Essa conclusão foi alcançada após análise dos demonstrativos contábeis dos 20 clubes que participaram da Série A no ano passado, além dos quatro que ascenderam da Série B. O Remo foi o último a apresentar suas informações, fora do prazo estipulado pela Lei Geral do Esporte.
Para determinar a dívida total de cada clube, foram somadas as obrigações de curto prazo, a serem quitadas em até 12 meses (circulante), e as de longo prazo, que vencem após esse período (não circulante).
O Corinthians lidera o ranking de dívidas, com um passivo de R$ 2,75 bilhões. A maior parte desse montante refere-se a dívidas de longo prazo, sendo R$ 730,2 milhões relacionados a parcelamentos tributários. Assim, menos da metade da dívida total do clube é de curto prazo, totalizando R$ 979,7 milhões, um valor inferior ao registrado anteriormente, quando o passivo circulante era de R$ 1,27 bilhão.
Em contraste, o Atlético-MG apresenta uma situação em que mais da metade de seu passivo total de R$ 2,66 bilhões é de curto prazo, somando R$ 1,35 bilhão. O clube também registrou o maior déficit do ano de 2025, com um saldo negativo de R$ 882,1 milhões. Dentro das dívidas a serem pagas em 12 meses, R$ 685,2 milhões são referentes a “empréstimos e financiamentos”.
O Botafogo enfrenta desafios financeiros semelhantes, com 67% de seu passivo total de R$ 2,01 bilhões concentrados em dívidas a curto prazo (R$ 1,34 bilhão). O clube possui R$ 1,1 bilhão em contas a pagar relacionadas a transferências de jogadores, grande parte desse valor se enquadra no passivo circulante. O Botafogo também encerrou 2025 com o segundo maior déficit do ano, totalizando R$ 290,8 milhões, atrás apenas do Atlético-MG.
O São Paulo também figura entre os clubes com dívidas superiores a R$ 2 bilhões, totalizando R$ 2,45 bilhões. Assim como o Corinthians, a maior parte de sua dívida é de longo e médio prazo. Um dado preocupante é o aumento do passivo circulante, que saltou de R$ 844,7 milhões em 2024 para R$ 1,03 bilhão em 2025. É importante ressaltar que o balanço financeiro apresentado pelo São Paulo não obteve aprovação do Conselho Deliberativo do clube.
Patrimônio líquido
Outra maneira de avaliar a saúde financeira de um clube é por meio do patrimônio líquido, que representa o valor dos ativos disponíveis após a dedução de todas as dívidas.
Apesar de apresentarem dívidas totais superiores a R$ 1 bilhão, Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Internacional têm situações financeiras menos complicadas, pois todos possuem patrimônio líquido positivo, ou seja, seus ativos superam suas dívidas.
O Flamengo, por exemplo, possui uma dívida total de R$ 1,26 bilhão, mas conta com o segundo maior patrimônio líquido do Brasil, com R$ 954 milhões em ativos. O atual campeão da Libertadores e do Brasileirão está atrás apenas do Athletico-PR, que é o único clube brasileiro com patrimônio ativo superior a R$ 1 bilhão, embora sua dívida total seja de R$ 404,8 milhões.
O Corinthians, por sua vez, além de ter a maior dívida acumulada, também apresenta o patrimônio líquido mais negativo, com um déficit total de R$ 774,1 milhões. Isso indica que, mesmo que o clube venda todos os seus ativos, ainda assim ficaria devendo cerca de R$ 1 bilhão.
— Um patrimônio líquido negativo é um sinal de alerta, pois indica que o clube acumulou um passivo maior que seus ativos ao longo do tempo. Isso limita a capacidade de investimento, aumenta a pressão financeira e torna o clube mais vulnerável esportivamente. No entanto, no futebol brasileiro, é essencial analisar cada caso, uma vez que muitos clubes convivem há anos com estruturas patrimoniais desequilibradas — afirma Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte.
O Atlético-MG, apesar de suas dívidas bilionárias, mantém um patrimônio líquido positivo, embora com um alerta. Em 2024, esse valor era de R$ 859,6 milhões, mas caiu para R$ 82,5 milhões em 2025, uma redução de 90,4% em um ano.
— O déficit de 2025 teve um impacto significativo e acelerou a deterioração patrimonial do clube. Isso ressalta a importância de equilibrar o crescimento esportivo com a sustentabilidade financeira a longo prazo — conclui Pedro Weber.
Fonte: ge



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