Felipe Carregal em entrevista coletiva no Vasco — Foto: Bruno Murito/ge
Carregal destacou que os representantes de Marcos Lamacchia não estavam dispostos a garantir ao Vasco uma cadeira no futuro conselho de administração da SAF, nem no conselho fiscal. Além disso, manifestou preocupação com a ausência de uma cláusula de correção monetária no contrato.
Ele explicou que o acordo previa aportes de R$ 100 milhões anualmente, totalizando R$ 500 milhões em cinco anos. Para Carregal, a falta de correção monetária significaria que o Vasco receberia menos do que o valor acordado.
O ex-dirigente também confirmou que esteve no escritório de Lamacchia em várias ocasiões, sempre com o conhecimento do presidente do Vasco, Pedrinho.
Pedrinho Vasco entrevista coletiva — Foto: Bruno Murito
Veja o que Carregal respondeu ao ge:
“Sim, estive no escritório do Seu José em algumas oportunidades, sempre com a ciência de membros da diretoria. No início, quando o investidor retornou às negociações no ano passado, busquei resolver as divergências entre as partes, devido a uma negociação anterior que não se concretizou.
Sempre fui favorável à venda, em ambas as negociações. O presidente é testemunha disso.
Na segunda negociação, como Vice-Presidente Jurídico, enfatizei a importância de o clube ter um representante no Conselho de Administração e no Conselho Fiscal da nova SAF. O investidor não concordou. Fiz essa observação porque acredito que o acionista minoritário – neste caso, o clube – deveria ter alguma representação nesses órgãos de governança. O investidor teria a maioria das indicações, mas o clube, como acionista minoritário, deveria estar institucionalmente representado para exercer seus direitos.
Defendi que a cadeira do clube no Conselho de Administração fosse ocupada pelo presidente do CRVG, e deixei isso claro ao investidor em uma ocasião.
Vale ressaltar que no acordo de acionistas com a 777, o clube tinha duas cadeiras, enquanto os americanos possuíam cinco. O Conselho Fiscal era composto por dois membros indicados pela 777 e um pelo clube.
Outro ponto que destaquei foi a falta de previsão de correção monetária dos aportes. Acredito que os valores deveriam ser atualizados ao longo do tempo, como em qualquer contrato com pagamentos diferidos, assim como era no contrato com a 777.
Além da questão jurídica, esses pontos me preocupavam, pois poderiam gerar resistência ao negócio nas instâncias deliberativas do clube. Minha intenção era evitar obstáculos que pudessem atrasar ou comprometer a conclusão da negociação. Tenho registros dessas manifestações.
De qualquer forma, minha função era opinar e orientar do ponto de vista jurídico. A decisão final sempre coube ao presidente do clube, que poderia seguir ou não a minha orientação.
Diante dessas minhas considerações jurídicas, comecei a ser pressionado a mudar de opinião, sob a alegação de que a discussão jurídica, compartilhada por outros advogados envolvidos, estaria “atrapalhando a venda”. Mantive minha posição e fui afastado das negociações há alguns meses. Não sei a razão pela qual o MOU ainda não foi assinado ou se já foi assinado.”
Fonte: ge
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