MARCOS LAMACCHIA DEFENDE COMPRA DA SAF E CRITICA OPOSIÇÃO QUE TUMULTUA O PROCESSO

Marcos Lamacchia apoia a aquisição da SAF e critica a oposição por dificultar o andamento do processo

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Marcos Lamacchia (esquerda) e o presidente do Vasco, Pedrinho (direita) — Foto: Reprodução/Linkedin e Leandro Amorim/VascoMarcos Lamacchia (esquerda) e o presidente do Vasco, Pedrinho (direita) — Foto: Reprodução/Linkedin e Leandro Amorim/Vasco

Marcos Lamacchia, investidor que está em negociações para adquirir a SAF do Vasco, decidiu se manifestar em apoio ao presidente Pedrinho, visando concluir o processo de compra.

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Em entrevista ao blog, o empresário contestou as alegações de ex-aliados políticos sobre a falta de transparência na administração atual e a decisão judicial que afastou Pedrinho do cargo.

“O que mais surpreende é que, em menos de 24 horas após a decisão judicial que afastou o Pedrinho, Silvio Almeida (ex-vice de finanças) contatou minha equipe para alterar os termos do acordo. Silvio é sócio de Carregal (ex-vice jurídico) e de Marco Schroeder, presidente do Conselho Fiscal da SAF, que elaborou o parecer que facilitou a ação que resultou no afastamento do Pedrinho”, declarou.

Além disso, Lamacchia questionou a intervenção judicial que nomeou a advogada Samanta Longo, que já solicitou a sua saída do cargo, mas apresentou um relatório que não indicou irregularidades.

Marcos também negou a participação de Leila Pereira, esposa de seu pai, José Lamachia, que atuará como avalista da operação para assegurar o pagamento de dívidas e a recuperação judicial.

“Além disso, a esposa do meu pai não tem qualquer relação com isso. Ela realiza um excelente trabalho e me inspira, mas meu objetivo é superá-la”, afirmou Marcos.

CONFIRA A ENTREVISTA:

O que falta para fechar a compra da SAF do Vasco?

É necessário que aqueles que desejam derrubar o Pedrinho cessem com as tentativas de tumultuar. Eles possuem interesses pessoais. Considero a negociação concluída. Um acordo dessa magnitude envolve diversas etapas e não é simples. Temos conversado intensamente, com idas e vindas de contrato ao longo de quase dois anos, mas estão tentando desqualificar a negociação, criando histórias e narrativas que colocam em dúvida a credibilidade de quem sempre atuou de forma correta pelo Vasco. Querem induzir a torcida e a opinião pública a acreditar que falta transparência, o que é uma inverdade. Mais de 10 pessoas estavam envolvidas do lado do Vasco, incluindo aqueles que atualmente tumultuam, e os únicos que realmente tinham interesses pessoais, que fizeram pedidos, foram afastados do processo e agora reclamam, entraram com a ação e pedem transparência.

Como recebeu a notícia da renúncia da interventora Samantha Longo após 6 dias de trabalho?

Ficou evidente que a intervenção não era necessária. Foi uma manobra, e tanto o Judiciário quanto a própria interventora foram induzidos a erro. A administração estava funcionando bem, apenas com ajustes normais. Isso ficou claro no relatório rápido da interventora. Essa intervenção abrupta, desnecessária, e ainda com ligação clara com Silvio Almeida (ex-vice de finanças), criou um ambiente instável e insustentável. A trama para tumultuar e interromper o negócio ficou evidente. Ninguém consegue enganar a todos o tempo todo.

A interventora foi imparcial e seu relatório rápido comprovou a ausência de irregularidades na gestão. Com a saída dela, o castelo de cartas dessa turma desmoronou. Não faz mais sentido manter essa decisão. Continuar com essa intervenção apenas serve para atrasar a vida do Vasco. A interventora percebeu a gravidade da situação. O risco de descontinuidade que o conselho fiscal apontou se concretizou após essa manobra. Há incerteza no futuro dos credores e as contratações do futebol estão paradas. A justiça tem a oportunidade de corrigir esse erro histórico e pacificar o processo de uma vez por todas.

Como a guerra política e a 777 Partners podem atrapalhar esse processo? Foi por isso que você decidiu se posicionar?

Sou mais reservado. Tenho dedicado meu tempo com a minha equipe em um projeto de reestruturação do Vasco. Minha intenção era fazer um primeiro pronunciamento para apresentar oficialmente a proposta e o projeto, para então dar transparência aos poderes, conselheiros, sócios e torcida, mas com o afastamento do Pedrinho, precisei mudar meus planos.

A 777 não me preocupa. Trata-se de uma questão negocial. É uma cortina de fumaça. O que realmente acontece é que os afastados do grupo do Pedrinho buscam manter o poder por meio da justiça. O que me preocupa não é a decisão em si. Decisões judiciais são cumpridas, contestadas e reformadas. O que é preocupante é o sinal que isso envia a qualquer investidor que considere entrar no futebol brasileiro. Se não conhecêssemos o Pedrinho e sua equipe, estaríamos fora. Quando a política interna de um clube consegue induzir o Judiciário ao erro, travando uma negociação bilionária que pode salvar o Vasco às vésperas do anúncio, o prejuízo é incalculável. E o Vasco não pode arcar com esse custo.

Eu confio no Poder Judiciário, mas foi induzido ao erro por aqueles que foram afastados da mesa de negociação e que alegam que não existe transparência. O relatório rápido da interventora, que não trouxe qualquer indício de fraude, confirmou a real intenção deles. A gestão da SAF vinha cumprindo suas funções normalmente e pagando corretamente o plano de Recuperação Judicial. Não havia motivo para interferência. A ideia era apenas criar factoides para tumultuar e atrasar o fechamento de um acordo que já está concluído. Eles sabiam disso.

Além disso, com nosso acordo, teremos ainda mais recursos para o pagamento dos credores. Meu pai, que será o avalista, colocou todo o seu patrimônio para garantir tudo. O patrimônio do meu pai é suficiente para cobrir toda a dívida do futebol brasileiro. Portanto, os credores podem ficar tranquilos, assim como a Juíza que acompanha a Recuperação Judicial.

A interventora tomou conhecimento dos números negativos da SAF e concluiu que a venda do Vasco é a melhor alternativa para resolver os problemas. Estamos no meio de uma janela de transferências crucial que exige investimento. O Vasco não pode mais perder tempo.

O investimento está condicionado à manutenção do presidente Pedrinho no comando da SAF?

Sem dúvida. 100%. Vamos concluir a negociação com ele, que nunca deveria ter saído, e não havia motivo para isso. Mas é importante ressaltar que em nenhum momento colocamos o Pedrinho à frente da instituição. Escolhemos o Vasco por sua grandeza, história e torcida. Além disso, Pedrinho e sua equipe conduziram as negociações com seriedade e transparência do início ao fim. Ele foi fundamental para despertar nosso interesse no Vasco e mantê-lo nos momentos mais desafiadores, como o atual. Por isso, é estranha uma decisão judicial que aponta falhas de governança contra esse grupo.

O que mais surpreende é que, em menos de 24 horas após a decisão judicial que afastou o Pedrinho, Silvio Almeida procurou minha equipe para renegociar um acordo já fechado. Silvio é sócio de Carregal e de Marco Schroeder, presidente do Conselho Fiscal da SAF, que elaborou o parecer que facilitou a ação que afastou o Pedrinho. Eles são sócios em uma empresa de administração judicial, mas que está dificultando a recuperação judicial do Vasco.

Silvio também é um dos indiciados no Vasco por sua participação na venda para a 777. Qual é o interesse de um vice-presidente exonerado que nos procura no dia seguinte à decisão para renegociar um acordo? Pela proximidade que ele tem com a interventora que renunciou, ele queria ser o novo representante da justiça? Por que eles desejam tanto voltar à negociação? Essa é a governança que o Conselho Fiscal defende?

É urgente resolver esse impasse. Essa judicialização irresponsável paralisou a vida do Vasco. Será que essa turma não percebe que temos uma janela para contratar jogadores, evitar problemas esportivos e contas a pagar aos credores?

A empresa considera que há segurança jurídica para a operação diante do histórico de liminares?

O histórico de liminares é resultado da política do clube. Para isso, nossa proposta inclui mecanismos de defesa da SAF. Pedrinho defende nossa autonomia na SAF para eliminar essa situação. Não há mais espaço para política tóxica no Vasco. Ele nos pediu o direito de fiscalização, respeito aos poderes do clube, à torcida e, principalmente, à história do Vasco, mas sem comprometer nossa autonomia nas decisões administrativas do clube, que é nossa especialidade.

Ele queria resolver e descansar sabendo que o Vasco estaria em boas mãos, mas nós e o Vasco precisamos dele. Se não fosse por ele, essa história não teria começado. O clube poderia ter sido tomado em um golpe e estaríamos distantes do Vasco. A torcida deve muito ao Pedrinho.

Já realizamos uma diligência prévia na SAF. Houve avanços em governança, estruturação e processos. No entanto, falta dinheiro, e isso nós temos. A polêmica levantada por Carregal (ex-vice jurídico exonerado) sobre a cadeira da associação no conselho da SAF reforça nossa proposta ao clube.

Respeitamos muito a associação, defendemos a transparência e seu poder de fiscalização. Teremos um membro da associação no Conselho de Administração. Contudo, precisamos escolher quem ocupará essa cadeira entre os membros do conselho deliberativo. A cadeira poderá ser ocupada pelo presidente, benemérito ou conselheiro. Faremos essa escolha. Apenas não pode ser alguém que tenha um comportamento individualista e destrutivo como essa turma. Não aceitaremos um deles no projeto de reestruturação do Vasco.

Já existe entendimento com a CBF sobre eventuais restrições pela relação com José Lamachia e Leila Pereira (Marcos é enteado da presidente do Palmeiras)?

Nossos representantes são altamente qualificados e estão em diálogo há bastante tempo com a CBF. Respeitamos a entidade e as pessoas que nela atuam. Reconhecemos o trabalho que vêm realizando. A agência (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) é bem estruturada. Acredito que eles encontrarão um entendimento e acataremos o caminho que for sugerido pela instituição.

Vale ressaltar que assinar este acordo é apenas o início de um processo que ainda passará pelos órgãos do clube e pelo próprio juízo da Recuperação Judicial. Falar em qualquer conflito neste momento é, sem dúvida, prematuro.

Mais do que isso, a esposa do meu pai não tem absolutamente nada a ver com isso. Ela faz um grande trabalho. Me inspira muito, mas meu objetivo é superá-la.

Fonte: O Globo


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