Advogado dos credores do Vasco reprova lentidão na liberação de empréstimo: ‘É pensar no coração em vez da caneta’

Advogado dos credores do Vasco critica a demora na liberação de empréstimo, destacando a necessidade de decisões mais ágeis e objetivas.

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O bloqueio do empréstimo DIP de R$ 150 milhões impacta não apenas a busca do Vasco por novos reforços, mas também gera preocupação sobre a capacidade do clube em honrar os pagamentos a funcionários e manter os vencimentos da Recuperação Judicial, caso os recursos não sejam liberados.

A cada três meses, o clube realiza pagamentos a ex-jogadores, ex-funcionários e empresas que constam na lista de devedores.

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Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores e possui o maior número de CPFs no quadro da recuperação judicial do Vasco, destacou que a restrição do empréstimo é prejudicial.

— Causa insegurança. Parece que a cada dois meses surge um novo entrave na recuperação judicial do Vasco, o que gera apreensão. As notícias surgem e criei um grupo de WhatsApp para manter os credores informados. Isso gera desconforto para a maioria dos credores que aprovaram a Recuperação Judicial. Esse empréstimo é fundamental para os pagamentos e a continuidade do processo. Também represento o sindicato de clubes, e essas pessoas também têm receio de receber seus salários em dia – analisou.

Nesta quinta-feira, o Vasco protocolou um agravo na Justiça do Rio de Janeiro contra a decisão que condicionou a análise de novos endividamentos superiores a R$ 5,9 milhões, incluindo o empréstimo DIP de R$ 150 milhões. O clube argumenta que necessita de R$ 83 milhões até 31 de agosto para cumprir com seus compromissos financeiros.

Pedrinho, presidente do Vasco, na Neo Química Arena — Foto: AGIFPedrinho, presidente do Vasco, na Neo Química Arena — Foto: AGIF

— Essa questão de decisões frequentes retira a segurança que foi aprovada. Recentemente, o Vasco enfrentou problemas. Quando começamos a acreditar que as coisas iriam melhorar, surge mais uma decisão. O empréstimo não alterará o andamento do processo. Ele já foi autorizado no plano de recuperação pelos credores e está registrado. No próximo mês, começam os pagamentos das parcelas. Será que teremos o dinheiro para cumprir os compromissos da recuperação? – completou Henrique.

Caso o agravo não seja aprovado, o clube só receberá os recursos entre os dias 15 e 30, prazo estipulado pela juíza Simone Gastesi Chevrand para que o Vasco apresente um relatório detalhado sobre os gastos e a justificativa para solicitar um novo empréstimo.

— Espero não ser surpreendido nos próximos 15 ou 20 dias. Até lá, desejo que tudo seja resolvido. A informação que temos é que esse dinheiro será crucial para a manutenção do clube. Que o Vasco ou a própria juíza se sensibilizem com a situação. As pessoas costumam focar apenas nas contratações, mas eu me preocupo com o auxiliar de serviços gerais que trabalha aqui, com o roupeiro que recebe entre 2 e 3 mil… O atraso no salário dessas pessoas tem um grande impacto. O Vasco precisa desse dinheiro – afirmou.

São Januário, bandeira do Vasco — Foto: Matheus Lima/VascoSão Januário, bandeira do Vasco — Foto: Matheus Lima/Vasco

Os recursos do empréstimo seriam destinados ao pagamento das entradas nas negociações em andamento, além de quitar a folha salarial e as obrigações da recuperação judicial.

— O Judiciário e o Ministério Público precisam compreender que, muitas vezes, não se trata apenas de questões jurídicas. Há um aspecto humano por trás, de famílias que dependem disso. É preciso pensar no lado humano, em vez de apenas na burocracia. Não se trata de uma única pessoa. São 400 ex-funcionários, além de fornecedores e 300 ou 400 funcionários que necessitam de uma solução.

Mais declarações de Henrique Fragoso

Como está a relação com o clube em relação aos pagamentos?— A comunicação tem sido muito boa. Quando houve o movimento da Recuperação Judicial, fomos consultados, pois fazíamos parte da comissão de credores do RCE que existia na Justiça do Trabalho. Perguntaram como estávamos nos sentindo. A primeira impressão foi um pouco negativa, devido ao deságio de 92%, mas conseguimos negociar até R$ 5 milhões sem deságio. Na Assembleia, tudo foi aprovado.

O Vasco mantém contato para informar sobre os passos da recuperação judicial?— Eu, particularmente, estou ciente porque tenho um representante dentro do clube que nos mantém informados. Se não acompanhar as notícias, ficamos desatualizados. Sempre mantenho diálogo com o jurídico da SAF e do clube.

O bloqueio do empréstimo pode estar relacionado às recentes manifestações do Flamengo?— No futebol, tudo tem um componente político. Futebol é paixão e envolve emoções. Se você está interferindo em uma instituição ou em um viés político dentro dela, isso pode ter grande influência. Muitos clubes enfrentam dificuldades devido a questões internas mais do que externas; eu brinco que é o fogo amigo.

O sentimento é de preocupação?— Pode ser considerado assim. É um momento de apreensão em relação à capacidade de honrar a recuperação judicial e os compromissos assumidos na Assembleia de Credores.

Há alguma definição sobre quanto do dinheiro será utilizado na recuperação judicial?— Não tenho essa informação. O que posso afirmar é que eles contam com esse recurso para cumprir com as obrigações da recuperação judicial.

Fonte: ge


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