Matheus Curopos comanda uma geração do Vasco que começa a se destacar e a se preparar para o time profissional. Campeão brasileiro sub-20 nesta temporada, o treinador acredita que vários jogadores do elenco estão prontos para dar o próximo passo e assumir um papel de protagonismo na equipe principal.
Em entrevista ao ge, Curopos destacou Zuccarello e Ramon Rique como jogadores em evidência e mencionou Andrey como um potencial futuro jogador da Seleção Brasileira. Ele também abordou o trabalho de formação dos jovens, o título inédito do Brasileiro Sub-20, sua trajetória e seus planos para a carreira.
Acredito que todos os atletas que estão hoje no sub-20, principalmente os que foram titulares, estariam capacitados para jogar no profissional. O Zuccarello foi líder de participações em gols durante toda a competição. O Andrey foi artilheiro. O Ramon Rique é um atleta que estava fazendo uma grande competição com a gente e já ascendeu ao profissional.
Sobre Andrey, autor dos dois gols que garantiram o título do Brasileirão sub-20, Curopos fez uma projeção otimista.
Acho que o Andrey tem um potencial gigante. Pode ser um dos grandes atacantes que a gente vai ter futuramente no futebol brasileiro. É um menino extremamente capacitado e trabalhador. Tem um poder de finalização que vi em poucos atletas durante toda a minha carreira, muito acima da média. É jogador de seleção brasileira.
Formação de jogadores
Curopos enfatizou que preparar os jovens para o profissional envolve equilibrar a busca por resultados com o desenvolvimento dos atletas. Ele explicou que a comissão técnica realiza atividades individualizadas, adaptadas às necessidades de cada jogador.
Você tem que preparar o atleta para ele chegar ao profissional da melhor maneira possível. Ele tem que estar bem mentalmente, fisicamente, tecnicamente e taticamente. Tem que entender o que o profissional pode vir a pedir de jogo e o que o sub-20 pede. Acredito que o desafio hoje de todos os treinadores do sub-20 do Campeonato Brasileiro é realmente equilibrar a necessidade do resultado, porque você entra nas competições para ganhar, ser campeão e buscar o título, mas, ao mesmo tempo, a gente também tem que formar.
O que eu traço como estratégia durante toda a minha semana é, além do treino do modelo de jogo, fazer treinos individuais de especialização dos atletas por cada posição, que seria um padrão de desenvolvimento individual. A gente tem a nomenclatura, que seria o PDI, e trabalha em cima de cada atleta, das necessidades que eles têm de forma individual, para evoluí-los de forma mais rápida e colocá-los no profissional com um desenvolvimento mais refinado e completo.
Curopos cita Pep Guardiola e Fernando Diniz entre suas principais referências, além de treinadores com quem trabalhou diretamente, como Felipe Maestro.
Treino de forma exaustiva para que os atletas valorizem muito a bola. Acredito que, quanto mais a gente tem a bola, mais próximo está de ganhar o jogo, porque, se controlo a bola, estou controlando o jogo.
O trabalho com a geração foi coroado nesta temporada com o primeiro título do Campeonato Brasileiro Sub-20 da história do Vasco. Na final, a equipe perdeu o jogo de ida por 1 a 0 para o Palmeiras, em São Januário, e venceu por 2 a 0 na volta.
O sentimento é de muito orgulho, muita satisfação por tudo que a gente construiu e muita gratidão a todos os profissionais, atletas e membros da comissão que estiveram juntos nessa conquista. É a soma de muito trabalho e dedicação.
Mesmo após a derrota no primeiro confronto, Curopos manteve a confiança na virada e afirmou que a decisão estava “totalmente aberta”.
A todo momento a gente acreditava que poderia reverter esse placar por tudo que a o Vasco mostrou durante a competição e, inclusive, no primeiro jogo da final. Tivemos mais posse, mais finalizações e mais chances claras. Para mim, não tinha nada resolvido.
O título também marcou uma mudança de cenário em relação ao início do ano. O Vasco foi eliminado pelo Botafogo-SP na segunda fase da Copinha, e Curopos passou por um período de cobrança. O treinador destaca o respaldo recebido internamente como fator determinante para a continuidade do trabalho.
Acho que tenho que frisar a continuidade do trabalho de um treinador e o quanto ele precisa de tempo para desenvolver esse trabalho dentro de campo. No Vasco, a diretoria acreditou muito nisso e me concedeu esse tempo. Preciso agradecer especialmente ao Felipe Maestro, que acreditou muito no meu trabalho e nessa continuidade.
Da base ao sonho no profissional
Antes de chegar ao Vasco, Curopos percorreu diferentes níveis do futebol. Começou em uma escolinha, trabalhou como preparador físico e passou por clubes como Bangu e Madureira, além de integrar comissões de Felipe Maestro.
Em estruturas menores, chegou a acumular funções que iam além do trabalho como treinador. Hoje, diz que a experiência ajuda a valorizar a estrutura que encontra no Vasco.
Muitas vezes você tem que ser preparador físico, roupeiro, massagista, o cara da água. Desempenha diversas funções. Valorizo muito ter passado por tudo isso porque hoje, no Vasco, com toda a estrutura que a gente tem, consigo valorizar tudo que tenho. Vascaíno desde criança, Curopos conta que frequentava São Januário antes de trabalhar no clube e define a experiência como a realização de um sonho.
Sou muito feliz no Vasco. Todas as vezes que acordo para ir a São Januário trabalhar, me sinto em casa. Frequento São Januário desde pequeno, sempre fui ver jogos do Vasco. Sei o que é ser Vasco e amar o Vasco.
Curopos também falou sobre o desejo de um dia trabalhar como treinador no futebol profissional. Apesar disso, afirma não ter pressa para deixar o sub-20.
Claro que tenho o desejo de ser treinador profissional, mas acho que preciso passar um período no sub-20 para ganhar um pouco mais de experiência. Acredito que essa situação do profissional vai acontecer naturalmente, mas não é algo que eu peça agora. Totalmente preparado. Extremamente preparado. Estou no Vasco, sou funcionário do Vasco e quero ajudar o Vasco. Independentemente da função, vai ser sempre pelo Vasco.
Curopos fez questão ainda de elogiar Pedro Emanuel e destacar a relação do treinador do profissional com as categorias de base.
É um cara que admiro bastante. Desde que chegou, sempre acompanhou bem a nossa base e tem feito essa transição dos atletas da melhor maneira.

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