentro da área adversária. No meio de campo, ou sofre falta ou perde a bola, o que resulta em contra-ataques. São questões simples, mas o jogador escuta e evolui. Como aconteceu hoje. Estou tomando cuidado para que ele não caia na reprovação da torcida.
Está faltando um ponta artilheiro no time?
— Quando cheguei, encontrei um grupo desanimado e com muitos problemas. Trabalhei a parte técnica, tática e a mentalidade dos jogadores. No Campeonato Brasileiro, que é bastante difícil, conquistamos 19 de 33 pontos. Enfrentamos o G-5 e não perdemos para ninguém, exceto pelo empate com o Flamengo. Quando o grupo quer, ele responde. Falta um jogador em alguma posição? Todo jogador que a diretoria me oferecer será bem-vindo. Tenho conversado com o Admar e com o Pedrinho, trocando ideias. Vamos trabalhar para almejar objetivos maiores nesta temporada.
Expulsão do Thiago Mendes
— O Thiago tem sido muito útil, e tenho conversado com ele. Ele evoluiu bastante. Sabíamos que ele não jogaria contra o Internacional, pois recebeu o terceiro cartão amarelo. Vai descansar neste fim de semana e estará apto para jogar na próxima semana. Perguntei ao árbitro se o Thiago tinha dado a cotovelada, e ele confirmou. Vi o lance no vestiário, e cada um tem sua opinião. Achei justa a expulsão. Ele levantou o braço e deixou. Isso é motivo para expulsão, e não vou defender meu jogador por isso. Infelizmente, ele cometeu essa falta. Ontem, assisti ao jogo do Internacional contra o Athletic, e um jogador do Athletic fez a mesma coisa.
Expectativa para a volta do Cuiabano
— Em relação ao Cuiabano, estamos sendo cautelosos. Ele tem um histórico de lesões, está praticamente recuperado, mas ainda não se sente confortável e seguro para jogar. Vamos reavaliar dia a dia. Ele nos dará a resposta. Não adianta colocá-lo em campo se ele não tiver confiança, pois isso pode resultar em mais tempo fora. Gosto de dialogar com os jogadores, pois são eles que me informam sobre suas condições. Ele tem feito tratamento, mas ainda não está confiante, e estou respeitando isso.
Postura do Thiago Mendes após expulsão
— Conversei com o Thiago na véspera do jogo contra o Athletico, elogiando algumas de suas atitudes e aconselhando-o sobre outras que não vou mencionar. Não vou condená-lo por ter sido expulso. Ele não pode ter essa atitude, mas tem sido útil. Tenho conversado com ele para evitar essas situações. Não se corrige um jogador da noite para o dia. Ele disse que vai me entregar um DVD com seus melhores momentos, mas eu pedi para ele esperar um pouco.
Prioridade ainda é o Brasileiro?
— Nunca podemos negligenciar o Campeonato Brasileiro. A Copa do Brasil e a Sul-Americana também são importantes. Precisamos ser inteligentes. Troco ideias com o presidente, com o Felipe e com o Admar… A decisão não é apenas minha. Pensamos no que é melhor para o clube. Entramos em todas as competições para vencer. Se poupamos jogadores, é para evitar prejuízos futuros. Quase não tivemos tempo para treinar, e não atribuo os méritos apenas a mim, mas ao grupo. Quando cheguei, o Vasco tinha um ponto. Hoje, estamos em oitavo lugar, com 20 pontos, e enfrentamos o G-5. Esse grupo merece reconhecimento. O torcedor deseja ser campeão? Eu também. Trabalho para isso, mas não podemos esperar resultados imediatos. A janela de transferências está chegando, e vamos trabalhar. O Juventude acabou de eliminar o São Paulo. Esse é o futebol atual. Estamos classificados na Copa do Brasil e bem no Brasileirão. Precisamos melhorar? Sim. Mas, em comparação ao que era, o Vasco está em uma boa situação. Temos mais dois jogos na Sul-Americana e estou confiante de que vamos nos classificar. Vamos tentar. Converso com os torcedores na rua, vejo o sofrimento deles e estou junto nessa, mas precisamos avançar passo a passo.
Fonte: ge
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