— Esse é um aspecto fundamental para uma competição como a nossa. Sabemos como o Cruzeiro iria se apresentar, mas as variações só conseguimos perceber quando o jogo começa. Assim que ajustamos o posicionamento, ganhamos consistência e confiança para sairmos bem com a bola. No início, levamos alguns sustos, mas depois conseguimos encontrar uma forma mais confortável de jogar. Isso foi importante para a confiança. Os gols nos colocam à frente. Isso se responde de forma simples – afirmou, completando:
Pedro Emanuel em Vasco x Cruzeiro — Foto: André Durão
— Trabalhamos muito em vídeo, além de parte técnica e tática fora de campo. Isso demonstra a capacidade que eles têm de entender o que precisam fazer, mesmo em uma sala de reunião. O jogo foi bem construído por nós, criamos muitas chances, embora não tenhamos aproveitado todas. Acredito que o resultado foi justo. Fiquei um pouco triste por termos sofrido um gol, pois trabalhamos bem para sair sem ser vazados. É o terceiro ou quarto melhor ataque da competição. Trabalhamos juntos para alcançar esse resultado. Já havíamos vencido em todas as competições desde que chegamos. Faltava unir as boas atuações com o resultado. Esses três pontos nos permitem dormir fora do Z-4 e respirar melhor, o que nos dá um pouco mais de confiança – finalizou.
Jogadores do Vasco posados antes de jogo contra o Cruzeiro — Foto: André Durão
Pedro Emanuel também analisou a busca pelo equilíbrio durante a partida e abordou o aspecto mental do elenco. O técnico destacou a comemoração de David, que marcou o terceiro gol do Vasco e foi até o banco de reservas para cumprimentá-lo. Além disso, ressaltou a atuação de Lucas Freitas.
— Isso reflete bem a forma como nos preparamos para o jogo. Hoje, houve dois ou três aspectos fundamentais que nos impediram de começar bem. Em termos ofensivos, tivemos boas saídas e a qualquer momento poderíamos marcar. Defensivamente, não estivemos tão bem, o que também é mérito do adversário. Isso faz parte do jogo. O importante foi perceber como ajustar. A parte mental muitas vezes está relacionada à confiança que o jogador sente. Não adianta apenas palavras, mas sim ações. O treinador trabalha para isso e conhece os jogadores – completou.
— Fiquei surpreso ao ver David me cumprimentando após marcar o gol. É um gesto simples de alguém que precisava desse momento. Isso representa nosso time, solidário e que tem enfrentado dificuldades ao longo do ano, mesmo antes de nossa chegada. Sabemos que precisamos continuar trabalhando. Não é fácil, em um ambiente tão exigente, e acho que os jogadores sentiram isso. O espírito melhorou muito, há respeito e solidariedade entre todos. Dei o exemplo do Freitas, que teve poucas oportunidades e hoje fez um jogo completo. Quando teve a chance, mostrou que estava preparado. Isso reflete a preparação em todos os níveis, físico, técnico e tático. É uma boa imagem do que é o nosso Vasco hoje. Esses três pontos são importantes para nós neste momento da temporada – encerrou.
Pedro Emanuel já comandou 13 jogos, com cinco vitórias, cinco empates e três derrotas. O time marcou 16 gols e sofreu 14. O Vasco está classificado para as quartas de final da Sul-Americana e da Copa do Brasil. Com 25 pontos, ocupa a 17ª colocação e aguarda os resultados dos jogos de domingo para definir sua posição ao final da rodada.
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Pressão nos jogadores e apoio da torcida
Fiquei satisfeito com a atuação de jogadores que estavam sob pressão, pois nossa torcida é bastante exigente e eu valorizo isso, pois só assim somos um clube grande. Passamos por momentos difíceis, mas sentimos o apoio da torcida. Estamos trabalhando da forma que todas as torcidas apreciam. Damos a vida pela equipe. Os jogadores sabem que para ter oportunidades precisam estar preparados. Os exemplos de hoje, ironicamente, foram de jogadores questionados, mas que provaram ter capacidade e valor. Dei a primeira oportunidade ao Freitas e ele fez um jogo completo, com um desempenho muito bom contra um adversário difícil. O apoio da torcida é fundamental para que os jogadores sintam confiança.
Trabalho com os atacantes
A questão mental que você menciona eu avalio de forma diferente. Nossa abordagem ofensiva mudou e permitiu que esses jogadores participassem mais do jogo. Isso também os expõe mais, pois criamos muitas chances e não estamos aproveitando. A dinâmica que estamos desenvolvendo, que hoje foi evidente contra um grande time, gerou várias oportunidades. Isso é a parte mental que gosto de trabalhar. Eles estão compreendendo como trabalhamos e estão conseguindo executar isso com precisão. O foco está na tarefa que eles têm dentro do jogo. Isso gera confiança e os faz se soltar mais. Com as variações, a equipe se torna mais consistente e capaz de criar diversas maneiras de chegar ao gol. Quero que a responsabilidade de marcar não recaia apenas sobre dois jogadores. Precisamos ter uma mentalidade ofensiva sem desanimar. Fiquei um pouco desapontado pela forma como sofremos o gol.
Satisfação com o próprio trabalho
Ainda não tive tempo de refletir sobre isso. Minha vinda está relacionada à paixão que se vive o jogo aqui. Nossa torcida é um exemplo disso. Quando digo que estou apaixonado, refiro-me ao ambiente que vivemos hoje. Isso é o que me motiva e me levou a um campeonato tão competitivo e exigente. Começando pela nossa torcida, que apoia e reconhece quando estamos dando o nosso melhor. O futebol me proporcionou muitas coisas, e a principal delas é a paixão pelo que faço. Adoro o que faço. Isso não se compra nem se paga. Quando não sentir mais isso, não estarei mais aqui respondendo perguntas. Meu trabalho será avaliado não apenas pelos resultados, mas por diversas circunstâncias que influenciam o sucesso.
O que levo dos dois jogos
Levo o sentimento que a equipe demonstrou. Que nada é impossível no futebol. Passamos por um momento difícil contra o Vitória, jogando 84 minutos com um jogador a menos. Hoje, enfrentamos um contexto semelhante. Mostramos a nós mesmos o quão competitivos somos. Em quatro jogos em 12 dias, o time respondeu de forma excelente, com três vitórias. No entanto, isso não pode se tornar um hábito, pois sei que isso terá um custo no futuro. Muitas vezes, chegamos às finais das competições no final da temporada e observamos jogos fracos. Isso ocorre devido ao desgaste. É importante refletir sobre isso. Não é uma crítica, mas uma realidade. É um pouco exigente demais. Queremos dar respostas e precisamos que os jogadores estejam em condições. Para mim, não existem titulares ou reservas, mas sim a equipe mais fresca e apta a responder às nossas necessidades de vitória. Havia uma pressão grande sobre mim. Agora, nos libertamos um pouco dessa pressão. Acredito muito no trabalho que estamos realizando, no espírito e na competitividade que o time está demonstrando. Estou confiante para o que está por vir.
Satisfeito com a fisiologia
Se eu me basear nesses dados, nem o sub-20 poderíamos escalar. Está tudo no vermelho, muitos jogadores estão chegando ao limite. Por exemplo, o Robert é um caso. Há posições que não gosto de alterar para não desestruturar a equipe. O corredor central é uma dessas. O Robert se encaixa nesse contexto, assim como outros. Minha satisfação se baseia na dedicação que esses jogadores têm demonstrado. Eles têm mostrado capacidade e coragem. Quando pergunto sobre o nível de desgaste e eles dizem que é mediano, sei que não é. É alto. Acrescente a isso as viagens e as noites mal dormidas. Pesquisem sobre o aumento do índice de lesões na reta final das temporadas, isso triplica. As lesões surgem na fragilidade. Isso não ocorre apenas no Vasco, mas em todas as equipes nesse contexto. De forma geral, nessa fase, isso aumenta. Estou explicando de maneira simples e objetiva para dizer que não estou 100% confiante de que todos os que estiveram disponíveis hoje estarão 100% na quarta-feira. Somos assim. Temos demonstrado vontade e determinação. Quando lutamos por vitórias e objetivos maiores, superamos essas fraquezas que queremos minimizar.
Sentimento para a Copa do Brasil
As vitórias trazem boas sensações. Quando ganhamos, tudo parece bom; quando perdemos, tudo parece ruim. A vitória gera confiança, especialmente em uma competição onde era importante voltarmos a vencer. Não importa se foi justo ou não, o fato é que não vencíamos há muitos jogos. Jogamos, trabalhamos e lutamos pela nossa torcida e pela grandeza do clube. A melhor sensação é chegar ao final e ver a satisfação nas arquibancadas. Isso é uma satisfação inigualável. Não se paga. Se sente ou não. Ganhar traz muitas coisas boas, mas também mais responsabilidade. É isso que buscamos.
Bilhete para o Tchê Tchê
Foi em um contexto defensivo. Estava confuso porque pedi uma coisa, e quando o jogo se desenrolou, pedi outra. Quando percebi que não estava acontecendo, entendi que precisava enviar um bilhete para que ele compreendesse o que eu queria. Ele perguntou se poderia continuar ali, e eu disse que sim. Fico feliz que ele tenha sensibilidade, experiência, qualidade e, acima de tudo, persistência. Ele é inteligentíssimo na forma como se movimenta. Muitas vezes, não percebemos que é um jogador que equilibra a equipe, tanto com a bola quanto sem ela. Como aconteceu no gol que ele marcou. Ele recupera a bola e ganha a jogada. É um jogador perspicaz. Conseguiu desbloquear um momento do jogo a nosso favor. Eu envio bilhetes para evitar confusões, para que o jogador saiba exatamente o que quero.
Posicionamento do Colidio
Isso está muito relacionado à análise do adversário e ao contexto que temos à frente. Com mais um atacante, teremos mais versatilidade, o que permitirá mais soluções. Colidio pode atuar tanto fora quanto dentro, como segundo atacante. Ele é muito versátil. Hoje, achei que, considerando as mudanças do Cruzeiro, a forma como defendiam e a capacidade do Colidio de conectar nosso ataque, o corredor central era o mais adequado. Tivemos Andrés e Adson, que merecia um gol. Ele teve uma boa performance, só faltou converter as oportunidades que criou. No geral, fez um jogo perfeito. Isso nos permite ter um jogo mais diversificado e criar mais dificuldades para o adversário. É um prazer ver mais de 20 finalizações, com muitos toques na área do adversário. Isso é gratificante para um treinador, pois estamos avaliando bem nossos jogadores e proporcionando a eles o que gostam de fazer. Gosto muito de atacar, com equilíbrio. Isso é um presente para se assistir.
Fonte: ge
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