Entre os principais pontos de preocupação estão:
• Endividamento: o Vasco já teria contraído R$ 120 milhões em empréstimos e busca mais R$ 150 milhões, enquanto se projeta um prejuízo de R$ 300 milhões. O magistrado enfatiza a necessidade de avaliar a operação para que “o remédio não mate o paciente”.
• Destino dos R$ 500 milhões: o juiz questiona uma cláusula da proposta da Almirante que proíbe o uso desse montante para pagamento de dívidas. Para o magistrado, “não é admissível” alienar o ativo mais valioso do Vasco com essa restrição, considerando o plano de recuperação.
• Falta de avaliação das ações: o juiz aponta a ausência de uma avaliação independente das ações da SAF e acredita que, conforme o princípio da maximização dos ativos, o lance mínimo deve refletir o valor dessa avaliação.
• Risco de “loan to own”: a Justiça expressa preocupação com os empréstimos sucessivos feitos pelo mesmo grupo interessado na aquisição. Segundo a decisão, outro interessado poderia entrar na disputa, considerando um débito histórico de R$ 270 milhões com o stalking horse, o que poderia dificultar uma competição real.
• Arbitragem com a 777: a titularidade das ações a serem vendidas está em discussão em arbitragem com a 777 Carioca. O juiz exige informações sobre o andamento do processo e a probabilidade de sucesso do Vasco.
• Risco envolvendo a CBF: também foi levantada a possibilidade de dificuldades na aprovação da transferência de controle da SAF. Se a operação não for concretizada, o Vasco poderá enfrentar uma dívida elevada e comprometer recebíveis importantes como garantia.
• Déficit continua mesmo com o DIP: a decisão ressalta que, mesmo com a autorização do financiamento, ainda há uma projeção de déficit superior a R$ 100 milhões até o final do ano.
• Contratações de jogadores: o Vasco terá que justificar os investimentos realizados e planejados no futebol, comparando-os com os gastos de 2025 e com os demais clubes da Série A em 2026.
A Administração Judicial, watchdog e gatekeeper deverão apresentar um parecer conjunto até 2 de setembro, respondendo às preocupações do juiz e propondo soluções para os riscos identificados. Após isso, o Ministério Público terá acesso ao caso.
Além disso, a Justiça determinou que a futura venda da UPI Equity seja publicizada, permitindo que outros interessados no controle da Vasco SAF se manifestem.
É importante destacar que a decisão não implica na rejeição do DIP ou da venda da SAF. O juiz exige mais informações, documentos e garantias antes de tomar uma decisão.
A mensagem da decisão é clara: antes de aumentar ainda mais a dívida e prosseguir com a venda do principal ativo do Vasco, é necessário demonstrar que a operação é sustentável, competitiva e benéfica para a recuperação do clube.
Fonte: X do jornalista Gustavo Cunha/Colina 1927
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