O Vasco da Gama formalizou um empréstimo com a Crefisa na última quarta-feira. Segundo os termos do financiamento, o clube precisa da aprovação da instituição financeira para quaisquer vendas ou negociações envolvendo a Sociedade Administradora de Futebol (SAF). Além disso, como o clube e a SAF estão em recuperação judicial (RJ), a administração vascaína deve obter autorização da Justiça.
Essa exigência é considerada rotineira pelo clube, uma vez que o credor necessita estar ciente de quem receberá os pagamentos em caso de venda do controle societário. O Vasco acredita que qualquer instituição de crédito deve ser notificada, uma vez que uma venda pode influenciar as condições de pagamento.
Devido à recuperação judicial, o Vasco requer ainda a autorização da juíza responsável pelo processo para alterar o controle societário. A Justiça e a Administração Judicial (AJ) também precisam validar não apenas o empréstimo, mas qualquer movimentação financeira, incluindo antecipações de crédito ou receitas.
Pedrinho, presidente do Vasco — Foto: Mateus Bonomi/AGIF
Em um parecer encaminhado à Justiça recentemente, a AJ reconheceu a urgência do empréstimo para assegurar a continuidade das atividades do clube, porém ressaltou a necessidade de um plano detalhado para a aplicação dos recursos, conforme exigido no contrato de crédito. Entre os aspectos elencados, a Administração Judicial frisou que, por envolver 20% da SAF como garantia, a operação necessita da aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco, seguindo o estatuto do clube.
Além disso, o parecer detalhou alguns “convenants”, compromissos que visam proteger os interesses dos credores em contratos de financiamento. Dentre esses, o Vasco se compromete a não alterar o grupo controlador da SAF e a estrutura societária sem a aprovação prévia da Crefisa até 8 de junho de 2026. Os pontos destacados incluem:
“Convenants: (i) manter atividade operacional regular e objeto social inalterado; (ii) sem prévia anuência do credor, não poderá modificar a estrutura societária ou grupo de controle da SAF até 08.06.2026, nem distribuir lucros ou dividendos; (iii) apresentar mensalmente informações e documentos contábeis não auditados referentes aos 2 meses anteriores; (iv) direito de preferência do credor para a concessão de novos financiamentos ou dívidas, nas mesmas condições propostas por terceiros, durante a vigência do presente instrumento.”
Para conseguir o empréstimo, o clube organizou um processo de seleção para escolher a instituição financeira que fornecerá aproximadamente R$ 80 milhões, destinados a cobrir despesas operacionais, como salários, fornecedores essenciais e obrigações fiscais.
Outras instituições financeiras apresentaram propostas, mas as condições da Crefisa foram consideradas as mais vantajosas pela diretoria do Vasco. A autorização da Justiça foi solicitada em uma petição enviada à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro há duas semanas.
Pedrinho, presidente do Vasco, e Leila Pereira, presidente do Palmeiras — Foto: Anderson Romão/AGIF
Crefisa pode adquirir 20% do Vasco?
O empréstimo inclui como garantia 20 mil ações ordinárias de classe A, correspondentes a 20% do capital social da Vasco SAF, que atualmente pertence ao CRVG. Essas ações são parte do ativo não circulante e só podem ser utilizadas com autorização judicial.
Conforme o vice-presidente jurídico do Vasco, Felipe Carregal, os 20% do capital da SAF foram escolhidos como garantia para evitar comprometer receitas futuras do clube, como cotas de televisão, patrocínios ou vendas de jogadores. Ele enfatizou que o valor das garantias oferecidas sempre supera o montante financiado quando se trata de entidades em recuperação judicial.
— É importante ressaltar que garantia não equivale a “valuation” ou alienação. Já temos uma experiência onde sedes como São Januário foram oferecidas como garantia em diversas transações no passado — esclareceu.
Assim, os 20% da SAF do Vasco só seriam transferidos para a Crefisa caso o clube não cumpra as condições do empréstimo, o que incluirá um período de carência de 12 meses, seguido de pagamentos trimestrais em um total de 36 meses.
Processo de concorrência
Em entrevista, Pedrinho abordou o processo e revelou que mais de 60 instituições financeiras foram contatadas. Ele destacou que a Crefisa se destacou ao oferecer as melhores condições. O presidente do Vasco mencionou sua parceria com José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e proprietário da Crefisa.
— Desde o início do planejamento de recuperação judicial, já prevíamos a necessidade de um empréstimo para equilibrar o fluxo de caixa e garantir que o clube pudesse cumprir suas obrigações imediatas. No entanto, conseguimos postergar essa captação ao máximo, permitindo que buscássemos a melhor opção no mercado — afirmou Pedrinho.
Ele também revelou que a Crefisa está disposta a investir em projetos incentivados da associação, fruto do seu bom relacionamento com Lamacchia.
— Seguimos firmes, com responsabilidade e transparência, como sempre prometemos à torcida vascaína — finalizou Pedrinho.
Fonte: ge
Conversa da torcida
Participe da discussão sobre essa notícia.
Seu e-mail fica privado
Seu e-mail não aparece publicamente. Ele é usado apenas para identificar seu comentário e, se necessário, contato do site.
Entre para comentar com seu avatar. Você volta para este post automaticamente.
Crie sua conta em segundos. Você volta para este post automaticamente.