Segundo o treinador, a equipe se desestabilizou após o primeiro gol. Emanuel enfatizou a importância do aspecto psicológico, além de reconhecer a dificuldade em marcar gols. O Vasco teve mais uma partida em que criou oportunidades, mas não conseguiu convertê-las.
— Tivemos dois jogos. Um até levarmos o primeiro gol, sabíamos que enfrentar o Santos seria desafiador. Nos preparamos para ter a posse de bola e evitar contra-ataques, o que conseguimos até o primeiro gol. A diferença está na eficácia. Criamos chances, mas não conseguimos finalizar. É preocupante para nós, pois não marcamos há três jogos. Criamos muitas oportunidades que poderiam ter nos dado conforto, mas acabamos permitindo que o Santos se sentisse à vontade. O jogo pode se transformar em um paraíso ou um pesadelo – afirmou.
— Fizemos tudo até o primeiro gol para alcançar a vitória, mas não obtivemos sucesso. Todos nós ficamos desiludidos com o resultado. Estávamos evoluindo, mas não conseguimos manter o nível de jogo por 90 minutos. Perdemos para um adversário direto, que teve a melhor oportunidade no primeiro tempo. A derrota por 3 a 0 é pesada e, embora o dia de hoje seja sombrio, amanhã será um novo dia. Acreditei que hoje seria o dia da virada, estou decepcionado. Não podemos nos abater após um gol aos 70 minutos. Isso é um fator mental; o futebol não é apenas tático e físico – completou.
Pedro Emanuel em Vasco x Santos — Foto: André Durão/ge
O treinador avaliou que o Vasco teve participação no ataque, mas falhou na finalização. A equipe finalizou 19 vezes, a terceira maior marca desde a chegada de Pedro Emanuel, mas apenas três chutes foram no alvo. O Santos, por sua vez, deu 11 chutes, o suficiente para garantir a vitória.
— Após o primeiro gol, colocamos o Santos em uma posição confortável. Isso nos expôs. Poderíamos ter perdido de outra forma, mas o 3 a 0 foi um resultado duro demais para a realidade do jogo. O Santos teve uma ou duas chances no primeiro tempo que poderiam ter se concretizado. Sabíamos da qualidade do Santos, especialmente no ataque, e tentamos evitar isso. Conseguimos não sofrer gols no primeiro tempo e tivemos oportunidades no início do segundo, mas sofremos um gol que poderia ter sido evitado – analisou.
Mais declarações de Pedro Emanuel
Problemas ofensivos do Vasco
— Normalmente, analisamos o jogo de forma geral. Até o momento em que sofremos o gol, estávamos claramente dominando. As substituições que fiz foram para injetar energia e dar mais profundidade, empurrando o Santos para trás, mesmo tendo criado algumas chances logo no início. Lembro do Tchê Tchê e do Robert com um cruzamento.
— Contudo, não conseguimos ser eficazes. Isso só se resolve com trabalho. Nem ontem achava que éramos a melhor equipe do mundo, nem hoje considero que somos a pior. Sabemos qual é nosso caminho e que esses tropeços são difíceis. Estou sentindo o mesmo que a torcida ao sair do estádio. Acredito que fizemos o suficiente, mas o resultado é muito penalizador. É a realidade, e precisamos seguir em frente.
Pretende usar garotos da base no ataque?
— Reconhecemos a qualidade da base, mas não quero apressar as coisas. Quero promover a base, oferecendo oportunidades nos momentos certos. Acredito que há qualidade ali. Alguns jogadores treinam conosco e são promissores. Não são apenas o futuro, mas também o presente do Vasco. O jogo de hoje era específico, e um revés, como o gol do Santos, altera o comportamento da equipe. Tínhamos tempo para mudar o rumo da partida, e vamos melhorar nisso. O primeiro gol foi um golpe duro para nós. Estávamos confortáveis, e o excesso de confiança pode ser prejudicial no futebol.
Lesão de Jair
— Infelizmente, ele sentiu um desconforto devido à sequência de jogos. Acredito que não seja nada sério, foi mais por precaução. Após o tempo que ele ficou parado, é melhor não arriscar. Ele tem grande influência na equipe.
Estreias de Sosa e Colidio
— Sosa é um jogador novo, teve apenas quatro ou cinco treinos conosco, o que é pouco para se integrar. Poderia ter optado por Barros, mas escolhi Santiago pela necessidade de qualidade na posse. Barros teve um bom desempenho na quinta-feira (Sul-Americana) e poderia ser um bom complemento caso estivéssemos em vantagem. Hoje foi uma grande lição. Estamos atravessando um momento difícil, mas precisamos corrigir o que for necessário e nos reerguer.
Entrada de Marino
— A ideia da entrada de Marino e da tripla substituição, que se tornou dupla devido à saída do Piton, era dar mais profundidade ao nosso jogo e ter uma presença mais agressiva na área, como a de David. Precisávamos de jogadores rápidos e potentes para criar desequilíbrios. Marino tem essas características. Ele não tem passado por bons momentos, mas observei jogos anteriores dele e acreditava que poderia acrescentar à equipe.
— É difícil para um jogador que entra e, logo após, sofremos um gol. Isso altera o estado emocional da equipe. Poderíamos ter escolhido Adson, que tem se destacado, mas ele é mais técnico e não ataca tanto a profundidade. O Santos se fechou bem, acumulando jogadores e dificultando a criação de jogadas pelos corredores laterais.
Recado para a torcida
— Quero agradecer aos torcedores que estiveram aqui. É incrível viver o futebol dessa maneira. Entendo a desilusão deles; eu também queria proporcionar alegria, mas hoje não foi possível. Sei que no próximo jogo eles estarão aqui para nos apoiar. É difícil, mas faz parte do processo. Sou resiliente e acredito no trabalho em equipe, que é o que precisamos fazer para sermos fortes.
Vai poupar na Sul-Americana?
— Estamos tentando manter a equipe fresca para cada jogo. A ideia é ter um time descansado. Teremos um jogo na quinta-feira. Hoje fiz o nono jogo em um mês, e essa sequência é pesada. A parte física influencia a parte mental. Vamos buscar ser competitivos contra o Olimpia para garantir a classificação.
Ausência de Paulinho
— Ele tem sentido dores no adutor há duas semanas e estamos optando por não utilizá-lo até que se recupere completamente. Ele voltou a treinar há dois dias, mas ainda não está em condições de jogar. Ele chegou ao clube ao mesmo tempo que eu e ainda precisa entender melhor nossa dinâmica de jogo, o que só acontecerá com os treinos. Infelizmente, esse contratempo surgiu.
Dificuldade de pressão do Vasco
— A qualidade do adversário também é um fator importante. Contudo, tivemos 23 recuperações no campo ofensivo, o que é um bom número. Porém, o que fica na memória são os últimos 20 minutos, quando o Santos teve mais posse de bola e nossa pressão não estava coordenada, pois estávamos emocionalmente abalados. Isso eu reconheço.
Fonte: ge
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