Vasco tenta aprovar parcelamento de créditos na câmara de disputas da CBF — Foto: Luiz Vitor Lopes
As negociações estão em fase avançada, com prazo para manifestações das partes, que ocorreram nas últimas duas semanas. A expectativa é que a CNRD decida sobre o caso em breve.
Recentemente, o Vasco iniciou o pagamento de R$ 10 milhões referente a outro acordo coletivo aprovado na CNRD. Entre os clubes credores estão Fluminense, Santos e Red Bull Bragantino, que se manifestaram contra a proposta. A Link, do agente André Cury, é uma das empresas que impugnou a proposta do Vasco. Outras agências de atletas, como a OTB e a Guadagno Sports, também se opuseram ao plano.
Os credores levantam preocupações sobre a transparência orçamentária para o cumprimento do plano pelo Vasco, a falta de garantias para o pagamento e a contratação de jogadores em janelas recentes. Eles afirmam que o plano de pagamento “deve demonstrar viabilidade econômico-financeira e capacidade real de cumprimento” e criticam o modelo da proposta vascaína, que consideram uma “subatualização da dívida” e um “incentivo à inadimplência”.
— O plano subordina a satisfação do crédito ao êxito esportivo da entidade, deslocando ao credor o risco empresarial inerente à atividade, como se houvesse consentido em ser sócio dela – afirma um trecho da manifestação da Link Assessoria Esportiva, representada por André Cury.
Entre os principais pontos das impugnações apresentadas estão:
- Falta de um prazo determinado para quitação dos créditos. Um dos advogados critica o que considera “adimplemento indeterminado”, pois “limita-se a prever pagamentos ‘conforme necessário'”.
- Critério de atualização da dívida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), sem juros;
- Limitação de pagamento de R$ 10 milhões por ano;
- Não previsão de garantias no plano de pagamento e nem punições por inadimplemento. Os advogados citam o caso do Corinthians como precedente e pedem à CNRD o mesmo regime de sanções, como multas e juros moratórios sobre o saldo devedor; bloqueio e repasse de receitas; suspensão do direito de registro de atletas;
- O Vasco propõe pagamento até 2038, mas alguns credores sugerem que o prazo seja reduzido pela metade e que haja mecanismos objetivos de aceleração do pagamento, com destinação de percentual sobre premiações e receitas extraordinárias.
Houve também questionamentos sobre atualizações mais recentes da lista de credores, o que pode indicar que o limite de pagamento sugerido pelo Vasco pode ser dividido entre mais credores, resultando em que quem tem débitos receba menos do que o esperado.
“É importante destacar que, no intervalo entre a última manifestação dos credores e a atual, foram inseridos neste Plano de Pagamento outros dois créditos principais, nos valores de R$ 316.610,19 e R$ 1.465.311,01, que podem afetar as projeções de pagamento, uma vez que são baseadas em eventos incertos”, ressaltou o escritório Trengrouse Gonçalves Advogados, referindo-se ao período entre fevereiro e março de 2026.
Vasco: proposta é “parte final da reestruturação financeira”
Na manifestação enviada em 23 de março à relatora do caso na CNRD, Ana Beatriz Macedo, a SAF do Vasco argumenta que “a estrutura proposta observa critérios de sustentabilidade financeira e previsibilidade de fluxo, evitando soluções que, embora teoricamente mais céleres no curto prazo, comprometeriam a capacidade de cumprimento integral das obrigações e poderiam levar a um indesejado descumprimento do plano”.
O representante legal do Vasco também afirma que está em “etapa avançada de seu processo de reestruturação financeira”. O plano coletivo em análise na CNRD e “as tratativas com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) caracterizam-se como uma das fases finais desse processo, cuja conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2026”.
O Vasco justifica a proposta no “contexto mais amplo da recuperação judicial, onde a reorganização econômico-financeira ocorre de forma sistêmica”. Leia mais sobre as alegações do clube:
- Sobre a atualização dos créditos pelo IPCA e a “limitação da distribuição de recursos nos primeiros anos” para atender “a capacidade de geração de caixa do Vasco, a necessidade de satisfação integral dos credores e o cumprimento das obrigações assumidas no âmbito do reparcelamento de débitos fiscais e previdenciários, que estão sujeitos a prazos mais curtos e rígidos”.
- Sobre a falta de garantias aos credores, o Vasco afirma que “a adoção de garantias individualizadas, além de incompatível com a lógica coletiva da recuperação judicial, poderia gerar tratamento desigual entre credores e comprometer a viabilidade do Plano”.
- A respeito da contratação de jogadores em 2026, o Vasco informou à CNRD que “sua política de contratações respeita rigorosamente os limites orçamentários e as diretrizes estabelecidas no âmbito da reestruturação, sendo tais despesas compatíveis com o planejamento financeiro aprovado e essenciais para a manutenção da atividade esportiva do clube e geração de receitas”.
- Sobre a viabilidade do plano apresentado, o Vasco afirma que “tal análise já foi devidamente realizada no âmbito do processo de recuperação judicial”, com “demonstração técnica acompanhada de estudo independente”.
Fonte: ge
Conversa da torcida
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