Novos documentos e depoimentos revelam a atuação da ex-diretora Jurídica e de Compliance da Vasco SAF, Bianca Reis, em relação ao crédito do ex-jogador Max na Recuperação Judicial do clube, levantando questionamentos sobre a validação de um montante de quase R$ 8 milhões.
Em julho de 2025, o Club de Regatas Vasco da Gama e a Vasco SAF apresentaram uma manifestação formal concordando parcialmente com a habilitação do ex-atleta. Max pleiteava inicialmente R$ 9.741.812,61, mas após a exclusão de valores referentes à contribuição previdenciária e ao IRPF, o montante considerado devido foi ajustado para R$ 7.928.522,32. O clube solicitou a inclusão desse valor na Classe I da relação de credores.
O documento foi assinado por Bianca Reis e pelo então CEO Carlos Amodeo. Em depoimento à Polícia Civil, Bianca declarou que a responsabilidade pela análise dos créditos era do setor Financeiro da Vasco SAF, em conjunto com a consultoria Alvarez & Marsal. Segundo ela, a validação e aprovação dos créditos eram de competência do Financeiro e da assessoria financeira contratada, enquanto o Jurídico deveria prestar esclarecimentos técnicos quando solicitado.
O depoimento do CFO Gabriel Souza, que atuou na Alvarez & Marsal e depois como diretor financeiro da Vasco SAF, trouxe um novo elemento à discussão. Gabriel afirmou que não validou a planilha apresentada durante a tentativa de negociação do crédito no primeiro semestre de 2025. Ele relatou que, após consultar o escritório trabalhista do CRVG, IDESES, foi informado de que a ação de Max ainda estava em fase de conhecimento. No entanto, reconheceu que houve uma concordância institucional posterior, afirmando que “equivocadamente, tanto o CRVG quanto a SAF concordaram com os valores apresentados, correspondente a aproximadamente oito milhões de reais”.
A divergência sobre o crédito só foi identificada em abril de 2026, durante o fechamento contábil do CRVG, quando o setor Financeiro do clube detectou um erro na habilitação do crédito. Gabriel citou Carlos Magno como um dos responsáveis pelo Financeiro do CRVG na época e mencionou que, após uma revisão, um novo cálculo apontou aproximadamente R$ 2,5 milhões como valor incontroverso. A partir desse momento, ele e a Alvarez & Marsal perceberam que o crédito era ilíquido.
Os depoimentos revelam uma lacuna sobre a responsabilidade pela validação do crédito. Enquanto Bianca Reis afirma que a conferência e validação eram atribuições do Financeiro da SAF e da Alvarez & Marsal, Gabriel Souza, o CFO, afirma que não validou o valor. Apesar disso, existe um documento assinado por Bianca e Carlos Amodeo que concorda formalmente com o valor de R$ 7.928.522,32 e solicita sua inclusão na Recuperação Judicial.
A questão central permanece: se o Financeiro da SAF não havia validado o valor, por que Bianca Reis, na condição de diretora Jurídica e de Compliance, assinou uma manifestação concordando com um crédito de quase R$ 8 milhões? Além disso, que análise ou validação interna fundamentou a apresentação formal desse valor à Administração Judicial? Até o momento, os depoimentos analisados não esclarecem quem efetivamente validou o cálculo antes da concordância formal do CRVG e da Vasco SAF.
A reportagem também tentou contato com o ex-CEO da Vasco SAF, Carlos Amodeo, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se encontrar algo que viole os termos de uso, denuncie. Consulte também as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.
Acesse sua Conta MeuVasco e participe da conversa
Escolha um GIF
A voz da torcida
0 comentáriosSua opinião pode ser a primeira.