No Paysandu, ele era conhecido como Edil Carrasco. No Remo, ganhou o apelido de Edil Braddock. Já no Castanhal, ficou eternamente marcado como Edil Highlander.
— Apenas quatro jogadores no Brasil têm mil gols: Pelé, Romário, Túlio Maravilha e Edil Highlander — afirmou o ex-atacante.
Independentemente do nome, Edil é uma verdadeira lenda do futebol paraense. Mas qual é o clube que ocupa o coração de Edilberto Melo de Oliveira? Ele revela que ama o Paysandu, o Remo e o Vasco. O ex-atacante vestiu a camisa do clube de São Januário entre 1991 e 1992, período que foi suficiente para conquistar a admiração de Highlander.
— O amor da minha vida é a Patra (esposa de Edil). Mas tenho três clubes no meu coração: Paysandu, Remo e Vasco. Sempre digo que sou vascaíno. Comecei minha carreira no Paysandu, sou Remo, mas o torcedor paraense não aceita isso. Meu coração é dividido entre esses três clubes. Minha esposa é a maior de todos. Desde o início, viajei com ela pelo mundo, e ela sempre me apoiou — declarou o romântico Edil.
O ge visitou a casa de Edil Highlander, em Belém, no Pará, na véspera do jogo entre Paysandu e Vasco, que ocorrerá nesta terça-feira, às 21h30, em partida válida pela quinta fase da Copa do Brasil. Os troféus, pôsteres e prêmios de artilharia são testemunhas de sua trajetória no futebol paraense, que se estendeu por outros clubes do Norte e Nordeste do Brasil, incluindo uma passagem pela Libertadores na Venezuela.
Edil Highlander, lenda do futebol paraense e ex-atacante do Vasco — Foto: Bruno Murito/ge
Por que Highlander? Ou Braddock? Ou Carrasco? Edil responde.
— No Paysandu, eu era chamado de Carrasco porque minha estreia foi em um clássico, e eu sempre marcava gols no Remo. A torcida me deu esse apelido. Minha mãe me deu um capuz antes da decisão de 87. Fui para o jogo com o capuz na cueca, e fomos campeões no Mangueirão com um gol meu. Na comemoração, puxei o capuz, e o nome pegou.
— Quando fui para o Remo, um repórter brincava ao chamar o estádio do Remo de “Comando Delta azulino”. Então, lembrei do Chuck Norris e pensei em Braddock. O apelido também pegou. Eu comemorava com armas imaginárias, granadas, bombas… em um jogo contra o Tiradentes, fiz seis gols, foi 10 a 0. Não havia mais armas imaginárias para comemorar. Até jogaram uma vassoura para eu comemorar.
Relógios de Edil Highlander, lenda do futebol paraense e ex-atacante do Vasco — Foto: Bruno Murito
O apelido que o acompanha até hoje surgiu no Cascavel Esporte Clube. Edil chegou ao time machucado em 2000, e os jogadores já o conheciam do Paysandu. Na estreia, a equipe venceu por 3 a 2, e ele marcou dois gols, comemorando “cortando” as pessoas como se tivesse uma espada, assim como o personagem Highlander. Sua força voltava com as comemorações. Quando ele fazia um gol, os jogadores caíam no chão simulando que haviam sido atacados.
— Hoje tenho uma marca de roupa com o nome Highlander, é minha marca. O Guerreiro Imortal, ou Goleador Imortal. A espada eu ganhei do doutor Paulo Jussara, um amigo que foi ao vestiário e me deu a espada de presente pelas comemorações. Ele queria que eu entrasse em campo com ela, mas eu seria expulso. Guardo até hoje com muito orgulho.
Edil Highlander, lenda do futebol paraense e ex-atacante do Vasco — Foto: Bruno Murito
Passagem no Vasco
Edil foi contratado pelo Vasco em 1991, após chamar a atenção de Antônio Lopes em uma eliminatória da Copa do Brasil, quando o Remo eliminou o time carioca meses antes. Segundo Edil, o treinador se impressionou com seu estilo de jogo e pediu sua contratação, que foi aceita imediatamente.
— Fizemos um jogo da Copa do Brasil, Remo x Vasco, e nós eliminamos o Vasco. O treinador Antônio Lopes gostou muito do meu estilo de jogo, disse que parecia com o Roberto Dinamite e pediu a minha contratação. Imediatamente eu fui para o Vasco. Encontrei grandes jogadores como Germano, Bebeto, França, William, Jorge Luis, Geovani… tive a honra de jogar ao lado deles.
Apesar das dificuldades, Edil se mostra satisfeito com a trajetória que construiu em São Januário.
— Cheguei do Norte como artilheiro, e sabia que teria desafios em um time com mais pressão, jogando ao lado de grandes jogadores com passagens pela Seleção. Tive a felicidade de jogar com eles.
— Foi uma conquista e um feito muito grandes. Isso levo para o meu coração. Jogar em um grande clube do Brasil, que é o que é, me enche de orgulho. Pai Santana me dava muito esporro… mas muita moral. Bebeto me apoiava. Antônio Lopes também. Tive um amigo, Carlos Barbosa, torcedor fanático do Vasco, que me acolheu e se tornou um irmão para mim.
Vasco em 1991 com Edil Highlander — Foto: Arquivo
O atacante mencionou a parceria que formou com Bebeto no ataque vascaíno. Segundo Edil, o tetracampeão pediu para que ele permanecesse mais tempo no clube, pois seu estilo de jogo o beneficiava, mesmo que não tenha marcado muitos gols no Vasco.
— Bebeto era um jogador diferenciado. Jogar ao lado de craques é fácil. Toque de bola, finalização, cobrança de falta… tudo. Conversávamos muito e dividíamos quarto na concentração. Ele dizia: “Eu preciso jogar, tenho me machucado muito, vim do Flamengo… cheguei ao Vasco”. Quando cheguei, comecei a fazer pivô para ele, e deu certo. Porém, minhas bolas não estavam entrando. E a torcida do Vasco é exigente.
— Tinha muitos jogadores talentosos chegando, como Mauricinho, Sorato, que também eram diferenciados. Eu saí, outro entrou… era um alto nível. Eu precisava fazer gols para permanecer. Tive a felicidade de ajudar com passes, raça, carrinho. Em time grande, é necessário dar o máximo. Dediquei-me bastante a esse clube, que hoje está no meu coração.
Mil gols
Edil não teve dificuldades para marcar gols em sua carreira, especialmente no futebol paraense. Ele é um dos maiores artilheiros da história do Paysandu e também do clássico Re-Pa. Em suas contas, o atacante alcançou a marca de 1.000 gols em um jogo festivo entre ex-jogadores do clássico Re-Pa, marcando um gol com a camisa do Paysandu e outro com a camisa do Remo na mesma partida.
— Esta bola aqui é a do meu milésimo gol. Continuei jogando em Másters e em jogos do interior mesmo após parar no futebol profissional. Meu milésimo gol foi no Mangueirão, no Re-Pa, onde levei as maiores feras do futebol paraense. Fiz o gol com a camisa do Paysandu e depois outro gol no mesmo jogo com a camisa do Remo.
— Esta bola é histórica, não tem dinheiro que pague. O valor dela é emocional. Se me oferecerem um milhão por esta bola, eu não venderia. Não tem preço. Ficará eternamente guardada.
Edil Highlander, lenda do futebol paraense e ex-atacante do Vasco — Foto: Arquivo pessoal
Edil também teve uma passagem pelo futebol venezuelano, onde se destacou como artilheiro e bicampeão nacional, além de ter jogado duas edições da Libertadores pelo Marítimo. Ele também atuou em clubes do Norte e Nordeste, além do Espinho, de Portugal.
O atacante relembrou uma situação em que brincou com um repórter sobre a comemoração de Highlander, fazendo o gesto do golpe de espada. Ao contrário dos companheiros de equipe, o jornalista não caiu no chão para entrar na brincadeira.
— Eu fazia o gol, comemorava, e os jogadores caíam brincando. Fui fazer isso com o repórter, e ele não caiu. Pedi: “cai, cara”, e ele não caiu. Fui lá e dei uma banda nele. Aí ele caiu — riu Highlander.
Durante a reportagem, não perguntamos para quem Edil torceria entre Paysandu e Vasco. Com seu bom humor, ele não deixou passar em branco. Assim, o repórter que vos escreve também não levou uma rasteira. Melhor para todos.
— Ainda bem que você não me perguntou para quem eu vou torcer nesta terça-feira. Queria os dois classificados — brincou Edil.
Fonte: ge
Edil Highlander, lenda do futebol paraense e ex-atacante do Vasco, ao lado de Bebeto e Geovani — Foto: Arquivo pessoal
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