Em um ofício enviado aos clubes na última segunda-feira, a CBF anunciou que realizará, em agosto, uma reunião técnica com as equipes das Séries A e B para apresentar os estudos sobre os impactos das novas regras.
Além disso, a CBF deseja compartilhar a experiência adquirida durante a Copa do Mundo e discutir em conjunto a viabilidade, o cronograma e os procedimentos para uma possível adoção no Campeonato Brasileiro.
A data da reunião técnica será divulgada em breve, juntamente com a programação detalhada dos trabalhos.
No documento, a CBF também informou que seu quadro nacional de arbitragem está sendo capacitado para aplicar as novas regras, a fim de estar preparado para implementá-las, caso sua adoção seja confirmada.
Durante um período de treinamento realizado em Madri na última semana (entre 5 e 10 de julho), os árbitros centrais já receberam orientações sobre as novas regras. Eles discutiram o tema e se atualizaram sobre as mudanças propostas pela IFAB.
Entre as novidades, a inclusão da “lei Vini Jr.” na regra 12, que aborda faltas e conduta antidesportiva, estará na pauta da reunião da CBF com os clubes. Essa regra determina que “um jogador, suplente ou jogador substituído é expulso se cobrir a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.”
É importante ressaltar que, nesta terça-feira, a Conmebol anunciou que adotará as novas regras do futebol a partir do meio de julho, quando as competições serão retomadas. Contudo, a entidade informou que não implementará a “Lei Vini Jr”, que prevê a expulsão de jogadores que tapam a boca durante discussões com adversários.
A proposta das novas regras visa combater a cera e tornar o jogo mais dinâmico. Na Copa do Mundo de 2022, por exemplo, as partidas tiveram uma média de 100 minutos, considerando os acréscimos. Desses, 42 minutos, em média, foram perdidos em bolas paradas, o que equivale a quase um tempo completo de jogo.
As mudanças já foram aplicadas em amistosos pré-Copa e estão em vigor em todos os jogos do Mundial. Além disso, serão implementadas na maioria dos torneios ao redor do mundo a partir de julho. Confira um resumo das alterações abaixo:
CINCO SEGUNDOS PARA COBRAR O LATERAL
Quando o árbitro perceber que uma cobrança de lateral está sendo deliberadamente atrasada, ele deverá apitar e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos usando os dedos da mão.
- Punição: Se o tempo se esgotar e o arremesso não for executado, a posse de bola passa para o adversário, que terá o direito de fazer a cobrança.
CINCO SEGUNDOS PARA COBRAR O TIRO DE META
Da mesma forma, se o árbitro notar que uma cobrança de tiro de meta está sendo intencionalmente atrasada, ele deverá apitar e iniciar uma contagem regressiva visual de cinco segundos usando os dedos da mão.
- Punição: caso o jogador não realize a cobrança dentro do tempo, o lance será revertido em escanteio para o time adversário.
DEZ SEGUNDOS PARA SAIR DE CAMPO NA SUBSTITUIÇÃO
O jogador a ser substituído terá 10 segundos para deixar o campo após o quarto árbitro erguer a placa que indica a alteração. O árbitro indicará a contagem dos últimos cinco segundos com a mão levantada. A exceção se aplica ao jogador lesionado que claramente não tenha condições de sair do campo.
- Punição: em caso de atraso do jogador substituído, o jogador que está entrando deverá aguardar um minuto para entrar em campo, deixando o time infrator com um a menos durante esse tempo.
UM MINUTO FORA DE CAMPO EM CASO DE ATENDIMENTO MÉDICO
Anteriormente, jogadores que saíam de campo para receber atendimento médico aguardavam apenas a autorização do juiz para retornar. Muitas vezes, isso era utilizado como uma estratégia para perder tempo. Agora, será necessário aguardar pelo menos sessenta segundos para voltar ao campo, deixando o time com um a menos durante esse período.
VAR COM MAIS PODER DE AÇÃO
Até a Copa do Mundo, o protocolo do VAR atendia apenas a quatro tipos de lance: gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação. Agora, sua área de atuação será ampliada. A partir do Mundial, o VAR poderá corrigir mais dois tipos de erros:
- Escanteio marcado de forma claramente incorreta (sempre que a decisão possa ser modificada imediatamente, sem atrasar o reinício da partida)
- Quando o árbitro aplica por engano um segundo cartão amarelo que resultaria na expulsão do jogador.
Como se trata de erros objetivos, o VAR poderá avisar diretamente à arbitragem, sem que o juiz precise ir ao monitor à beira do campo para interpretar o lance.
Fonte: ge
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