— Essa vitória é importante para nós, mas o que mais se destacou foi a competência que mostramos. Em um jogo de mata-mata, em casa, fizemos uma partida muito sólida. É natural que, após um período sem vitórias, haja insegurança no início, mas a equipe se mostrou forte, soube se recuperar e reagir. O jogo tem mais de 90 minutos e precisamos saber administrar isso, especialmente a nível mental. Fomos crescendo ao longo da partida, e os números mostram que fomos superiores a um time que veio da Libertadores. Não era um adversário qualquer, mas uma equipe de qualidade — afirmou o técnico.
— Conseguimos realizar duas coisas importantes: nos últimos nove jogos, apenas em um não sofremos gols, e sabíamos que precisávamos ser competentes para passar sem sofrer, o que conseguimos. Além disso, voltamos a vencer e seguimos adiante. Sabemos que precisamos melhorar, mas hoje continuamos nossa trajetória. No último jogo em casa, contra o Mirassol, estivemos muito próximos da vitória e também crescemos durante a partida. Faltou um pouco de serenidade nas decisões nos últimos 20 metros, especialmente dentro da área. Há ansiedade para finalizar rapidamente, mas isso faz parte do nosso momento. Estou satisfeito por termos cumprido o objetivo de avançar.
Apesar da classificação, Pedro Emanuel ainda vê espaço para evolução na equipe. Ao ser questionado sobre o estilo de jogo que deseja implementar, ele elogiou a postura do elenco.
— Quero que nossa posse de bola seja mais objetiva, e a transição ofensiva é parte do jogo. Temos muitos jogadores capazes de levar a bola para frente com espaço. Nos últimos dois jogos, isso não foi tão possível, mas faz parte do processo que queremos aproveitar. A transição defensiva também foi boa, pois os jogadores estão comprometidos. Essa vitória é deles, não minha, pois mudaram sua atitude mental e a forma como encaram o que precisa ser feito. O mérito é todo do grupo, que merece essa vitória e o carinho da torcida.
O Vasco voltará a campo às 17h30 (horário de Brasília) do próximo sábado, 1º de agosto, para enfrentar o Fluminense na Copa do Brasil. O jogo de volta está marcado para o dia 5, às 21h30, ambos no Maracanã.
Outros tópicos da entrevista de Pedro Emanuel:
- Escolha do time titular:
— Escalei os jogadores que estavam prontos para dar uma boa resposta no início da partida. Sei que quem está ao meu lado está preparado para entrar. Temos consciência de que, nesse curto espaço de tempo, teremos muitos jogos, e todos precisam estar prontos. Estou satisfeito com isso; eles estão vivos e dinâmicos. É natural que todos queiram jogar, mas isso faz parte das minhas escolhas.
- Robert Renan e Saldivia:
— O Robert sentiu um cansaço, pois tem jogado muitos jogos consecutivos após seis semanas de pausa. Essa gestão já estava prevista e ocorreu um pouco antes do esperado. Eles têm dado consistência, Cuesta e Robert, por isso mantivemos a dupla, pois o corredor central é importante para nós.
— O Saldivia está voltando de lesão. Ele precisa do meu apoio, assim como o Lucas Freitas, se entrar. Eu já fui jogador e sei como é importante sentir que temos apoio. Quero que isso aconteça com todos os jogadores da equipe. Isso é fundamental para recuperarmos a confiança e a serenidade nas decisões.
— Reconheço que nossa torcida é exigente, e isso é positivo. Contudo, é importante apoiarmos todos os jogadores, especialmente aqueles que estão enfrentando dificuldades. Todos nós erramos, e o futebol é um jogo de erros. Precisamos conviver com isso.
— Se tivermos o apoio e a paciência da torcida, será fundamental. Hoje, ela nos apoiou em um dia difícil, com vento e tempestade, e sua presença foi crucial. Pedimos um pouco de paciência, pois no futuro também poderei precisar de compreensão pelas decisões que tomar.
— Estou aqui para proteger meus jogadores, sejam eles Saldivia, Freitas, Tchê Tchê ou qualquer outro. Se estão em campo, é porque confio neles e acredito em seu potencial.
Pedro Emanuel em Vasco x Independiente Medellín — Foto: André Durão
- O que falta para a equipe encaixar 100%?
— Precisamos dar continuidade. Comecei esta coletiva dizendo que cumprimos nosso objetivo de avançar na eliminatória contra um adversário que veio da Libertadores. Temos consciência de que o objetivo foi alcançado, mas sabemos que ainda há muito a fazer para atingir o que pretendo. Precisamos de tempo, e não temos, pois teremos seis jogos em 18 dias.
— Quero que todos os jogadores dominem as necessidades da equipe em suas funções individuais para que possam ajudar coletivamente. Essa é minha preocupação no momento, gerindo. Muitos jogadores ainda estão ganhando ritmo de jogo. Não significa que estejam mal fisicamente, mas a evolução do nosso estilo de jogo exige desgaste. Hoje, foram guerreiros. Não tiveram tempo para se recuperar completamente desde o último jogo, mas vamos tentar fazê-lo para o próximo, que também é uma eliminatória.
- Primeira vitória no Vasco e atuação de PH:
— Não quero individualizar, pois acredito que fizemos uma partida competente. Isso significa que fizemos o suficiente durante todo o jogo, tanto ofensivamente quanto defensivamente, para avançar.
— É simples assim. Não quero destacar ninguém, pois este jogo é coletivo. Naturalmente, o PH entrou em um momento importante e respondeu bem em campo. Espero isso de todos, e vários já mostraram isso nos últimos jogos. Estamos mais preparados para dar respostas. É isso que espero do PH e de todos na equipe.
— Acredito que isso fez com que a equipe fosse competente, não deslumbrante. No fim, a vitória é justa pelo que fizemos, pelo que criamos e pelo que não concedemos.
- Estilo de jogo desejado:
— Você fez uma pergunta que eu poderia levar 20 minutos para responder, mas serei objetivo. O que queremos em nosso estilo de jogo está muito relacionado às características dos nossos jogadores. Não é em dez, 12 ou 15 dias que conseguiremos implementar tudo com jogos no meio. As ideias estão sendo passadas, mas, se observar, hoje tivemos mais posse de bola. Precisamos ser mais objetivos quando chegamos a momentos no meio, entrelinhas. Hoje, já melhoramos em muitos aspectos.
— Estamos avançando nesse sentido, mas isso também está ligado ao que ocorreu no último jogo, contra o Mirassol. O adversário recuou, jogou em um bloco baixo e muito próximo, e precisamos ter a capacidade de desmontar essas organizações defensivas. Muitas vezes, a posse de bola se torna pouco objetiva.
— Quero que a posse de bola seja mais objetiva, e a transição ofensiva é parte do jogo. Temos jogadores capazes de levar a bola para frente com espaço. Nos últimos dois jogos, isso não foi tão possível, mas faz parte do momento que queremos aproveitar. A transição defensiva também foi boa, pois os jogadores estão comprometidos.
— Por isso, essa vitória é muito mais deles do que minha. Eles mudaram sua atitude mental e a forma como veem o que precisa ser feito. O mérito é todo do grupo, que merece essa vitória e o carinho da torcida.
Thiago Mendes Adson Vasco Independiente Medellín — Foto: Pablo Porciuncula/AFP
- Confiança do time do Vasco:
— Essa é uma boa pergunta, pois o tempo é curto. As vitórias sempre trazem confiança e moral, especialmente para este grupo que precisava disso. Quando falo “este grupo”, me refiro a todos, não apenas aos jogadores. Os atletas, em especial, precisam acreditar no nosso trabalho e no que estamos fazendo.
— Fui muito bem recebido. A forma como estou trabalhando me permite afirmar que podemos melhorar a cada dia. Mesmo com pouco tempo, sinto essa confiança. Ligando isso à nossa torcida e à dimensão do Vasco, precisamos vencer mais. Esse é nosso objetivo e é para isso que trabalhamos diariamente. Hoje é dia de celebrar. Amanhã, começamos a preparar o jogo contra o Fluminense pela Copa do Brasil.
- Thiago Mendes:
— Ele ainda precisa ganhar ritmo. Acredito que o Thiago, assim como muitos outros, pode fazer muito mais pela nossa equipe. Mas hoje ele foi um diferencial, pois fez o gol. Os líderes aparecem em momentos como este, e ele se destacou em campo. Mesmo não gostando de individualizar, o Thiago deu à equipe o que precisávamos, assim como todos os outros. Foi uma vitória difícil, mas bem conquistada. Acreditamos que podemos fazer melhor, e já começamos a preparar o próximo jogo.
- Jair e meio-campo do Vasco:
— O Jair está completamente liberado e pode jogar tudo. Ele tem treinado muito bem. Sobre o meio-campo, vou te fazer uma pergunta. Você está aqui há mais tempo do que eu. Quantas vezes esse meio jogou junto, com Thiago, Tchê Tchê e Ramon? Poucas, certo? Eles se conhecem dos treinos, mas a ligação em jogo ainda não é tão fluida. Isso faz parte do risco que assumi.
— Sabia que, ao escalar o Thiago, ele teria que recuar mais na saída de jogo. No segundo tempo, fizemos alterações para dar frescor e novas dinâmicas ao jogo, permitindo que chegássemos mais à frente com qualidade. A lógica é essa. Sabia que corríamos esse risco, mas precisávamos de qualidade.
— Tchê Tchê tem qualidade com a bola, Thiago também, e Ramon é muito bom com a bola. Jogamos com três homens no meio que nos permitiram ter controle do jogo. Precisávamos de mais fluidez. O problema na primeira parte foi a lentidão na circulação, que permitiu ao adversário se reposicionar e defender a área com eficácia. Na segunda etapa, ao abrir espaços, conseguimos chegar mais vezes e com mais perigo à área adversária, com o mesmo meio-campo e as mudanças que fizemos. A ideia era que eles crescessem para que a equipe não recuasse, mas sim avançasse. E, como comecei, quantas vezes eles jogaram juntos? Poucas. Precisam de tempo para que isso se torne fluido.
Vasco x Independiente Medellin — Foto: André Durão
- Evolução do Vasco desde a chegada de Pedro Emanuel:
— Vocês não me conhecem como jogador ou treinador. Se forem ao Porto e perguntarem, saberão quem sou. O que falei sobre o Vasco e a ligação que temos está muito ligado à vontade do grupo de trabalho desde o primeiro dia: uma grande disposição, mudança de atitude e crença. Isso é o que sou, e isso senti na equipe.
— Agora, todo o resto precisa de tempo para ser implementado. O que vi no último jogo contra o Mirassol e no de hoje foi vontade, determinação, competência e compromisso com a equipe. Isso é inegociável para mim como treinador, e os jogadores têm demonstrado isso. Além disso, precisamos restabelecer a conexão com nossa torcida. Que ela nos ajude em todos os momentos do jogo, tanto positivos quanto negativos. Sei que eles podem fazer isso, e esse é meu pedido.
— A exigência está aqui, e a dimensão do Vasco todos conhecem. O que podemos fazer juntos é algo que quero melhorar a cada dia. Vejo essas melhorias desde o jogo contra o Mirassol. Três dias depois, temos nossa torcida presente novamente, e felizmente pudemos presenteá-los com mais um jogo competente. Um jogo que não foi extraordinário, mas que nos permitiu avançar para a próxima fase. Sinto que estamos no caminho que pretendo, mas ainda temos muito a fazer e o tempo é curto. Vamos tentar, a cada jogo, manter essa solidez e, principalmente, não sofrer gols e vencer.
- Ramon Rique:
— Ele não é um camisa 10. Na nossa forma de jogar, é um jogador que possui características que valorizo no meio-campo. Tem muito para crescer. Acredito em seu valor, tanto técnico quanto tático, e ele já mostra muito para a idade que tem. É importante apoiá-lo. Ele não é um jogador que joga de costas para o jogo, mas sim um jogador que atua mais de frente.
— Ele é um 8, muito versátil, mas a equipe precisa de consistência, e ele nos proporciona isso, tanto taticamente quanto fisicamente. Hoje, esteve um pouco abaixo do que é normal, mas é mais um que está evoluindo fisicamente. Estou satisfeito com seu desempenho, pois ele está aproveitando a oportunidade.
— Portanto, isso é uma excelente notícia para nós. Que tenhamos mais jogadores como ele em nossa base, para que possamos apoiá-los em seu crescimento. Agora é passo a passo, oferecendo o apoio e a exigência necessárias para que ele cresça com segurança e se torne uma certeza em nosso futebol.
Fonte: ge
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