O Vasco está em vantagem sobre o Vitória após vencer por 1 a 0 no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, realizado em São Januário. O técnico Pedro Emanuel elogiou a postura da equipe, que jogou a maior parte da partida com um jogador a menos, devido à expulsão de Barros aos 14 minutos. O treinador optou por não comentar sobre a arbitragem.
— Apesar de termos jogado por 80 minutos em desvantagem, demonstramos o espírito do Vasco, que desejo para nossa equipe. A torcida, mais uma vez presente, nos apoiou e ajudou. Os jogadores corresponderam de forma fantástica. Isso reflete o que busco dentro da nossa casa. Estamos apenas na metade do confronto. Poderíamos ter saído com um resultado diferente, mesmo com um jogador a menos, mas não conseguimos. Antes da expulsão, tivemos boas oportunidades, mas não conseguimos marcar. Agora, precisamos focar nisso.
— Acredito que essa questão já foi abordada pelo Admar (Lopes) e o clube fez uma declaração oficial, então não vou entrar nesse assunto. Vou me concentrar no que aconteceu em campo — afirmou, ao ser questionado sobre as polêmicas do jogo.
Pedro Emanuel em coletiva pós-Vasco x Vitória — Foto: Bruno Murito – ge
O gol que garantiu a vantagem ao Vasco foi anotado aos 13 minutos do segundo tempo, em uma jogada individual de Andrés Gómez, que finalizou de perna esquerda, sem chances para o goleiro Lucas Aracanjo. A equipe ainda teve uma bola na trave, em um chute de Colidio.
— Apresentamos uma equipe disposta, que, mesmo em desvantagem numérica, não se fragilizou. Ajustamos o posicionamento e os jogadores mostraram-se disponíveis. Isso reflete o espírito saudável que temos, permitindo que saíssemos na frente nesta eliminatória. Nos últimos jogos, temos conseguido marcar gols e precisávamos repetir isso. Os jogadores foram guerreiros até o último minuto.
Apesar do resultado favorável, a partida teve um início polêmico. O volante Barros foi expulso aos 14 minutos do primeiro tempo após revisão do VAR, por tocar a bola com a mão enquanto era o último homem no lance. A diretoria do Vasco e membros da comissão técnica manifestaram descontentamento com a arbitragem durante o intervalo.
O jogo de volta ocorrerá no Barradão, na próxima quarta-feira (2), às 21h30. O Vasco tem a vantagem do empate para avançar à semifinal. Antes disso, a equipe enfrenta o Cruzeiro no próximo fim de semana, buscando sair da 19ª colocação no Campeonato Brasileiro. O treinador comentou sobre a situação atual:
— Estamos muito próximos do abismo. Temos a chance de nos reerguer, mas levamos um golpe duro. Quando tentamos reagir, sofremos o segundo gol. Isso afeta a parte mental. Estamos cientes da nossa situação no Brasileirão, mas ainda não conseguimos reverter. Isso mudará com o trabalho que estamos realizando. Precisamos concretizar as oportunidades e recuperar a confiança.
Pedro Emanuel em Vasco x Vitória — Foto: André Durão
Outras respostas do técnico do Vasco
Como você vê a superação da equipe e o que disse aos jogadores?
— Hoje, preciso compartilhar que tivemos uma intervenção de uma pessoa muito importante no nosso clube, e foi uma das melhores que já vi. Isso foi fundamental para entrarmos concentrados em um momento crucial da temporada, especialmente nesta Copa, onde estivemos na final na temporada passada e não conseguimos vencer. Isso motivou a equipe, além das estratégias táticas que já havíamos preparado.
Como é feito o planejamento para poupar jogadores? A prioridade é o Brasileirão?
— Eu analiso a condição dos jogadores que estão frescos e prontos para atuar. Temos um elenco amplo. Recentemente, recebemos dois jogadores que agregam qualidade e opções. Sinto-me confortável, pois os 11 que entram e ajudam durante o jogo estão preparados. Nossa estratégia é essa.
— Vamos tentar avançar o máximo possível nas duas Copas e, no Brasileirão, buscar sair da zona indesejada. Com uma equipe disposta a trabalhar e humildade, conseguimos o apoio da torcida. Isso foi emocionante. Não havia vivido um jogo inteiro com a torcida tão entusiasmada. Senti que seria uma noite mágica. Isso nos impulsionou. No final, conseguimos uma vantagem para o jogo de volta. É curta, poderia ser maior, mas é resultado do esforço dos jogadores.
Como ajudar os jogadores do setor ofensivo a melhorar as finalizações?
— É um bom ponto. Precisamos ser mais eficazes. Não temos tempo para treinar isso, então devemos focar na parte mental. O aspecto psicológico foi crucial para nossa capacidade de criar e continuar criando. Se tivéssemos sido mais eficazes, poderíamos ter saído com um resultado melhor. Andrés é um exemplo disso. É normal ter altos e baixos. Ele se sacrificou em um momento importante, que foi no jogo contra o Fluminense. Ele perdeu um pouco do ritmo desde então. Não quero particularizar, mas o jogador precisa sentir confiança em sua capacidade.
— Hoje, demonstramos, como equipe e individualmente, que mesmo diante da adversidade, conseguimos ser capazes. Isso é o que fica. Não se trata apenas da vitória. Este jogo mostra quem somos como Vasco. Com ambição e determinação, isso também faz parte da história do clube. É uma pena que não seja o segundo jogo, e por isso ainda temos um trabalho árduo pela frente. Eles serão mais agressivos e intensos. Hoje conseguimos bloquear bem, mesmo com 10 jogadores. Vamos ver se conseguimos repetir isso.
Sobre Colidio
— Se agradou a vocês, imagina a mim. Não é fácil agradar a todos. Estamos fazendo um esforço conjunto, corpo técnico e scout, para resolver a questão complicada do mercado. A temporada está chegando ao fim e precisamos trazer jogadores prontos para atuar. Não é fácil encontrá-los. Trouxemos Sosa e Colidio. Colidio, por já estar jogando há mais tempo, se adaptou rapidamente. Ele tem mostrado ser um bom jogador e alguém que deseja continuar melhorando. Ajuda na nossa forma de jogar, podendo atuar em várias posições no ataque. E não foi só ele, todos foram corajosos e bravos. Fiquei impressionado com isso. Vivi uma noite mágica aqui, e isso se deve à conexão com a torcida. Nos apoiou durante os 100 minutos de dificuldade.
O jogo contra o Vitória pode ser o ponto de partida para uma mudança?
— Acredito que sim. Temos feito boas exibições, embora tenhamos alguns apagões que nos custaram caro, especialmente no Brasileirão. Isso também representa um desafio para nós, manter a estabilidade emocional durante 95/100 minutos. E, curiosamente, jogamos com um a menos por 80/85 minutos. Isso foi uma prova de caráter da equipe, que não entrou em pânico, mesmo com o Vitória crescendo em campo. Nunca perdemos nosso posicionamento e ofensividade.
— Criamos muito mais oportunidades de gol, e Facundo (Colidio) merecia ter marcado, dada sua dedicação e qualidade. Seria um prêmio justo para ele, que não aconteceu, mas isso nos leva a acreditar mais em nossa capacidade, considerando o que temos trabalhado, especialmente na parte mental, para sermos mais consistentes. Não é fácil. É um grande desafio, e penso que conseguimos de forma histórica, mas ainda temos um longo caminho pela frente.
Sobre a função de Barros
— Estava gostando bastante do Barros. Ele estava contribuindo para a fluidez ofensiva. Infelizmente, ocorreu o que aconteceu. Estou um pouco confuso com a arbitragem e os critérios para validar ou invalidar lances. Continuo sem entender. Se a bola bate no corpo e depois no braço, a equipe se beneficia de uma expulsão de um jogador adversário. Essas decisões prejudicam e a decisão foi muito desfavorável ao Vasco.
— Isso reflete o momento da equipe. Barros está mais leve e solto, não apenas fisicamente, mas mentalmente. É importante que um jogador esteja forte mentalmente. Hoje, a expulsão dele me pareceu injusta. Ele estava jogando bem, confiante, e aconteceu o que aconteceu. Continuo confiando nele. Ele é um excelente jogador e está cumprindo bem as orientações da nossa forma de jogar. A chegada de Sosa não é para ofuscar Barros, mas para aumentar a competitividade em uma posição onde não tínhamos dois jogadores. Quem estiver melhor e mais preparado para atuar, jogará.
Sobre a entrada de Paulo Henrique
— Essa é uma boa pergunta. Durante o jogo, precisamos ter essa capacidade. Não fui só eu, foi minha equipe técnica analisando os cenários. A partir daí, tomamos decisões. Optei por essa mudança porque o Vitória, ao jogarmos com um a menos, avançou suas linhas. Eles tentavam muitos cruzamentos. Queria mais pressão na bola antes dos cruzamentos e forçá-los a jogar pelos interiores. Isso nos permitiu preencher o espaço. Piton também fez uma boa partida, e agradeço à torcida por ter apoiado o Piton, que precisava de um jogo completo. Ajudamos a neutralizar os cruzamentos, ou pelo menos a torná-los menos eficazes. O Vitória colocou mais um jogador na área, que é forte na primeira bola. Isso nos permitiu sair em contra-ataques. Poderíamos ter feito 2 a 0. A eliminatória ainda não está decidida. O Vitória é uma equipe forte, como o Flamengo e o Athletico-PR podem atestar.
Sobre a importância de Thiago Mendes para o jogo
— Tento não individualizar jogadores em minhas análises, mas é importante. Se ele não é tão valorizado, isso é mais por vocês do que por mim. Thiago é fundamental na manobra da equipe, na forma como jogamos e pausamos o jogo. Precisamos de cobertura e marcação sem a bola, e ele é o jogador que consegue fazer isso. Além disso, é capitão, experiente, e tem dado exemplo. Nos últimos três jogos, vimos Thiago em seu melhor nível. Ele faz o que fez em Assunção e hoje, um jogo completo. É isso que ele representa para mim como jogador. Talvez vocês não valorizem tanto, mas eu reconheço seu valor. Não se trata apenas de números, mas do que ele entrega à equipe e os benefícios que traz. É alguém que respeito muito, e a torcida também, pois entrega tudo para que a equipe seja melhor. Quero mais jogadores como o Thiago em nosso time.
Sobre a pessoa que teve importância no vestiário e sobre Andrés Gómez
— Andrés já está disponível. Se ele apresentar um desempenho abaixo do esperado, como no início do primeiro tempo, precisamos ser honestos. O Andrés é o que vimos no segundo tempo, não no primeiro, onde estava um pouco confuso. Quando ele ataca espaços e se sente livre para fazer o um contra um, isso traz problemas para o adversário.
(Sobre a pessoa) É alguém extremamente importante no grupo e no clube, mas não posso revelar mais, pois não é apropriado. Mas foi uma das melhores intervenções que já vi. Façam seu trabalho como jornalistas (risos).
Sobre a situação no Brasileirão
— Não seria tão drástico, mas é fato que as Copas são eliminatórias, momentos decisivos em que nos preparamos. As coisas têm fluído melhor nas Copas do que no Brasileirão. Explico o motivo: no Campeonato Brasileiro, nossas atuações têm sido boas até certo ponto. O que nos preocupa é não conseguirmos concretizar as situações que criamos, pois isso poderia nos dar vantagem.
— Estamos muito próximos do abismo. Temos a chance de nos reerguer e ficarmos confortáveis, mas levamos um golpe duro. Quando tentamos reagir, sofremos o segundo gol. Isso afeta a parte mental. Estamos cientes da nossa situação no Brasileirão, mas ainda não conseguimos reverter. Isso mudará com o trabalho que estamos realizando. Sinto que Barros está mais solto e leve, o que é importante. Ele está melhor fisicamente, mentalmente e taticamente. Precisamos disso para sair dessa posição.
Fonte: ge
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