Renato Gaúcho aborda diversos temas em coletiva após derrota do Vasco para Audax Italiano

Renato Gaúcho fala sobre a derrota do Vasco para o Audax Italiano em coletiva.

Renato Gaúcho reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo Vasco para manter o resultado contra o Audax Italiano, na noite de terça-feira, pela Copa Sul-Americana. A equipe, que teve JP expulso ainda no primeiro tempo, conseguiu abrir o placar, mas acabou sendo derrotada por 2 a 1 em São Januário.

O jogo foi marcado por polêmicas. O meio-campista foi expulso em um lance em que sofreu falta. Na reta final, o zagueiro Cuesta também recebeu cartão vermelho por pênalti após revisão do VAR. O treinador criticou a atuação do árbitro uruguaio Hernan Heras, mencionando que a Conmebol havia aberto um processo disciplinar contra ele por não ter comparecido a Buenos Aires na semana anterior para o jogo contra o Barracas Central.

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— Eu sempre disse que a prioridade do clube é o Brasileiro. Eu não viajei, fui criticado, e a Conmebol se manifestou… Será que a Conmebol vai se manifestar sobre o árbitro de hoje? Ou vão se manifestar sobre mim? A Conmebol deve se preocupar com quem apita os jogos. É essa a preocupação da Conmebol (processo)? Mas ninguém está dando desculpa pela derrota. Sabíamos que seria difícil, começamos na frente, perdemos um jogador no primeiro tempo. É complicado jogar 11 contra 11, e com um a menos então… Infelizmente, o adversário cresceu e, no final, cometemos um pênalti infantil que nos custou a partida – questionou.

Renato Gaúcho em Vasco x Audax Italiano — Foto: Jorge Rodrigues/AGIFRenato Gaúcho em Vasco x Audax Italiano — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

Mais uma vez, Renato Gaúcho optou por escalar um time reserva para o início da partida. Durante o confronto, Thiago Mendes, Andrés Gómez e David foram acionados. Com a derrota, o Vasco acumula cinco jogos sem vencer e o elenco foi alvo de vaias em São Januário.

— Eu entendo o torcedor. Ele é apaixonado, paga ingresso e quer ver o time vencer. Mas tenho uma opinião: você tem a Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro. Não é possível ter as duas coisas. O torcedor prefere que avancemos na Sul-Americana e fiquemos na zona de rebaixamento do Brasileiro? Essa é a pergunta que o torcedor deve fazer. Não adianta escalar a mesma equipe a cada três dias, eu fui jogador. Se eu colocar a mesma equipe, vamos perder tanto no Brasileiro quanto na Sul-Americana. Sei que o torcedor fica chateado, mas ele deve fazer essa pergunta – afirmou.

O time retorna a campo no sábado, novamente em São Januário, para enfrentar o São Paulo pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Mais declarações de Renato Gaúcho

Preocupa a falta de efetividade nas finalizações?— É complicado para o treinador comentar sobre isso, pois não estava aqui quando o grupo foi montado. Agora, na pausa para a Copa, conversei com Pedrinho e a diretoria, precisamos ser precisos nas contratações, trazendo jogadores com características diferentes dos que temos. Até lá, o torcedor precisa ter paciência. Sei que o torcedor está sofrendo há bastante tempo, mas não adianta ofender, pois este grupo precisa ir até o meio do ano. Até lá, a torcida deve continuar nos apoiando, mas nenhum torcedor gosta de ver o time perdendo. O torcedor deve ter paciência. Não sou o único que pensa aqui, são várias cabeças que buscam o melhor para o clube. Pergunto ao torcedor do Vasco: quer o mesmo time a cada três dias? Não vamos chegar a lugar algum. Nem na Sul-Americana, nem no Brasileiro, nem na Copa do Brasil. Quando optamos por colocar força máxima no Brasileiro é porque ele rebaixa. Precisamos ficar muito atentos ao Brasileiro, e estamos. Como eu disse: precisamos esperar até o meio do ano e buscar jogadores com características diferentes que possam nos ajudar.

Possível melhorar?— Sempre podemos esperar mais de cada um, consequentemente a equipe pode melhorar. Essas contratações no meio do ano devem ser pontuais, precisamos de jogadores decisivos que cheguem para jogar. São jogadores fundamentais em algumas posições, temos discutido para reforçar nosso grupo. Vencendo jogos e jogando bem, todos podem dar um pouco mais. É claro que podemos melhorar, mas corremos contra o tempo, a cada três dias temos viagens e duas competições, fica difícil.

Adson— Estou dando oportunidade a todos. Ninguém pode reclamar, talvez um tenha tido menos que outro, mas todos têm tido chances. Daqui a pouco, se não jogar, vão perguntar: por que não colocou fulano, sicrano? O treinador conhece o jogador no dia a dia. Quando escala, sabe o que está fazendo. Oportunidades estão sendo dadas tanto no Brasileiro quanto na Sul-Americana. A prioridade é o Brasileiro, mas também damos importância à Sul-Americana. A maioria do time que jogou hoje era titular há um mês. Não existe time reserva, temos um grupo, e as oportunidades estão sendo dadas. O jogador tem que se entregar, mostrar porque está no Vasco. Ontem, na preleção, disse: “Vocês estão em um dos maiores clubes do Brasil, com uma das maiores torcidas, têm que dar resposta”. Tenho cobrado isso deles. Não quero ouvir a torcida gritando porque não colocou fulano. Eles não têm que mostrar só para mim, mas para a imprensa, torcida, diretoria… Cabe ao jogador entrar em campo e mostrar.

Como a derrota implica para sábado— Fazemos o possível, trabalhamos todos os dias. Quando cheguei, começaram os jogos a cada três dias. Agora, com a Sul-Americana, temos duas competições simultâneas, e não temos tempo para descansar os jogadores. Vivemos em hotéis e aviões. Qual o tempo que sobra para treinar? O mínimo. Por isso não viajei para a Argentina, justamente para treinar o time e melhorar aos poucos. Acredito que aproveitamos bem aquela semana, fizemos uma boa partida contra o Remo, na minha opinião. Merecíamos ter vencido lá, apesar da longa viagem. O grupo estava descansado, por isso corremos bem em um campo pesado. Hoje, não voltamos a jogar com o mesmo time para não perder ninguém. É simples, vocês querem que o time esteja correndo a 100 por hora, que esteja 100% taticamente, 100% tecnicamente, mentalmente… Não é assim, não. Não será da noite para o dia. Eu não fiz a pré-temporada com esse grupo. Entrei aqui no meio do furacão, a cada três dias temos que dar uma resposta. Vocês também devem pensar no lado positivo. Sei que precisamos melhorar, não vou enganar ninguém. Mas, quando cheguei, o Vasco era o último colocado. Hoje, o Vasco está no meio da tabela sem tempo para treinar. Será que está tão ruim assim? O torcedor quer ganhar, e eu trabalho para fazer o time vencer e trazer alegria ao nosso torcedor. Agora, é sempre o treinador o culpado? Sempre? Aqui, quando ganha, ganha todo mundo; quando perde, perde todo mundo.

— Trabalhamos para obter os melhores resultados. Se observarmos o Brasileiro, por exemplo, disputei 21 pontos com este grupo e ganhamos 12. Mais de 50%. Se começássemos o campeonato com pelo menos 50%, estaríamos brigando por Libertadores. Não será da noite para o dia, entendo o torcedor, me coloco no lugar dele, mas é preciso ter paciência. Sei que é difícil, mas o que podemos fazer? Até o meio do ano, até conseguirmos reforçar o grupo, será assim, será sofrimento. Mas, volto a repetir: a prioridade do clube é o Campeonato Brasileiro. A Sul-Americana vai até dezembro, e para ser campeão e garantir uma vaga na Libertadores, já pensou no desgaste até dezembro disputando o Brasileiro e a Copa do Brasil? É por isso que devemos colocar tudo na balança. A Sul-Americana não rebaixa ninguém. O Brasileiro rebaixa. Estamos atentos à Sul-Americana também. Mas a prioridade é o Brasileiro. E, pelo Brasileiro, temos um jogo difícil contra o São Paulo em São Januário e precisamos do apoio do nosso torcedor.

Expulsões— Converso bastante com os jogadores, peço para terem calma, mas às vezes é complicado. Uma arbitragem como a de hoje pode levar à perda de controle. A expulsão do JP foi injusta e prejudicou nosso time. A Conmebol vai multar o árbitro? Vocês não sabem, mas se o clube cometer um erro, é multa. E hoje fomos prejudicados? Vão fazer barulho da mesma forma que fizeram comigo quando não fui à Argentina? Dois pesos e duas medidas. Converso bastante sobre cartões amarelos, para evitá-los, imagine os vermelhos. A expulsão do JP foi injusta, e não sei o motivo da expulsão do Cuesta, se ele ofendeu o árbitro ou se era o último homem. Desde o primeiro tempo fomos prejudicados, mas ninguém está dando desculpa pela derrota. 11 contra 11 já é difícil, houve erros e expulsões. Se eu não viajei, a CONMEBOL, meu Deus do céu. Vamos ver o que farão.

Base— A base viajou (para o jogo contra o Barracas) porque fiquei com o elenco preparando o jogo contra o Remo. Sempre busco treinar com os garotos da base. Mas não é o momento de passar responsabilidade para eles. Em outros clubes, já vi muitos entrando na hora errada, assumindo responsabilidades e sendo queimados. Eles devem ser inseridos aos poucos, em momentos bons, e não receberem responsabilidade de imediato.

Daria para ter feito mais mesmo colocando um time misto hoje?— Concordo plenamente. Poderíamos ter apresentado um futebol bem melhor, sem dúvida, com todo respeito ao adversário. Essa foi a cobrança que fiz a eles agora no vestiário e o próprio presidente também cobrou. A gente exige deles. Por outro lado, o juiz expulsou um jogador injustamente. Bem ou mal, poderíamos ter melhorado 11 contra 11. Com 10, já estávamos com dificuldades. Mas, no final, o resultado é que importa. O Vasco perdeu, então tudo está errado. Não é assim. Entendemos que o torcedor tem razão, poderíamos ter jogado melhor, sim. Mas, com um jogador a menos, as dificuldades aumentaram. Importante é que, sei que o torcedor está chateado, mas precisamos do apoio deles no sábado em São Januário para somar pontos e subir na tabela.


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