Embora tenham aprovado em maioria a redução do número de jogadores estrangeiros no Brasil, representantes de clubes da Série A manifestaram ressalvas em relação à medida da CBF. Flamengo e Bahia, que votaram contra a proposta, acreditam que a decisão resultará em um aumento nos custos dos jogadores brasileiros, dificultando as contratações na janela do meio do ano.
Flamengo e Bahia tentaram, ainda, a aprovação do fim do limite de jogos para negociações entre as equipes no mercado nacional, mas essa pauta foi adiada. A CBF, por sua vez, defende que a diminuição do número de estrangeiros visa abrir espaço para a formação de jogadores da base e fortalecer a cadeia do futebol brasileiro.
A implementação da medida será gradual até 2030, quando a CBF planeja renegociar os direitos dos clubes em uma futura liga que pretende organizar. Os clubes, no entanto, temem que o produto resultante dessa liga fique desvalorizado. Mesmo o Palmeiras, que votou a favor da redução e possui um bom trabalho de base, expressou preocupações, com dirigentes sugerindo que a CBF deveria focar na qualificação dos treinadores.
O Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ) apoia a ampliação da medida, propondo a proibição de atletas estrangeiros nas categorias de base e nas Séries C e D. No mercado da bola, empresários também demonstraram ceticismo em relação às mudanças, embora a CBF tenha utilizado dados do futebol brasileiro e internacional para justificar sua decisão.
Críticos da medida apontam que ligas como a espanhola, atual campeã do mundo, adotam uma política que limita a inscrição de jogadores extracomunitários a três, enquanto não há restrições para jogadores dentro da União Europeia.
Evolução ao longo dos anos
A evolução do limite de estrangeiros no Brasil acompanha uma ampliação gradual nas últimas décadas. Em 2013, era permitido que três estrangeiros fossem relacionados por partida nas competições nacionais, número que aumentou para cinco em 2014 e se manteve até 2022. A partir de 2023, o limite subiu para sete e, em 2024, chegou a nove, patamar que se mantém atualmente.
Durante esse período, a presença de jogadores estrangeiros em campo também cresceu. Na Série A, 95 estrangeiros participaram de jogos em 2022; em 2025, esse número subiu para 162, e em 2026, até o momento do levantamento, 146 já haviam sido utilizados, com outros 13 inscritos e prontos para estrear.
A nova iniciativa prevê que o número máximo de estrangeiros por jogo, atualmente em nove, diminua gradativamente até cinco em 2030, retornando ao nível de 2022. O cronograma estabelece limites de oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. A média de estrangeiros por jogo na Série A é de 5,4, segundo análise de 219 partidas.
A proposta para a lista de inscritos também prevê mudanças até 2030, mantendo o limite total de 50 atletas por clube. A lista será dividida em dois grupos: a Lista A, destinada ao elenco principal com limite para jogadores acima de 23 anos, e a Lista B, composta por atletas Sub-23, sem exigência de formação no clube. Em 2027, a divisão será de 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B, com essa proporção mudando gradualmente até 2030.

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