Filho ressalta a humildade de Brito: ‘Era um de nós’

O filho de Brito destaca a simplicidade do pai, afirmando que ele era uma pessoa comum, próxima de todos.

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Zagueiro Brito em treino da seleção na Copa de 1970 - Foto: Acervo O GLOBOZagueiro Brito em treino da seleção na Copa de 1970 – Foto: Acervo O GLOBO

Às vésperas da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, o país lamenta a perda de um de seus grandes ídolos. O ex-zagueiro Brito, que conquistou o título mundial com o Brasil em 1970, faleceu nesta quinta-feira, na Ilha do Governador, em decorrência de pneumonia, aos 86 anos. Em entrevista ao GLOBO, seu filho, Leonídio Brito, compartilhou detalhes sobre a trajetória do pai e o processo após sua internação em maio.

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— Acredito que a gente tem uma missão nessa vida, e quando chega a hora, é porque realmente chegou ao fim essa missão. A verdade é essa. A gente fica às vezes procurando desculpa para a morte, mas quando chega a hora, é isso mesmo. E ele falava que não queria ficar sofrendo, que se fosse melhor partir, ele preferiria.

Leonídio também destacou a humildade de Brito. O ex-atleta, que residiu na Ilha do Governador por mais de quatro décadas, levava uma vida simples, descrita pelo filho como “uma pessoa normal como qualquer outra”.

— Falar do meu pai é muito simples. Ele foi gente da gente, né? Lembro quando o Roberto Dinamite se mudou para a ilha, ele estava preocupado em sair na rua. Meu pai dizia: ‘Faz como eu faço. Eu, lá na ilha, vou normalmente ao banco, vou à feira, me tornei uma pessoa comum’. Meu pai sempre foi muito humilde.

Orgulhoso de suas raízes, Brito expressou ao filho o desejo de permanecer na Ilha do Governador até após sua morte. Leonídio afirmou que respeitará essa vontade, com o velório sendo realizado no bairro da zona norte do Rio.

— Um diretor do Botafogo até me ligou, perguntou se queria que velasse o corpo dele na sede do Botafogo ou na CBF. Eu disse não. Meu pai dizia que nem quando ele morresse, ele iria sair da ilha. Ele falava que ia ser enterrado no Cacuia (cemitério do bairro). Ele sempre foi muito brincalhão.

Com 86 anos e um currículo repleto de conquistas, Brito é considerado uma lenda do futebol brasileiro. Para Leonídio, a trajetória do pai é motivo de celebração.

— Ele viveu bem. Aproveitou a vida, conheceu o mundo. Meu pai passou fome, sofreu muito. Se traçar de onde ele veio e ir até onde ele chegou, é a prova disso.

Natural da Ilha do Governador, Hércules Brito Ruas, o Brito, formou a defesa da icônica seleção do Tri ao lado do volante Piazza, que foi improvisado como defensor. Juntos, eles formaram uma dupla que combinava imposição física e habilidade na saída de bola.

Ambos foram campeões ao derrotar a Itália por 4 a 1 no Estádio Azteca, na Cidade do México, onde também ocorrerá a abertura do Mundial de 2026.

Aos 30 anos durante a Copa do Mundo de 1970, Brito era um dos atletas mais experientes do time sob o comando de Zagallo. O Brasil, conhecido por seu estilo ofensivo, terminou aquele torneio com apenas sete gols sofridos em seis partidas.

O zagueiro carioca também se destacou por ser considerado o atleta com o melhor preparo físico do torneio. Brito integrou a seleção que participou da Copa de 1966, na Inglaterra, totalizando 60 jogos e oito anos defendendo a seleção brasileira, com conquistas que incluem, além do Mundial, a Copa Roca de 1971.

Em sua carreira em clubes, Brito atuou por Vasco, Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Corinthians, Botafogo e Athletico, sendo Corinthians, Botafogo e Vasco os times que mais defendeu.

Fonte: Extra


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