Essa intenção foi comunicada pelo clube e pelo empresário à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão vinculado à CBF. O aviso foi feito de maneira informal, com o objetivo de agendar uma reunião.
As conversas entre Lamacchia e o Vasco estão avançando em direção a uma possível revenda da SAF ao empresário, que é filho de José Roberto Lamacchia e, portanto, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A negociação pode envolver um montante de R$ 2 bilhões, incluindo a assunção da dívida da SAF.
Informalmente, a CBF já havia alertado o Vasco sobre a possibilidade de que o negócio violasse as regras de Fair Play Financeiro. O artigo 86 do Sistema de Sustentabilidade Financeira proíbe que parentes até segundo grau detenham o controle de dois clubes na mesma divisão.
Como enteado, Lamacchia se enquadra nessa restrição, o que significa que a revenda poderia ser bloqueada durante a análise da agência, enquanto Leila permanecer na presidência do Palmeiras, cargo que ocupa até o final de 2027. A avaliação pela agência só se concretiza efetivamente quando há informação sobre a troca de proprietário. Nesse caso, pode-se buscar uma solução ou o clube pode enfrentar sanções, como perda de pontos e licença.
As negociações entre o Vasco e Lamacchia para a venda da SAF estão em andamento desde o ano passado e já estão em fase de análise detalhada das contas do clube e discussão de propostas. Além dos R$ 2 bilhões, que incluem a dívida da SAF, há um impasse a ser resolvido com a A-Cap, sucessora da 777 Partners, antiga sócia majoritária do Vasco, que controla a empresa.
O objetivo do clube e do empresário é discutir com a agência da CBF a viabilidade de modelos que não infrinjam o regulamento.
De acordo com o Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF, existe a possibilidade de criação de um “blind trust” (fundo cego) para gerenciar a SAF como uma solução. Nesse cenário, Lamacchia poderia adquirir o Vasco, mas não teria participação na gestão, que ficaria a cargo de terceiros. Essa situação poderia perdurar até que Leila deixasse a presidência do Palmeiras.
O assunto já foi debatido internamente na Agência da CBF, que está analisando modelos utilizados na Europa, pela UEFA. Um dos casos em estudo é o do Girona e do Manchester City, ambos pertencentes ao grupo City.
Para que ambos pudessem participar da Champions League na edição de 2024/2025, foi estabelecido um blind trust que passou a administrar o Girona. Assim, a diretoria do City não poderia interferir no clube, e nenhum membro da administração poderia atuar em ambos os clubes.
O mesmo procedimento foi adotado no caso do Manchester United e do Nice na Europa League, onde o fundo cego gerenciou o time francês.
Um advogado consultado afirmou que, nesse caso, Lamacchia poderia investir o valor estipulado em contrato, mas não poderia realizar injeções adicionais de capital, pois não teria influência na gestão.
Esse debate ainda está sendo realizado pela agência da CBF em termos teóricos, e não práticos.
A agência formalmente avaliará a possível compra da SAF do Vasco por Lamacchia apenas quando houver uma notificação oficial. Contudo, a pedido do Vasco e de Lamacchia, uma discussão prévia informal deve ocorrer para buscar um modelo que evite o bloqueio da operação.
Fonte: Coluna Rodrigo Mattos – UOL
Conversa da torcida
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