O Vasco associativo enfrenta uma situação delicada em relação ao investidor Almirante S/A, de Marcos Lamacchia, devido às condições do acordo para a venda da SAF. Conselheiros de oposição analisaram o contrato de investimento e expressaram preocupações, especialmente pelo fato de que os documentos foram disponibilizados apenas na véspera da votação, o que levou à rejeição de pedidos de adiamento. O presidente do Vasco, Pedrinho, tem defendido a parceria e as promessas de grandes investimentos na SAF. O Conselho Deliberativo do clube se reunirá nesta terça-feira para decidir sobre a aprovação do negócio, que já passou por leilão judicial, e sobre mudanças estatutárias que facilitem a venda.
De acordo com as condições do acordo, a Almirante S/A adquirirá 90% das ações da SAF do Vasco, um percentual superior ao que a antiga proprietária, 777, detinha, que era de 30%. Em contrapartida, a empresa se compromete a investir R$ 500 milhões no futebol em um período de cinco anos, além de construir um centro de treinamento moderno, cobrir déficits acumulados e assumir uma dívida de R$ 1,5 bilhão.
Os conselheiros questionaram vários pontos do acordo. Um deles é a proposta de alteração do estatuto do clube, que permitiria a participação de um conselheiro do Vasco no Conselho de Administração da SAF, escolhido pelo investidor. Essa situação é vista como uma forma de limitar a fiscalização do clube, já que o conselheiro estaria alinhado aos interesses da Almirante. Em contrapartida, a Almirante argumenta que a intenção é evitar a interferência política na gestão da SAF.
Outro ponto levantado é que o valor de R$ 500 milhões não possui datas específicas para os aportes, o que pode dificultar o controle financeiro do clube. A Almirante, por sua vez, afirma que apenas o segundo empréstimo de R$ 40 milhões será descontado do total, reduzindo o investimento para R$ 460 milhões.
Além disso, a participação do Vasco na nova SAF será reduzida para 10%, o mínimo previsto em lei, o que gerou críticas de conselheiros que acreditam que o clube deveria ser compensado pela venda de 20%. A Almirante defende que o valor total do acordo é justo, considerando os investimentos e a assunção de dívidas.
Os conselheiros também expressaram preocupações sobre o contrato de uso do estádio de São Januário, que é válido apenas até 2030, e questionaram a falta de um prazo mais longo. A marca do clube será cedida integralmente à nova SAF, o que significa que o Vasco não receberá royalties, algo que é comum em processos de SAFs, mas que em alguns casos inclui compensações ao clube.
Por fim, a questão do acesso a ingressos para sócios proprietários foi levantada, com conselheiros alertando que isso poderia impactar negativamente a arrecadação do clube, especialmente após uma recente migração de sócios-torcedores para sócios proprietários. A situação foi ainda mais complicada por problemas técnicos no site do clube, que interrompeu novas adesões.
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