Carlos Leite recorda sua trajetória com Eurico, Dinamite e Campello no Vasco

Carlos Leite relembra sua história com Eurico, Dinamite e Campello, figuras marcantes na trajetória do Vasco.

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Aos 55 anos, Carlos Leite atualmente dedica mais tempo à sua família, incluindo seus três filhos e a esposa Patricia, do que em épocas anteriores. Ele já foi agente de treinadores e de uma lista de jogadores da Seleção, exercendo influência nos principais clubes do Brasil. Embora sua trajetória tenha mudado, ele ainda mantém laços com o mundo do futebol, vindo de uma família que atuava no ramo alimentício e de pneus.

Carlos Leite no Abre Aspas — Foto: André DurãoCarlos Leite no Abre Aspas — Foto: André Durão

Após enfrentar uma crise de pânico que durou três anos, Carlos Leite decidiu buscar ajuda profissional e, em uma entrevista de quase duas horas, compartilha os bastidores do futebol, que incluem desde as relações complicadas entre agentes até as conexões com dirigentes polêmicos.

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Ele reconhece que o cenário atual é dominado por Flamengo e Palmeiras, que atraem tanto atletas quanto intermediários.

Ficha Técnica:

  • Nome: Carlos Alberto Cardoso Leite
  • Idade: 55 anos
  • Profissão: agente Fifa no futebol
  • Alguns jogadores agenciados: Paulinho (Palmeiras), Gabriel Sara (Galatasaray), João Gomes (Wolverhampton), André (Wolverhampton), Anderson Talisca (Fenerbahçe).
  • Principais transferências: Lucas Leiva (para o Liverpool), Douglas Luiz (Manchester City), Talisca (Benfica), Renato Augusto (China), Paulinho (Bayer Leverkusen), João Gomes e André (Wolverhampton), Gerson (Flamengo e Zenit), Cássio (Corinthians e Cruzeiro), Mano Menezes (Seleção), Fágner (Wolfsburg), Léo Lima (Porto).
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Como foi o início dessa trajetória no futebol?

— Minha carreira começou na empresa da minha família, que era um supermercado. Trabalhei lá por dez anos. Depois, aos 24 anos, abri uma loja de pneus e conheci o Léo Lima, que se tornou meu amigo. A partir daí, nossa amizade se fortaleceu, e um dia o convidei para almoçar em minha casa. Ele jogava no clube que eu torcia.

— Durante um desses almoços, ele recebeu uma ligação e, ao atender, disse: “Só um minutinho, fala aqui com o meu empresário.” Eu fiquei surpreso, sem saber o que fazer. Acabei conversando com a pessoa do telefone e marcamos uma reunião. Ele me pediu para ser seu agente, pois tinha tido experiências ruins com outros representantes e confiava em mim. Isso despertou meu interesse em entender mais sobre o mundo do futebol.

Você percebeu que o futebol poderia ser atrativo logo?

— No início, continuei com meu negócio e fui estudando o funcionamento do futebol. Conversei bastante com Rodrigo Pitta, filho do Reinaldo, para entender a dinâmica do setor. Quando percebi que poderia se tornar um grande negócio, decidi vender minhas lojas e me dedicar totalmente ao futebol, buscando um retorno financeiro na profissão.

Agente de jogadores Carlos Leite — Foto: André DurãoAgente de jogadores Carlos Leite — Foto: André Durão

Como foi a reação da família?

— No início, minha família ficou preocupada. Quando informei que venderia as lojas, muitos amigos acharam que eu estava cometendo um erro. Já casado e com uma filha, conversei com minha esposa, que foi fundamental no meu apoio. Minha vida, que era muito organizada, mudou completamente. Ela me apoiou em todos os momentos, o que foi crucial para meu crescimento.

Você tinha o Léo Lima, mas logo teve outros jogadores?

— Após o Léo Lima, comecei a observar jogadores do Vasco. Coincidentemente, quando ele foi vendido, uma semana depois, o Souza (Caveirão) também foi para o mesmo clube na Bulgária, o CSKA, e me procurou para ajudá-lo. Assim, comecei a trabalhar com o Souza e a olhar para a base do clube.

Carlos Leite ao lado de Cristiano Ronaldo. Do lado direito de CR7, Jorge Mendes, antigo parceiro do brasileiro — Foto: Arquivo pessoalCarlos Leite ao lado de Cristiano Ronaldo. Do lado direito de CR7, Jorge Mendes, antigo parceiro do brasileiro — Foto: Arquivo pessoal

— Embora muitos falem sobre os agentes, nosso trabalho também envolve um aspecto social. Muitas vezes, lidamos com jogadores que vêm de comunidades e não têm a menor noção do que é o futebol profissional. É nosso papel orientá-los sobre como lidar com a nova vida, desde questões financeiras até comportamentais. No início, eu fazia isso com frequência.

Como lidar com jogadores em deslumbre?

— É desafiador, pois são jovens que, de repente, têm acesso a tudo. O papel do agente é mostrar o caminho certo, mas isso deve ser feito com paciência. O amadurecimento deles leva tempo, e muitos não compreendem a responsabilidade que vem com o sucesso.

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Já viveu situações inusitadas para ajudar jogadores?

— Já tive que resolver várias situações complicadas, como acidentes de carro ou problemas pessoais. Antigamente, isso era mais comum. Hoje, com a presença das redes sociais, os jogadores têm mais cuidado, pois estão sempre sendo observados. Muitas vezes, precisei sair de madrugada para ajudar.

As redes sociais são um risco, nesse sentido?

— Sim, é necessário ter uma equipe que monitore a presença online dos jogadores. Trouxemos um jornalista para ajudar a gerenciar isso, pois muitos não percebem que suas postagens podem ter consequências. É preciso estar sempre orientando.

A sua empresa começou com o Branco, ex-jogador?

— Sim, quando comecei a trabalhar com o Léo Lima, procurei o Branco, tetracampeão do mundo, que estava fora do futebol. Nos tornamos amigos e, juntos, fundamos a B&C Consultoria. No entanto, ele acabou recebendo um convite para a CBF e não pôde continuar.

Com Carlos Alberto nos tempos de Porto: parceria com Jorge Mendes durou três anos — Foto: ReproduçãoCom Carlos Alberto nos tempos de Porto: parceria com Jorge Mendes durou três anos — Foto: Reprodução

Como surge a relação com o Jorge Mendes, agente do Cristiano?

— Conheci Jorge Mendes ao trabalhar na venda do Léo Lima. Ele se tornou um mentor para mim, e aprendi muito sobre o mundo do futebol com ele. Trabalhei com Mendes entre 2004 e 2006, e depois segui minha carreira solo. Ele foi fundamental na minha formação como agente.

Lembro que numa entrevista ao ge em 2013 você comentava de práticas como presentes que agentes davam a jogadores. Como está isso hoje? É agressiva essa disputa?

— O mercado é competitivo, e cada agente busca seu espaço. Alguns agem de forma ética, outros não. O mercado sul-americano enfrenta problemas estruturais e financeiros. Se não ajudarmos os jogadores, quem fará? A FIFA não compreende as particularidades de cada mercado. É preciso ter limites éticos, mas muitos agentes se aproveitam da situação.

Como é a relação com famílias que participam da gestão de carreira de jogadores?

— A influência dos pais na gestão de carreira aumentou, especialmente após o sucesso do pai do Neymar. No entanto, muitos não conseguem lidar com a pressão e acabam cometendo erros. A emoção pode prejudicar a tomada de decisões racionais. Isso pode afetar a carreira dos jogadores.

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Ainda nesse tema, como foi lidar com Marcão, pai do Gerson?

— A relação com o Marcão é desafiadora. Embora tenhamos uma boa relação, ele busca ser o agente do filho, o que pode complicar as decisões. A saída dele do Flamengo foi conturbada, e eu fui contra a forma como ele conduziu a situação. Tive que intervir para amenizar os problemas. Ele tem boas intenções, mas precisa ouvir mais. Isso poderia evitar conflitos nas negociações.

Você foi contra a saída do Gerson do Flamengo?

— Sim, fui contra a forma como ocorreu. A decisão foi mal conduzida, o que gerou problemas com a diretoria. O Marcão, embora tenha boas intenções, muitas vezes deixa a emoção tomar conta e acaba abrindo mão de oportunidades financeiras em prol do que acredita ser melhor para o Gerson. Ele fez escolhas que, em alguns momentos, não foram as mais acertadas.

Empresário Carlos Leite e Gerson — Foto: Reprodução/InstagramEmpresário Carlos Leite e Gerson — Foto: Reprodução/Instagram

Mas qual é o papel do jogador nessas situações? Ele tem a última palavra?

— O jogador deve sempre ter voz ativa em suas decisões. É fundamental que ele participe do processo, pois a responsabilidade é dele. Muitos agentes costumavam tomar a frente, mas sempre procurei envolver os jogadores nas decisões. Eles precisam entender que as escolhas têm consequências diretas em suas vidas. É importante que eles estejam cientes disso.

Mas nem sempre tem.

— Nem sempre, mas deve ser assim. Um exemplo foi o Renato Augusto, que teve que decidir entre um contrato financeiramente vantajoso na China e a possibilidade de jogar em uma Copa do Mundo. Ele teve que pesar os prós e contras e acabou optando pela China, o que se mostrou uma escolha acertada. Porém, nem sempre é fácil conciliar o lado esportivo e financeiro. Isso varia conforme a fase da carreira do jogador.

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O crime organizado no futebol

Você falou de um exemplo de sucesso, mas recentemente um jogador que você representou, o Daniel Pessoa, ex-Vasco, foi assassinado. Como soube disso?

— A história do Daniel é muito triste. Ele veio para o Rio de Janeiro sem pai nem mãe e, embora tenhamos dado suporte, ele se envolveu com drogas desde cedo. Tentamos ajudá-lo, mas enfrentamos muitas dificuldades. Infelizmente, ele não conseguiu se afastar desse caminho.

Daniel Pessoa, ex-Vasco, foi assassinado no Rio. Ele foi agenciado por Carlos Leite — Foto: ReproduçãoDaniel Pessoa, ex-Vasco, foi assassinado no Rio. Ele foi agenciado por Carlos Leite — Foto: Reprodução

Têm a ver também com a frustração na carreira?

— Acredito que o contexto social influencia muito. O Brasil enfrenta desafios enormes, e muitos jovens acabam se perdendo no caminho. O futebol não é diferente, e a exposição pública pode agravar a situação. Infelizmente, o meio pode ser cruel.

Tem bastante notícia de facções criminosas entrando no mercado de agenciamento. Já se deparou com algum caso? Tem receio?

— É preciso ter cuidado, mas é um problema que afeta o Brasil como um todo. Muitas vezes, pessoas se aproveitam da situação para se mostrar fortes, mas não necessariamente pertencem a facções. Se houver qualquer tipo de disputa, não entrarei. Ninguém quer problemas. É fundamental manter uma linha reta nas decisões.

Esse assédio por apostas também tem sido desafio para os agentes?

— Sim, tentamos orientar os jogadores sobre os riscos. Mostramos exemplos de consequências negativas e tentamos afastá-los desse caminho. A responsabilidade é deles, e é nosso dever alertá-los.

Essa bolha das apostas inflou muito os valores do mercado de jogadores?

— Se um clube tem um faturamento maior, naturalmente isso se reflete nos valores dos jogadores. O Flamengo, por exemplo, tem um dos maiores faturamentos do país. O mercado está em constante evolução, e a escassez de jogadores qualificados também contribui para o aumento dos valores. Jogadores que deveriam ganhar menos acabam recebendo mais. Isso é uma consequência do cenário atual.

Esse domínio de Flamengo e Palmeiras tem reflexo no mercado?

— O mercado é vasto, e Flamengo e Palmeiras estão se destacando por seus trabalhos consistentes. Ambos investiram em suas estruturas e, como resultado, estão colhendo os frutos. A tendência é que outros clubes se esforcem para alcançar esse nível, mas a diferença é significativa. Clubes que não se adaptarem podem ficar para trás.

Carlos Leite no Abre Aspas — Foto: André DurãoCarlos Leite no Abre Aspas — Foto: André Durão

— Hoje, negociar com Flamengo e Palmeiras é atraente não apenas financeiramente, mas também pela organização e potencial esportivo. Jogadores sabem que, ao se destacarem nesses clubes, suas carreiras e valores aumentam. Isso é um ciclo natural no futebol.

A associação de agentes processa o Botafogo de John Textor de calotes em comissões. Você tem a receber do Botafogo?

— Não, não fiz negócios com o Botafogo.

Você já conhecia a fama do Textor?

— Cada um tem sua forma de trabalhar. O dinheiro não é o principal motivador para mim. Com tantos clubes no Brasil, posso escolher com quem trabalhar. Não vou me associar a alguém em quem não confio. Porém, se um jogador meu quiser ir para o Botafogo, terei que negociar. É o desejo do jogador que prevalece.

— A situação do Botafogo não é surpreendente. A lei das SAFs precisa de uma análise mais crítica, pois muitos clubes estão enfrentando dificuldades financeiras após a entrada de novos investidores. É necessário um controle mais rigoroso para evitar que isso aconteça. O Vasco também passou por situações semelhantes. É preciso garantir que as pessoas que entram nos clubes cumpram suas obrigações.

Você esteve naquela reunião da recuperação judicial do Vasco. Você aprovou?

— Em um determinado ponto, não havia muito o que fazer. A aprovação foi necessária. Muitos agentes enfrentam dificuldades financeiras, e a situação é complicada para quem tem poucos jogadores. A recuperação judicial é uma realidade que afeta muitos clubes. É preciso ter cuidado e responsabilidade.

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— O agente não tem controle total sobre as decisões. Muitas vezes, somos responsabilizados por situações que não podemos controlar. É importante que as pessoas entendam que a responsabilidade final é do clube e do jogador. Precisamos rever certos conceitos sobre o papel dos agentes no futebol.

Você é conhecido também por ajudar alguns clubes. A chegada das SAFs mudou isso ou continua um cenário parecido nesse sentido?

— A chegada das SAFs trouxe melhorias em alguns aspectos, especialmente em relação aos valores que os clubes estão arrecadando. No entanto, a necessidade de ajuda financeira por parte dos agentes diminuiu. Muitos clubes não recorrem mais a nós para resolver problemas financeiros. Isso é um sinal de que a situação está mudando.

— No passado, os agentes muitas vezes precisavam ajudar os clubes a viajar ou a pagar salários atrasados. Hoje, a situação é diferente, e os clubes estão começando a se estabilizar financeiramente. Isso é um bom sinal para o futuro do futebol.

Por que?

— Porque muitos clubes enfrentavam dificuldades financeiras e precisavam de ajuda para operar. Eu já passei por situações em que precisei emprestar dinheiro para garantir que um clube pudesse jogar. No caso do Paulinho, por exemplo, enfrentei muitos desafios para ajudar o Vasco. O clube estava com salários atrasados, e eu precisei intervir para evitar que o jogador pedisse rescisão. Isso gerou muitos problemas para mim, mas fiz isso porque acreditava na família do Paulinho e na sua carreira.

— O que muitos não veem é que essa ajuda muitas vezes é invisível. A paixão pelo clube e a vontade de ver os jogadores prosperarem nos motivam a agir. Mas é importante que a situação melhore para que os agentes não precisem mais atuar como bancos.

Paulinho marca para o Palmeiras e provoca torcida do Flamengo: jogador é representado por Carlos Leite — Foto: André DurãoPaulinho marca para o Palmeiras e provoca torcida do Flamengo: jogador é representado por Carlos Leite — Foto: André Durão

Você refere-se à época do Alexandre Campelo, no Vasco. Politicamente, você teve problemas?

— Sim, enfrentei algumas dificuldades. Cheguei a ser chamado para prestar depoimento em uma delegacia devido a conflitos políticos no clube. Nunca havia passado por isso antes. Fui ameaçado de quebra de sigilo, mas provei que não havia nada de errado nas minhas ações. É melhor negociar com clubes que estão financeiramente estáveis. Isso facilita o trabalho e evita problemas.

— Não quero passar por situações complicadas. Meu trabalho é garantir que os clubes e jogadores cumpram suas obrigações. Tenho uma relação aberta com todos os clubes, e isso é importante para o meu trabalho. Não quero misturar as coisas, e a política no futebol pode ser complicada.

Ainda tem dinheiro emprestado?

— Graças a Deus, não. Isso ficou no passado. Não tenho mais esse tipo de compromisso. O que muitos não entendem é que as dívidas com agentes muitas vezes se acumulam ao longo do tempo. É uma situação complexa, mas hoje estou em uma posição mais estável.

Nem no Corinthians?

— Não, não tenho dinheiro emprestado ao Corinthians. O que existe são comissões que estão pendentes, mas isso é uma situação comum no futebol. Muitas vezes, as dívidas se acumulam e se tornam uma bola de neve. É uma realidade que muitos clubes enfrentam.

Alguém vai falar: “mas quando era o Andrés e o Duílio você não cobrava”. Já ouviu?

— Sim, já ouvi. A relação que eu tinha com o clube era baseada na confiança. Durante as gestões anteriores, a falta de pagamento era compreensível, mas sempre havia um diálogo. Quando um novo presidente entrou e não se comunicou, a situação mudou. Tive que entrar com uma ação para receber o que era devido. Isso é parte do negócio, mas é frustrante.

“Paulinho é muito forte mentalmente”

A gente falou do Paulinho. Como foi esse período dele longe do futebol?

— O Paulinho é um jogador muito focado e profissional. Ele se recuperou de uma lesão e teve o apoio do Palmeiras durante todo o processo. A decisão de jogar o Mundial foi consensual, mas acabou prejudicando sua recuperação. Ele tem uma boa relação com o clube e está sempre se dedicando.

Ele chegou a fazer um post no Palmeiras com a família no réveillon e foi atacado.

— Isso acontece, é normal no futebol. A paixão dos torcedores pode gerar reações intensas. O Paulinho é forte mentalmente e sabe lidar com isso. Ele se dedica muito e está ciente de que essas frustrações fazem parte da carreira de um jogador.

Você foi empresário do Mano Menezes quando ele foi da Seleção. O que se lembra da saída dele?

— A saída dele foi mais política do que esportiva. Mudanças na presidência da CBF influenciaram essa decisão. Mano estava começando a encontrar o caminho certo com a equipe, mas a política acabou interferindo. A saída dele foi uma decisão que envolveu muitos fatores externos.

Como foi aquela negociação ali com o Ricardo Teixeira?

— Não houve negociação formal. Ricardo Teixeira não costumava se reunir com agentes. A escolha do Mano foi rápida, mas a falta de comunicação gerou confusão. Fui chamado para intermediar a situação, mas tudo foi muito tumultuado. No final, Mano aceitou o convite sem discutir valores, pois ir para a Seleção é uma honra.

Você voltou a trabalhar com treinadores?

— Trabalhei com outros treinadores, mas não da mesma forma que com o Mano. A relação era mais próxima, mas não cheguei a ser o agente dele. Tive uma boa relação com Dorival Júnior quando ele esteve no Vasco. Tentei levá-lo para o Flamengo, mas não conseguimos na época. Ele sempre teve meu respeito e admiração.

Você deu um gancho: passou pela sua cabeça em um momento ser presidente do Vasco?

— Sim, em um momento pensei sobre isso, mas percebi que meu lugar era do outro lado. Não é fácil misturar as funções. Em 2009, me envolvi muito com o clube, mas percebi que ser presidente não era o meu caminho.

Como foi que você brigou e depois virou amigo do Eurico?

— Tive um desentendimento com Eurico em um jogo, mas depois de um tempo, conseguimos nos reconciliar. Através de um jantar, esclareci minha posição e ele também. A partir daí, nossa relação se tornou muito interessante. Aprendi muito com ele, especialmente sobre a história do futebol brasileiro. Ele foi uma figura importante na construção do que temos hoje.

Você fez que tipo de coisa?

— Durante momentos difíceis, ajudei o Vasco de várias formas. Muitas vezes, fui o garantidor de operações financeiras, permitindo que o clube pudesse operar. Isso foi feito com total transparência e dentro da legalidade. Sempre busquei ajudar o clube a se manter em funcionamento.

Esse tipo de operação você fez em outro clube?

— Não, foi algo específico com o Vasco. A situação exigiu uma abordagem diferente devido ao contexto em que o clube se encontrava. A relação com Eurico me motivou a ajudar ainda mais.

Interferência em escalação? “Isso é propaganda para a gente”

Você ajudou também com jogadores nesses clubes?

— Sim, trabalhei ativamente com o Vasco em 2009, ajudando a montar a equipe. O futebol é um negócio complexo, e muitas vezes as pessoas não veem o lado positivo do nosso trabalho. Sempre procurei agir de forma ética e transparente. Nunca houve interferência nas decisões dos treinadores. Isso é uma narrativa que muitos criam, mas não corresponde à realidade.

O Douglas Luiz não trabalha mais contigo?

— Não, atualmente ele está com outro agente. Ele decidiu mudar de representante durante a pandemia. Fiquei surpreso, mas mantenho uma boa relação com ele e sua família. Isso faz parte do nosso trabalho, e é importante respeitar as decisões dos jogadores.

Carlos Leite elogia, mas diz que Giuliano Bertolucci teria que ter 'um pouquinho mais de respeito' por contratos de atletas — Foto: ReproduçãoCarlos Leite elogia, mas diz que Giuliano Bertolucci teria que ter ‘um pouquinho mais de respeito’ por contratos de atletas — Foto: Reprodução

Foi um momento de tensão entre você e o Giuliano Bertolucci. Um arranca-rabo?

— Sim, é normal que haja desentendimentos no meio. Isso faz parte do dia a dia. Eu encaro isso com naturalidade, embora não goste de conflitos. O respeito deve prevalecer, e é importante que todos cumpram os contratos. A vida segue, e não guardo rancor. O futebol é um ambiente dinâmico, e as relações podem mudar rapidamente.

Como é que a história que você não viajar mais de avião?

— Tive uma crise de pânico que me impediu de voar por três anos. Busquei tratamento e consegui superar essa fase. O estresse do dia a dia pode afetar qualquer um, e é importante cuidar da saúde mental. Hoje, viajo novamente e agradeço à minha equipe pelo suporte durante esse período.

Quais foram as transferências mais marcantes da sua vida?

— As transferências iniciais foram as mais significativas para mim, como a do Anderson, do Grêmio para o Porto. Foi uma negociação complexa que envolveu questões legais, mas que acabou sendo bem-sucedida. Essa experiência me marcou muito.

O Anderson é um dos casos de jogador que poderia ter sido maior?

— Sim, o Anderson teve um início promissor, mas uma lesão no Porto afetou sua carreira. Ele conquistou títulos, mas nunca recuperou a mesma forma que tinha antes da lesão. É um exemplo de como o futebol pode ser imprevisível.

Sorrindo, atrás do trófeu à esquerda, Carlos teve relação próxima ao Vasco toda a vida — Foto: ReproduçãoSorrindo, atrás do troféu à esquerda, Carlos teve relação próxima ao Vasco toda a vida — Foto: Reprodução

Para encerrar: que jogador você gostaria de ter trabalhado?

— O jogador que mais admiro é o Romário. Ele foi um fenômeno e sempre foi uma figura marcante no futebol. Se tivesse tido a oportunidade de trabalhar com ele, teria sido uma grande honra. Ele representa tudo que um jogador pode ser, tanto dentro quanto fora de campo. Sou fã do que ele conquistou e do que representa na política hoje. Sair de uma comunidade e conquistar o mundo é inspirador.

— Tenho uma boa relação com ele e uma admiração enorme. O Romário é um exemplo de superação e sucesso. Ele é um ícone do futebol brasileiro e merece todo o respeito.
Fonte: ge


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