Mãe de Rayan agradece a Fernando Diniz e revela que o Vasco estava ‘ansioso para vender’ o atacante em carta ao filho

A mãe de Rayan expressa gratidão a Fernando Diniz e menciona a ansiedade do Vasco em vender o atacante em uma carta ao filho

💬 0 🔥 27
terraesportes

“Meu Tigrão, veja tudo que está acontecendo na sua vida. Você vai disputar sua primeira Copa do Mundo. Quando o Ancelotti mencionou seu nome, eu chorei de um lado e seu pai de outro, ele até passou mal. Brinquei que não era a hora dele partir. Toda a família estava muito feliz, e não é para menos. Lembra de tudo que enfrentamos?”

PUBLICIDADE

Vanessa Simplicio, mãe de Rayan, enviou uma mensagem exclusiva ao atacante revelação do Vasco antes da Copa do Mundo. Confira a íntegra desta carta em terra.com.br.

Fonte: Instagram Terra Esportes

‘Filho, lembra de tudo que você passou’: o sonho de Rayan até a Copa do Mundo; leia a emocionante carta da mãe para o caçula da Seleção

Por Vanessa Simplicio, mãe de Rayan

“Meu Tigrão, observe tudo que aconteceu na sua vida. Você vai jogar sua primeira Copa do Mundo. Quando o Ancelotti mencionou seu nome, eu chorei de um lado e seu pai de outro, ele ficou tão emocionado que passou mal. Brinquei que não era a hora dele partir. Toda a família estava muito feliz, e não é à toa. Lembra de tudo que enfrentamos?

Essa reportagem faz parte da série ‘Raízes de Campeão’, que apresenta cartas de familiares e amigos para os jogadores da Seleção Brasileira; leia o relato do pai de Léo Pereira, do primo do goleiro Weverton, do olheiro de Danilo Santos e do 1º técnico de Casemiro.

Não sei se já te contei, mas a gente nem imaginava te colocar no futebol. Você sempre teve talento, mas devido às decepções que seu pai enfrentou, queríamos que você seguisse outro caminho. No entanto, você sempre amou o futebol. Nunca quis brinquedos, apenas bola.

Seu início no futebol foi algo divino. Quando você nasceu, seu pai decidiu parar de jogar e nos mudamos para o Espírito Santo, pois ele queria passar um tempo com a família. Fomos todos juntos.

Foi nesse período que minha mãe adoeceu, enfrentando uma depressão, e voltamos para o Rio. Ela precisava de mim. Tudo aconteceu rapidamente, um mês depois sua avó se recuperou, e você começou a treinar com seu tio, na quadra. Um rapaz que esperava o ônibus te viu e sugeriu que o levássemos para um treino. Eu e seu pai não podíamos, pois estávamos trabalhando, então o tio te levou e você se destacou, passando de primeira. Assim começou sua trajetória: do salão na Federação ao campo.

Nos seus primeiros jogos, seu pai, que sempre foi reservado, chorava ao te ver marcar gols. Eu olhava para ele e percebia que tudo que ele havia vivido ainda estava presente em seu coração. Parecia que ele passava por uma dupla honra.

Entretanto, nada foi fácil. No início, os desafios persistiam, mas sempre tivemos pessoas ao nosso lado. Não tínhamos condições, mas sempre havia quem te levasse aos treinos, como o Marcão e o Joeder. Eu também pegava o trem para Marechal para te levar aos treinos. Era longe, mas queríamos que você sempre melhorasse.

Devemos ser gratos até hoje a essas pessoas, pois não é fácil ir aos jogos com 7 ou 8 anos. Não tínhamos recursos, e você viajou para os Estados Unidos sem que pagássemos nada. As pessoas nos ajudaram, fizemos rifas, vendíamos bolo de pote… Suas primeiras chuteiras foram compradas no cartão de uma amiga, e depois eu pagava parcelado.

Aos 16 anos, você mostrou seu talento e chegou ao profissional do Vasco. Que honra vestir a camisa do clube que você ama. Mas engana-se quem pensa que foi fácil. Enfrentou uma fase desafiadora. Nunca esquecerei daquele rapaz que te ofendeu na saída do treino. Como alguém tão jovem poderia ser cobrado daquela maneira? Seu pai até correu para o CT para ver o que estava acontecendo.

Você chegou em casa triste. Foram dois dias em seu quarto, em silêncio, e nós nos preocupamos. Ficamos com medo de que você desistisse. Mas veja até onde você já havia chegado: 16 anos e profissional do Vasco.

Eu te disse que era bola pra frente, e seu pai também conversou com você. ‘Rayan, esse é seu sonho e uma hora vai dar certo. Se errar, uma hora também vai acertar’. Você tinha uma família estruturada naquele momento. Tem sua esposa, seus amigos da comunidade, o Esquerdinha, o Allan, o Hugo, o Guilherme e o Bebezão. Todos ajudaram.

Ah, e as pessoas não sabem, mas nesse momento sua avó estava doente, com câncer, e ficou paraplégica. Você nos ajudou muito nesse período. Eu fui morar no Recreio e você sempre me ajudava a cuidar dela. Três anos depois, ela faleceu, mas teve a oportunidade de te ver jogando no profissional do Vasco. Ela defendia você, xingava os torcedores que reclamavam e chorava de emoção quando você fazia gol. Foi um período muito difícil, suas tias faleceram. O torcedor te criticava sem saber da sua vida pessoal.

Você defendia nosso time, vivia o que seu pai sonhou, mas o Vasco, na época, estava ansioso para te vender e nós não queríamos. Batemos o pé e dissemos que não. Recebemos propostas de um país em guerra e do Botafogo. Então chegou o Fernando Diniz, e tudo mudou. Você ganhou uma grande confiança. Ele chamou eu e seu pai para conversar. Quando te viu treinando, disse que você era diferente, que poderia vender todo mundo, até ele, menos você. Lembra que eu te disse: ‘Calma, agora é a hora, meu filho, consagre sua vida a Deus e se dedique’?

Você fez isso e tudo deu certo. Você chegou ao Bournemouth. Hoje, a parte mais difícil é a saudade. Às vezes, me pego chorando ao conversar com seu pai. Te ligo para saber como você está, e o que me conforta é saber que você está bem. Fico feliz com o acolhimento que todos te deram lá.

Acho bonito que, mesmo longe, você cuida do seu sobrinho como se fosse seu filho. Ele tem dificuldades auditivas devido a um problema no parto, mas você sempre se preocupa com ele. Pede para ele estudar, cuida do aparelho auditivo dele. Isso enche meu coração de alegria.

E agora, você está aí, com todo o Brasil gritando seu nome. Meu filho, que Deus te abençoe, que Deus te proteja, que Jesus cubra todos vocês com seu sangue sagrado. Lembre-se de tudo que você passou, tudo que seu pai te contou sobre suas lutas. Guerreie, que tudo dará certo. Dê o seu melhor, faça o que sabe fazer de melhor dentro de campo. Deus vai te abençoar, eu peço isso a ele todos os dias. Já deu tudo certo e vocês vão trazer essa taça para o Brasil. Te amo.”

Rayan quando criança Foto: Arquivo pessoalRayan quando criança Foto: Arquivo pessoalRayan ao lado do pai e da mãe Foto: Arquivo pessoalRayan ao lado do pai e da mãe Foto: Arquivo pessoalRayan em campeonato local do Rio de Janeiro Foto: Arquivo pessoalRayan em campeonato local do Rio de Janeiro Foto: Arquivo pessoalRayan comemora título do Vasco com a avóRayan comemora título do Vasco com a avóRayan com a avó Foto: Arquivo pessoalRayan com a avó Foto: Arquivo pessoalRayan com sobrinhos Foto: Arquivo pessoalRayan com sobrinhos Foto: Arquivo pessoalRayan comemora título do Vasco com a avó Foto: Rayan comemora título do Vasco com a avóRayan comemora título do Vasco com a avó Foto: Rayan comemora título do Vasco com a avó

Fonte: Terra


Receba notícias do Vasco em primeira mão

Fique por dentro das principais notícias do Gigante da Colina.