Renato Gaúcho detalha metas do Vasco, estratégias, SAF e reforços em nova fase

Renato Gaúcho discute objetivos do Vasco, estratégias, SAF e possíveis reforços para a nova fase do clube.

“Tô ON” diz Renato Gaúcho para possibilidade de Neymar no Vasco – Tá ON SporTV

Com um sorriso no rosto e óculos escuros, Renato Gaúcho chegou ao CT Moacyr Barbosa para mais um dia de trabalho. O bom momento do Vasco e a pausa no calendário de jogos devido à Data Fifa explicam sua alegria. Ele dirigia um carro vermelho, simples e sem ostentações — bem no estilo Renato.

“Olha lá, meu carro é 2014. Os caras ficam tirando onda comigo. Enquanto ele me levar aonde eu quero, está tudo certo (risos)”.

Quando a agenda do futebol permite, o futevôlei se torna um ritual sagrado nas manhãs. Renato, que se mantém distante das redes sociais, sente o carinho da torcida vascaína nas ruas do Rio de Janeiro — e, claro, nas praias. Recentemente, a tranquilidade para os jogos nas areias de Ipanema diminuiu, mas por um bom motivo.

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— Fui à praia ontem e não consegui jogar meu futevôlei. A cada dois minutos, uma foto, um abraço, um choro. Aquele choro de alegria (risos). Pelo menos estou fazendo as pessoas felizes. No futebol, tudo é momento, tudo é resultado. É preciso aproveitar esse momento bom.

Renato Gaúcho, técnico do Vasco, em entrevista no CT — Foto: João GuerraRenato Gaúcho, técnico do Vasco, em entrevista no CT — Foto: João Guerra

As respostas bem-humoradas têm caracterizado as primeiras semanas do treinador em São Januário e foram novamente evidentes na entrevista exclusiva concedida ao ge e ao Tá On, do SporTV. Renato vive um momento positivo em seu início de trabalho no Vasco, com quatro jogos, três vitórias e um empate, que levaram o time da lanterna à nona posição no Campeonato Brasileiro.

Além da interação na praia, a torcida também demonstra sua empolgação nas redes sociais, inundando-as com memes sobre “Renight”. Renato se diverte com as brincadeiras, mas só vê o que a filha Carol lhe mostra. Com um estilo mais tradicional, o treinador utiliza o celular apenas para mensagens curtas e revelou à reportagem que nunca enviou mensagens escritas, apenas áudios. E, se dependesse dele, o celular já estaria fora do futebol.

— O celular foi a pior praga que inventaram para o jogador de futebol. Ele sabe tudo aqui no celular. Já falei para eles: “uma hora dessas, um colega de vocês vai cair no campo, vai entrar a maca e vocês vão meter a mão dentro da sunga, pegar o celular e mandar uma mensagem de dentro do campo” (risos). Só falta isso. Eles não fazem nada sem o celular — brincou Portaluppi.

Renato Gaúcho em treino do Vasco — Foto: Matheus Lima/VascoRenato Gaúcho em treino do Vasco — Foto: Matheus Lima/Vasco

Além das brincadeiras e do estilo descontraído, Renato também aborda assuntos sérios. Ele aprecia discutir táticas, mas prefere fazê-lo com seus jogadores, não em entrevistas. Para ele, ninguém deve entrar em campo com dúvidas.

— A parte que mais gosto de discutir com meu grupo é sobre tática. Não sou um treinador que fala de tática nas entrevistas. Minha preocupação é passar para os jogadores a maneira como quero que joguem e se comportem taticamente em campo.

— Não sou aquele treinador que vai chegar na frente das câmeras, com todo respeito, e falar palavras difíceis. Não falo palavras bonitinhas, me faço entender com meu grupo. Os números não mentem.

Renato orienta jogadores do Vasco — Foto: André DurãoRenato orienta jogadores do Vasco — Foto: André Durão

Sobre a eficácia de seu trabalho, o treinador adota o lema: “os números não mentem”. De fato, as estatísticas estão a seu favor, sendo ele o técnico com mais vitórias no futebol brasileiro na última década, com 285 triunfos. Ao todo, já ultrapassou a marca de 500 vitórias na carreira.

“Não se compra vitória no supermercado ou na farmácia, você conquista as vitórias dentro de campo com trabalho.”

— A confiança que o treinador passa para o grupo é essencial, porque já fui jogador e sei o quão importante é o seu chefe te passar confiança. Quando o treinador não transmite confiança, você não consegue render tudo o que pode. A maior prova está aí: a confiança que passo para eles tem dado certo.

Objetivos na temporada

Apesar do momento de tranquilidade no calendário, Renato está ciente do que o aguarda a partir de abril e segue preparando o grupo para uma sequência intensa de jogos. Nos próximos dois meses, o Vasco terá pelo menos 16 compromissos: oito jogos no Brasileirão, seis na fase de grupos da Copa Sul-Americana e duas partidas pela quinta fase da Copa do Brasil.

O técnico já indicou que pretende utilizar os reservas na primeira partida da Sul-Americana, que não é a prioridade do Vasco neste momento. O foco, alinhado entre a comissão técnica e o clube, é manter a atenção no Campeonato Brasileiro, com o objetivo de alcançar 45 pontos rapidamente para, assim, “pensar grande”.

Renato Gaúcho sobre o bom início de trabalho no Vasco: “Estou com os pés no chão”

— Todo treinador deseja fazer logo os 45 pontos, especialmente por ser um campeonato longo e difícil. A prioridade deve ser o Brasileiro, pois é um torneio que rebaixa. Conseguimos dez pontos em 12, subimos um pouco. Para quem estava em último… É claro que eu penso grande, quero ser campeão brasileiro, quem não quer? Mas, por isso, falo: “pés no chão”.

— Vamos ver o que a diretoria pode me oferecer em termos de reforços. Não adianta querer dar um passo maior que a perna. Se não chega, o torcedor fica triste. Não prometo isso, mas prometo muito trabalho. É lógico que sempre quero brigar na parte de cima da tabela, para lutar por algo. O torcedor também tem sua própria consciência, sabe que o campeonato é longo e difícil, não pode se iludir. As pessoas podem sonhar, eu tenho os pés no chão.

Veja a entrevista completa abaixo:

Por que acha que dizem que Renato não sabe sobre tática?

— São pessoas que vivem no ar condicionado, que são contra o Renato. Costumo dizer que o homem lá de cima não agradou a todos. Para mim, podem falar à vontade. Eles são pagos para falar besteira. Com todo respeito a todas as opiniões. Você querer opinar sobre uma pessoa sem conhecer seu trabalho no dia a dia é complicado. Mas, como sempre digo, meus números… não se compra vitória no supermercado, na farmácia, você conquista as vitórias dentro de campo com trabalho.

Início de trabalho e primeiros contatos com elenco

— É difícil. Não quero entrar em detalhes sobre como encontrei o grupo, pois algumas pessoas podem achar que estou criticando o trabalho do Diniz, e não tenho nada a ver com isso. Gosto dele e me dou bem. Quando cheguei, não tivemos tempo para treinar e pegamos uma sequência difícil, enfrentando times que brigam lá em cima, como Palmeiras, Cruzeiro, Fluminense e Grêmio. Conversei, tive uma ideia e coloquei na cabeça deles que precisavam jogar com confiança e entrega. Foi o tal do “tesão”. Falei: “não tem torcedor que vai vaiar se o time se entregar e correr, pode ter certeza”. O Vasco tinha quatro jogos e um ponto. É complicado fazer um ponto em 12, a conta vai chegar lá na frente. Cada rodada é difícil. O Brasileiro é o mais difícil do mundo. Fizemos 10 pontos de 12 contra esses quatro grandes. Vou à praia e a torcida não me deixa em paz (risos).

— Precisamos trabalhar bastante ainda. Estou bem com os pés no chão. O Vasco precisa dessa pausa para a Copa, precisamos de reforços para almejar algo maior nas competições que vamos disputar. Tenho 24 jogadores, com três da base. Nosso grupo está reduzido e precisamos trazer jogadores que possam nos ajudar.

Avanços sobre a venda da SAF

— Tive uma conversa com o Pedrinho recentemente, ele me passou algumas informações. Esperamos que a venda da SAF aconteça. A maioria dos clubes enfrenta problemas financeiros. Quando há dificuldades financeiras, não se consegue contratar. Se não contrata, não se reforça o grupo. E se não reforçar, fica complicado brigar lá em cima. Mas, pelo que ele me disse, vamos torcer para que dê certo e que o clube possa fechar esse negócio.

Posições para reforçar

— Essas questões eu discuto com o presidente e a diretoria, porque quando digo que quero um jogador para uma posição, o atleta da posição pode pensar: “Poxa, estão trazendo alguém para a minha posição”. Entendeu? No geral, o que o presidente puder me oferecer em termos de jogadores, reforços, será bem-vindo. Vou sentar com eles e opinar sobre onde mais precisamos urgentemente, para que possamos pensar grande durante as competições.

Carinho da torcida

— É divertido, a torcida está em lua de mel, e a maioria deles diz: “Estamos sofrendo há muito tempo”. Apenas esses 10 pontos de 12 já nos permitem sorrir e provocar nossos rivais, acho isso muito legal. Fico feliz em ver o torcedor feliz. Mas volto a repetir: calma. Pés no chão. O torcedor tem direito de sonhar, mas eu, como comandante, preciso estar com os pés no chão, sabemos que precisamos melhorar. E nessa janela, se conseguirmos reforçar nosso grupo, começaremos a pensar em coisas maiores, que é o que nosso torcedor deseja.

Conexão com o Vasco como treinador

— Esta é a minha terceira passagem pelo Vasco. Trabalhei anteriormente como treinador, em um período de grandes dificuldades financeiras que o clube enfrentava, mas fizemos boas campanhas. Sempre fui bem recebido pela torcida do Vasco. Foi o único clube do Rio de Janeiro em que não joguei, mas trabalhei como treinador. Recebi muitos convites, mas tinha contrato com outros clubes, e não consegui vir. O que posso fazer é trabalhar com meu grupo para proporcionar alegria ao nosso torcedor.

Como enxerga as demissões de treinadores recentes no Brasil?

— Fico triste ao ver um colega sendo demitido, mas também faço parte disso. Hoje em dia, no Brasil, se você ganha, é bom; se não ganha, não é bom. As pessoas não analisam outros fatores. Quase todos os treinadores, se não todos, têm cláusulas de multa. Eu não coloco multa no meu contrato. Quando chego a um clube, venho para trabalhar. Não estou aqui para: “Ah, dane-se se der certo ou não, vou receber uma boa multa”. Não penso assim. Quando tive a multa no Fluminense, foi o presidente que insistiu em colocá-la. Hoje, cheguei ao Vasco e pedi para não incluir multa no meu contrato. Quando o clube achar que não estou dando resultados, pode me demitir. E quando eu sentir que estou atrapalhando, eu saio.

Fala sobre trabalho de seis em seis meses

— Não, sempre faço contrato de um ano. É preciso avaliar os resultados, ver o que o clube deseja, e então sentamos e conversamos. Foi uma brincadeira, mas é por aí. É muito estressante. O treinador absorve praticamente todos os problemas do grupo, e como há problemas, ainda precisa entregar resultados. É tudo nas costas do treinador. O treinador não dorme, não. Acorda de madrugada, pensando: “Vou nesse esquema aqui”. É uma tortura para a nossa cabeça. Vejo alguns jogos e os treinadores muito estressados à beira do campo. Não é fácil ser treinador. É o que sempre digo: o treinador de futebol deve ser bem remunerado. E nós ganhamos pouco. O treinador sofre. Se algo dá errado, a culpa é sempre do treinador. Se deu errado? Mandam embora o treinador. E nem sempre ele é o culpado, que fique claro. Sempre há uma parcela de culpa, mas a responsabilidade recai sobre ele. É mais fácil demitir um só, sempre o treinador.

Arrependimento sobre demissão no Fluminense

— Me arrependi de ter pedido demissão. Estávamos bem, fizemos um Mundial maravilhoso, estávamos bem na tabela, o grupo do Fluminense era ótimo de se trabalhar, e o torcedor sempre nos apoiou. Tanto que tomei a decisão após o jogo e todos vieram falar comigo no vestiário, o presidente, a diretoria. “Não, pelo amor de Deus, você está de cabeça quente, repense”. Eles não queriam que eu fosse embora, mas já havia tomado a decisão. Arrependi-me de ter tomado aquela decisão impulsivamente, porque tudo estava ótimo. Fiz a escolha errada no momento errado, mas hoje estou feliz aqui no Vasco.

Saúde mental

— Não foi uma fragilidade. Coloquei na cabeça que, com tudo que estava fazendo no Fluminense, havia pessoas insatisfeitas. Será que sou eu que estou atrapalhando? Coloquei isso na minha mente. Então fui embora. Paguei a multa. Muita gente disse: “Você é muito otário, Renato”. Otário? Não. Poderia ser o contrário, se tivesse a multa alta… Paguei. Não foi por fragilidade, foi uma decisão impulsiva. No Brasil, temos 200 milhões de treinadores. Todo mundo entende de futebol. Costumo dizer… Ninguém liga para a NASA, ninguém vai ao hospital fazer uma cirurgia e opina que o advogado está errado, mas no futebol, todos são gênios. Você precisa ser forte.

Críticas e brincadeiras com torcida

— Se você começar a se preocupar com tudo isso, ficará louco. Não consegue viver. Fui à praia ontem e não consegui jogar futevôlei. A cada dois minutos, uma foto, um abraço, um choro. Aquele choro de alegria, pelo menos estou fazendo as pessoas felizes. No futebol, tudo é momento, tudo é resultado. É preciso aproveitar esse momento bom.

Hobby fora do futebol

— Amo animais. Sempre torço para os mais fracos. Sou apaixonado por cães, sempre tive. Quando ando na rua, sempre vejo se alguém está maltratando, aí é briga. Minha esposa diz: “Você vê tanta coisa na selva”. A gente nunca sabe, depois caio na selva, sei o básico para sobreviver, preciso estar por dentro. Gosto bastante desse tipo de programa.

Relação com Cuiabano

— Eu puxei o Cuiabano da base para o profissional. Tínhamos três laterais, ele tinha acabado de subir, e estávamos com dois outros bons laterais. Foi uma questão de economia. O Botafogo fez uma boa proposta, e o Grêmio negociou o Cuiabano com eles. Ele não jogou muito por lesões, mas sempre foi um bom jogador, tanto que está mostrando seu valor aqui no Vasco, tem nos ajudado bastante. Tenho ele e o Piton. É sempre importante ter dois bons jogadores em cada posição. Ele entrou, fez gols, deu assistências, está muito bem.

Johan Rojas

— Em breve começará a Sul-Americana, e tenho o colocado em alguns jogos, ele tem entrado bem. Falo para eles “estejam preparados”. Em breve começa a Sul-Americana, a Copa do Brasil, e há espaço para todos, mas quando entrarem em campo, precisam mostrar serviço. Todos terão oportunidades. O importante é que todos tenham consciência de que precisam se entregar, é o tal do “tesão” que mencionei quando cheguei.

Time reserva na estreia da Sul-Americana?

— Tenho meu pensamento, vou compartilhar com a diretoria, com o presidente. Quatro ou cinco cabeças pensam melhor do que uma. Quero saber o que o clube pensa. Vamos trocar ideias e descobrir o que é melhor para o clube.

Enchentes no Sul

— Sou gaúcho. Ao ver o que estava acontecendo no meu estado, fiquei muito triste. De minha parte, ajudei muitas pessoas. Nunca mencionei isso. Ajudei com muito prazer. Minha filha ficou várias noites sem dormir ajudando as pessoas. O que pude fazer pelo povo de lá, dei o máximo. Infelizmente, ninguém esperava que isso acontecesse. No próprio futebol, o Grêmio foi muito prejudicado naquele ano, e muitos não entenderam. Jogamos um Campeonato Brasileiro que considero super difícil, fora de casa. E mesmo assim, disse que o Grêmio não cairia, e com quatro rodadas de antecedência, fugimos do rebaixamento. Você sabe o que é jogar um campeonato brasileiro fora de casa como o Grêmio fez? Foi um episódio muito triste que espero que nunca mais se repita, foram muitas perdas, não é bom nem lembrar.

Cursos sobre treinador na Europa

— O cara vai lá, passa uma semana na Europa, fez um curso. Deve ter aprendido muito. Então, faz o seguinte, pega um médico, vai para a Europa e fica lá uma semana. Depois volta… “ó, ele vai fazer seu procedimento, ficou uma semana na Europa”. Vai lá, arrisca.

Confiança no grupo

— A confiança que o treinador transmite ao grupo é essencial, porque já fui jogador e sei o quão importante é o seu chefe passar confiança. Quando o treinador não transmite confiança, você não consegue render tudo o que pode. A maior prova está aí: a confiança que passo para eles tem dado certo.

Fonte: ge


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