
A maioria dos torcedores rejeitou as publicações feitas por clubes brasileiros em apoio às casas de apostas. Um levantamento realizado pela consultoria Bites a pedido do GLOBO revelou que posts divulgados na última quinta-feira (17), que alertavam sobre um possível “fim do futebol brasileiro” devido à intenção do governo federal de endurecer as regras contra as apostas, apresentaram até 90% de comentários negativos nas redes sociais.
As análises incluíram publicações de Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, sendo que os quatro clubes paulistas fizeram uma postagem conjunta com a federação estadual. O Vasco registrou o maior índice de rejeição, com 90% dos comentários contrários às apostas.
No post do Flamengo, a rejeição foi de 86%, enquanto a publicação que envolveu os quatro clubes de São Paulo teve 85% de comentários negativos.
Os comentários que não se manifestaram abertamente contra as apostas foram classificados como “neutros” ou “outros”. Contudo, mesmo entre os “neutros”, houve críticas aos clubes, mas sem menção direta às apostas.
As publicações também se destacaram pelo elevado número de comentários. O post do Vasco gerou quase 25 mil comentários, 50% a mais do que o segundo post com mais interações nos últimos 30 dias. Já a publicação do Flamengo recebeu mais de 55 mil respostas, quase o dobro do segundo post nesse mesmo período.
Na quinta-feira, diversos clubes do futebol brasileiro publicaram uma nota intitulada “O fim do futebol brasileiro”, alertando sobre o impacto de possíveis novas medidas no setor de apostas esportivas. Vários dos principais clubes do país são patrocinados por casas de apostas, e uma eventual restrição ou proibição pode afetar o futebol.
Em resposta aos clubes, o presidente Lula criticou as apostas em um comício em Guarulhos, na noite da última sexta-feira.
— Eu decidi que vou acabar com as bets. Os times de futebol, liderados pelo Flamengo, Corinthians e por todos os times, disseram que se eu acabar com as bets, vou acabar com o futebol […] as bets arrecadaram R$ 62 bilhões. O governo não está preocupado se vai perder mais imposto. O que eu não posso é perder a vida dos pobres jogando. […] Esse negócio de que se acabar com as bets acaba com o futebol é balela. […] Nós temos é que acabar com a pouca vergonha no futebol — afirmou.
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