Vasco e Marcos Lamacchia buscam diálogo com a CBF sobre a SAF do clube

Vasco e Marcos Lamacchia tentam diálogo com a CBF sobre a Sociedade Anônima do Futebol do clube.

O Vasco da Gama e o empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, estão planejando discutir com a CBF um modelo de aquisição da SAF do clube que respeite as normas de Fair Play Financeiro.

Essa intenção foi comunicada pelo clube e pelo empresário à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão vinculado à CBF, ainda de forma informal, com o objetivo de agendar uma reunião.

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As tratativas entre Lamacchia e o Vasco estão progredindo em direção a uma possível revenda da SAF ao empresário. Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia e, por conseguinte, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A negociação pode girar em torno de R$ 2 bilhões, incluindo a assunção da dívida da SAF.

A CBF já havia alertado o Vasco, de maneira informal, que o negócio poderia infringir as regras de Fair Play Financeiro. O artigo 86 do Sistema de Sustentabilidade Financeira proíbe que parentes até o segundo grau tenham controle sobre dois clubes da mesma divisão.

Como enteado, Lamacchia se enquadra nessa proibição, o que significa que a revenda poderia ser impedida em uma análise da agência enquanto Leila permanecer na presidência do Palmeiras, cargo que ocupa até o final de 2027. A avaliação pela agência se torna efetiva apenas quando há uma notificação sobre a troca de proprietário, podendo resultar em remediações ou sanções ao clube, como perda de pontos ou licença.

As negociações entre o Vasco e Lamacchia para a venda da SAF estão em andamento desde o ano passado e já avançaram para análises mais detalhadas das finanças do clube e discussões sobre propostas. A negociação pode envolver R$ 2 bilhões, incluindo a assunção da dívida da SAF. Um impasse ainda precisa ser resolvido com a A-Cap, sucessora da 777 Partners, antiga sócia majoritária do Vasco, que detém o controle da empresa.

O clube e o empresário pretendem discutir com a agência da CBF a possibilidade de encontrar modelos que não infrinjam as regras.

No âmbito do Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF, existe a previsão de criação de um “blind trust” (fundo cego) para a gestão da SAF como uma solução. Nesse caso, Lamacchia poderia adquirir o Vasco, mas não teria participação na gestão, que seria realizada por terceiros, até que Leila deixasse a presidência do Palmeiras.

Esse assunto já foi debatido dentro da Agência da CBF, que está estudando modelos utilizados na Europa pela UEFA. Um dos casos analisados é o do Girona e do Manchester City, ambos pertencentes ao grupo City.

Para que ambos participassem da Champions na edição de 2024/2025, foi criado um blind trust que passou a gerir o Girona, impedindo que a diretoria do City tivesse influência no clube, e que qualquer pessoa envolvida na administração pudesse atuar em ambas as entidades.

O mesmo modelo foi aplicado no caso do Manchester United e do Nice na Europa League, com um fundo cego gerindo o time francês.

Um advogado consultado afirmou que, nesse contexto, Lamacchia poderia investir o montante estipulado no contrato, mas não poderia realizar injeções adicionais de capital, pois não teria influência na gestão.

Esse debate ainda está sendo tratado pela agência da CBF de forma teórica, sem aplicação prática.

A avaliação formal da possível compra da SAF do Vasco por Lamacchia só ocorrerá quando houver uma notificação oficial. No entanto, a pedido do Vasco e de Lamacchia, deve haver uma discussão prévia informal para buscar um modelo que evite o bloqueio da operação.

Fonte: Coluna Rodrigo Mattos – UOL


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