O resultado refletiu o que foi a partida de ida: um confronto bastante equilibrado, mas com a impressão de que ambas as equipes estavam mais focadas em evitar erros e não sofrer gols. As oportunidades de maior perigo foram escassas, o que gera expectativa para o jogo de volta, marcado para a próxima quarta-feira.
— O Fluminense é uma das equipes com maior posse de bola no nosso campeonato. O objetivo inicial era equilibrar isso, e o início da partida foi um bom indicativo: com qualidade na posse e na circulação. Faltou, de fato, um pouco mais de objetividade no último terço. Isso está ligado à confiança que estamos buscando. Mas acreditamos no processo, no valor e na nossa equipe. Isso ficou evidente hoje — comentou o treinador português.
Pedro Emanuel em Vasco x Fluminense, pelas oitavas da Copa do Brasil — Foto: André Durão
— Faltou um pouco de sorte. Tivemos uma excelente oportunidade, assim como o Fluminense, mas acredito que a nossa foi ainda mais clara, e com um jogador (Tchê Tchê) que, como vocês sabem, vem sendo bastante exigido. Mesmo que tivéssemos marcado, o placar ainda estaria em aberto. A equipe demonstrou em dois jogos que está viva, é competitiva, e arrasta a torcida para o nosso lado, acreditando até o final. Isso é um grande mérito dos jogadores, que tiveram uma atitude fantástica. Fomos competitivos até o final.
Esse foi o primeiro clássico de Pedro Emanuel à frente do Vasco e sua estreia no Maracanã. O técnico expressou orgulho pelo nível de competitividade apresentado e pela atitude dos jogadores em um 0 a 0 considerado “natural” para o primeiro jogo de um duelo eliminatório.
— Saio com o sentimento de orgulho. Fomos extremamente competitivos. É um clássico no Maracanã, minha estreia aqui, e isso me deixa satisfeito pela atitude. Logicamente, queremos mais, podemos fazer mais e vamos fazer mais. Mas é um bom indicador. Só não saio satisfeito porque não ganhamos. Estamos na primeira mão, os primeiros 90 minutos de 180, e empatar em 0 a 0 é perfeitamente natural neste momento da eliminatória — destacou Pedro Emanuel.
Pedro Emanuel em Vasco x Fluminense, pelas oitavas da Copa do Brasil — Foto: André Durão
Com o empate sem gols, não há vantagem para o jogo de volta das oitavas de final. Fluminense e Vasco se reencontram na próxima quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Maracanã. O vencedor se classifica, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
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Time está da forma como quer?
— Acreditamos que o trabalho que estamos desenvolvendo trará melhores resultados. Não temos tido muito tempo. É preciso valorizar a capacidade do grupo em absorver nossas ideias e estar receptivo às mudanças para melhorar individual e coletivamente. O grupo tem sido exemplar. Trabalha de forma exemplar, estava em um momento difícil, mas está recuperando a confiança e acreditando em si mesmo. Isso nos ajudará a sermos melhores. Estamos no caminho que pretendo, tentando vencer mais vezes. Mas, se mantivermos essa atitude e compromisso, todos os planos que traçamos para os jogos têm sido cumpridos à risca pelos jogadores. Às vezes com mais ou menos qualidade, mas isso faz parte do processo e estamos aqui para ajudar e fazer com que a equipe acredite.
Rotação no setor ofensivo e três volantes.
— Estou rodando não só os atacantes, mas todos. Quero frescor na equipe, quem tem trabalhado durante a semana merece as oportunidades. Por isso, apresentamos a cada jogo a melhor equipe disponível, tanto física quanto mentalmente, e a melhor estratégia para cada partida. Naturalmente, isso afeta o ataque, assim como o meio-campo.
Opção por três volantes
— Você mencionou os três volantes, mas às vezes é preciso definir o que é volante, porque estamos colocando jogadores em posições semelhantes, mas não são. Há jogadores que têm essa capacidade, e o Ramon (Rique) é um deles, um (camisa) 8 claro, que inicia a construção e pode chegar à frente, e nos permite avançar, assim como o Tchê Tchê. Infelizmente, ele não conseguiu marcar, o que seria a cereja do bolo, já que tem sido um guerreiro, assim como o Jair, a quem dei a braçadeira de capitão hoje porque merece. Ele representa muito para o grupo, para o clube, e tem uma história bonita. É um exemplo do que queremos para o Vasco, alguém com esse caráter para que nossa equipe seja melhor, tenha humildade e caráter. São dois bons exemplos.
Jogadores com capacidade de construção no meio-campo
— Temos vários, tanto que hoje o Tchê Tchê frequentemente iniciou a construção. Isso é muito importante para nós, pois quanto mais jogadores de qualidade pudermos introduzir, mais limpas serão as jogadas de ataque. Agora, precisamos de um pouco de tudo, dependendo do jogo e das características do adversário. Sobre o Jair, não é uma gestão de minutos tão simples como eu, talvez, deveria ter feito um pouco mais cedo com o Andrés. O Andrés caiu bastante no segundo tempo. Vou ser sincero, talvez o Marino pudesse ter entrado em algum momento, mas achei arriscado para ele. O Marino está buscando recuperar a confiança e talvez não fosse o ideal. O mesmo se aplica ao Jair. Ele teve 11 meses fora. Tem sido bastante solicitado. Retornar e readaptar-se é muito diferente de apenas treinar. Não queremos arriscar a evolução que ele está tendo, para que volte a ter a importância que sempre teve nas equipes por onde passou e aqui no Vasco. Ele teve um revés, a vida é assim, e agora está se recuperando e ganhando confiança, e queremos que continue assim, sem interrupções nesse processo.
Evolução sem sofrer gols
— A equipe está comprometida com o processo defensivo. Vocês podem ver no discurso que o Léo (Jardim) tem como goleiro a presença que ele sente, e hoje ele foi decisivo no único momento que teve durante praticamente todo o jogo. Conseguimos isso contra uma equipe como o Fluminense, que possui boas individualidades e um jogo ofensivo dinâmico, e conseguimos conter isso com uma boa estratégia e interpretação. Hoje tivemos três ou quatro aproximações legítimas para criar perigo e uma situação clara de gol que não foi convertida. No último jogo, tivemos mais de 20 arremates e continuamos com a mesma questão. É necessário algum tempo para trabalharmos a forma como queremos que os jogadores ocupem a área, e não tem sido possível. Temos tentado, mas a sequência de jogos tem sido intensa e trabalhamos em cima disso. É só recuperar e jogar. Não nos permite aprofundar em tudo que gostaríamos de fazer com a nossa equipe para evoluir na eficácia e confiança para sermos mais eficazes ao atacar o gol adversário.
Autoriza a treinar cobranças de faltas
— Naturalmente, observamos quem tem mais condições e características para executar esse momento do jogo, que é importante. O momento da equipe também não ajuda alguns jogadores a assumirem e baterem esse tipo de faltas. Mas vamos treinar.
Chegada de Santiago Sosa
— Este é o elenco que tenho neste momento. Falo dos que estão aqui. No dia em que chegar alguém, irei comentar. Quando estiver oficializado, poderei falar desse jogador. Neste momento, não é algo que posso acrescentar.
Jair e Thiago Mendes juntos
— Se formos considerar as possibilidades, tenho sempre todas em mente. Hoje, considerei jogar eventualmente com dois volantes para termos consistência, mas não foi essa a ideia. O Jair é um exemplo do que é acreditar que se pode voltar a um nível, mesmo não estando em boa forma física. Ele tem a capacidade e a experiência para agregar qualidade à equipe, como vimos hoje. Essa foi a ideia de introduzir o Jair para ter mais qualidade com a bola, mais capacidade de sair limpo da zona média, ler o jogo defensivamente em diferentes momentos. Foi o que buscamos hoje e ele concretizou perfeitamente. Representou o caráter que nossa equipe possui e continuará tendo para sermos melhores. Ajuda bastante quem está ao seu redor, irradia tranquilidade e serenidade na tomada de decisão. Mesmo na linha defensiva, se perceber, tivemos uma construção mais conectada, mas faltou um pouco de critério ao passarmos da primeira para a segunda e terceira fase, mas o adversário também joga e cria dificuldades. Precisamos saber como contornar isso. Hoje foi um bom exemplo do que podemos fazer, sermos competitivos e estarmos vivos. Estamos bem vivos, jogando um clássico no Maracanã com nossa torcida. Hoje fiquei novamente apaixonado, pois nossa torcida é isso, nos impulsiona e nos faz acreditar até o final. Hoje novamente fiquei apaixonado.
Mais sobre Thiago Mendes
— Sendo sincero, após assistir a este jogo, até eu gostaria de entrar em campo. Já não posso e não consigo. Mas sim, ele é um dos capitães, alguém que tem uma voz forte no grupo e que contribui muito para a qualidade que impomos ao nosso jogo, na capacidade da equipe de ser mais efetiva. Ele contribui bastante para isso. Estamos felizes porque ele vai voltar, mas no segundo jogo as equipes se conhecem um pouco melhor, haverá uma ou outra mudança, não sabemos. Precisamos avaliar bem todas as melhores opções. Acredito que será mais um excelente jogo competitivo. Não vimos um jogo tecnicamente muito bem jogado, mas sim um jogo muito disputado, como deve ser um clássico, vivido com intensidade do primeiro ao último minuto. Falta o recorte técnico, que precisa voltar a estar presente. A capacidade de improviso, fazer a diferença quando temos a bola e ter a coragem de não apenas assumir as decisões, mas também de não ter medo de ser feliz.
Como melhorar na fase ofensiva?
— Precisamos ser mais eficazes e efetivos no último terço, isso é uma preocupação nossa. Não temos tido muito tempo para aprofundar isso. Há um rodízio que temos feito e há combinações que só com o tempo conseguimos aprofundar, apesar de já estarem aqui há algum tempo. Estamos pedindo dinâmicas diferentes para esses jogadores que vão rodando no nosso meio-campo, ataque e até nas laterais. Os únicos que têm rodado menos e que terão suas oportunidades são Freitas e Saldivia, que entrou um pouco no último jogo após lesão. Mas todos os outros têm oportunidades e isso é o futebol, é mostrar quando temos as oportunidades.
Marcar com blocos mais altos
— O Vasco tem um lema que eu acredito bastante e que representa muito do que é o gigante da colina, que é sermos corajosos. Hoje os jogadores deram uma boa resposta nesse sentido. A proposta do plano de jogo era arriscada e corajosa, e eles interpretaram muito bem em muitos momentos, ganhando a bola no meio-campo ofensivo, muitas vezes com a batida longa do Fluminense que nos entregava a bola. Esse era o plano, mas o adversário também joga e tem dinâmicas com algumas substituições para sair da pressão. Mas conseguimos nos adaptar e isso faz parte do que é o futebol. Não somos perfeitos, gostaríamos de ter ganhado todas as bolas, mas não foi possível. Há um primeiro, segundo e terceiro momento de pressão. Não quero revelar tudo porque teremos outro jogo em breve. Um dia explico isso, pois está relacionado com a coragem que quero ver na nossa equipe para ganhar o respeito do adversário, sabendo que no momento em que não tivermos a bola, seremos fortes, agressivos, intensos e, acima de tudo, corajosos.
Marino Hinestroza
— Marino é um jogador jovem, que na temporada passada foi fantástico, e vem com grandes expectativas, mas em muitos momentos a culpa não é só dele. A equipe também não o tem ajudado, a forma como as coisas têm se desenrolado não têm colaborado, e ele tem tido menos oportunidades e enfrentado mais dificuldades nesse sentido. Temos tentado apoiá-lo e não acredito que ele seja um desistente. Parece ser um jogador extremamente combativo e agressivo. No entanto, ele ainda é jovem e está se adaptando a uma realidade e cultura diferentes, e naturalmente quer mostrar cada toque na bola. E nem sempre o futebol funciona assim, nem sempre a equipe pode ajudá-lo. Mas eu quero muito mais dele.
Mudanças táticas
— Não gostaria de abrir muito, no sentido de não passar muita informação, mas eventualmente poderemos. É reconhecer a qualidade e capacidade do adversário, e o rival de hoje realmente tem bastante qualidade. Essas variações de forma, seja um 4-2-3-1 ou 4-4-2, você pode chamar como quiser, a dinâmica que será introduzida é que fará essas alterações. Porque se tirarmos uma foto em diferentes momentos, às vezes estamos com 5-4-1, outras vezes 5-3-2 ou 5-2-3. Portanto, isso depende do momento. Agora, essas nuances eu quero nas minhas equipes, pretendo que elas tenham a capacidade de adaptação, que o próprio jogador saiba o que pode fazer em cada momento. Isso, para mim, é o mais importante: entrar em campo identificado com nossa estratégia como equipe e seu desempenho individual.
Respeito de atletas à arbitragem na Copa do Mundo e comparação com futebol brasileiro:
— Eu só posso falar por mim. Venho de uma cultura em Portugal onde também se diz que “o árbitro é sempre culpado”, mas não lido com as coisas dessa forma. Tenho um grande respeito pelo trabalho que os árbitros fazem, que é muito difícil. Também é preciso ser corajoso, em qualquer país. Mas acho que parte de nós é o exemplo que queremos dar. Naturalmente, o árbitro tomará decisões que às vezes não me agradam, mas não é por eu insultar ou ser agressivo com ele que ele entenderá melhor. Tento transmitir isso aos jogadores. Devemos respeitar o trabalho dos árbitros e tudo que envolve isso, pois o árbitro faz parte do jogo. Por isso, precisamos saber respeitar. Hoje, durante todo o jogo, tive um grande respeito por parte da arbitragem. Errar, todos erramos. Eu erro em uma substituição, o árbitro em uma decisão. Felizmente, agora temos o VAR para ajudar e corrigir. Mas há algo que não podemos alterar no futebol: é emoção, e às vezes reagimos. Eu também já fiz isso no passado, tento evitar agora. Com a idade, depois dos 50, você começa a ter um pouco mais de juízo. Tento ter essa responsabilidade na relação que tenho com a arbitragem. O jogo é festa, não luta. O futebol é celebração. Haverá momentos em que isso não acontece, e precisamos saber lidar com isso. A culpa não pode ser apenas dos árbitros.
Andrés Gómez e opção pela entrada de Puma Rodríguez:
— Fui dizer a ele que sairia. Ele disse “não, quero continuar, me deixe que ainda consigo”, e eu respondi “está desgastado, ainda teremos jogo”. Foi um pouco isso. É de fato um jogador que introduz, entre os vários que temos na posição, isso que você mencionou, é mais agudo. Hoje, ele não se saiu tão bem, mas tem algo que introduz na equipe e no adversário. O adversário sente que a qualquer momento algo pode sair dali. Só por isso mantive ele em campo, e acho importante perceber que bons jogadores também têm dias ruins. Andrés é um bom jogador, mas hoje não fez uma boa partida. Contudo, aprecio o caráter que vi hoje na nossa equipe. Não desistir, querer mais, lutar e ajudar. Por isso, ele permaneceu em campo por tanto tempo.
— Quanto ao Puma, de fato era o momento. Estávamos caindo fisicamente, e o Fluminense estava criando algumas dificuldades para nós. Preferi, em uma fase tão adiantada do jogo, quando percebi que não estávamos conseguindo chegar com critério à zona de finalização, resguardar um pouco mais. O Puma, muitas vezes, é um dos nossos que atuam como pontas. Ele também precisa dessa confiança, e por isso terminou bem o jogo.
Transição com a base
— O sub-20 merece parabéns por chegarem a uma final. É uma tradição, as crias da Colina fazem parte da história do clube. Entre eles, o Ramon, que poderia eventualmente acrescentar. Mas o caminho é esse, perceber que Ramon é um exemplo do que pretendemos e a oportunidade de chegar para qualquer um. Na apresentação, eu disse que para mim a qualidade não tem idade. No ano passado, lancei dois jogadores com 17 anos na equipe onde estava; se têm qualidade e fazem a diferença, jogam. Para mim, isso não é uma questão, pois eles fazem parte e acrescentaremos quando precisarmos de sua qualidade. Também precisamos perceber que são jovens e precisam de tempo para crescer. Porque não é matemática. Não é chegar aqui com qualidade no sub-20, aparecer na equipe principal e tudo acontecer. Precisamos ter a noção de que as coisas não são tão simples como se quer passar. Concordo que temos qualidade na formação, é mérito do clube não deixar cair a capacidade de gerar jogadores. Por isso, na temporada passada, fomos o segundo clube que mais atletas forneceu às seleções. É um orgulho para qualquer torcida e qualquer clube. É um processo natural. Trabalhei também na formação e há muitos jogadores que chegam. Podem verificar o percentual de jogadores que vão para as seleções e depois não se tornam profissionais. É um bom indício da proporção que existe. Vamos dar espaço para que possam crescer, não queremos pressionar.
Filosofia para entender o que é a melhor versão para o meio-campo do Vasco:
— Minha principal função enquanto treinador, em um momento como este, é avaliar muito bem o elenco. Em função do elenco, ajustar também a estrutura, o sistema, como você quiser chamar. Não tivemos tempo para isso, mas normalmente utilizamos dois ou três sistemas. Muitas vezes, ao formar um elenco, procuro jogadores com versatilidade para que possam atuar, dentro do próprio jogo, em dois ou três sistemas diferentes. Olhando para isso, o Tchê Tchê poderia acrescentar saída de bola, chegada no meio-campo ofensivo e na área adversária. A ideia era exatamente essa. Em alguns momentos, jogamos quase com três volantes, mas que se desdobravam no momento em que passávamos para a construção. É importante perceber que as dinâmicas são mais relevantes que os esquemas. As características dos jogadores sempre prevalecerão. Hoje, o Ramon e o Tchê Tchê tiveram muito a ver com isso. Para o próximo jogo, as equipes já se conhecem melhor, e precisamos buscar dinâmicas diferentes dentro das características dos jogadores. Em alguns momentos, somos 4-3-3 com um 6 e um 8, em outros, com um 6, um 8 e um 10. Outras vezes, com dois volantes e um 10, ou um meia. Isso depende do que o jogo nos solicita e das características dos atletas.
Fonte: ge
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