Souza expressa gratidão ao Vasco e comenta sobre Coutinho como treinador

Souza irá estrear em uma nova função no futebol nesta segunda-feira, após um ano e três meses desde sua última experiência como jogador

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Um ano e três meses após sua última experiência como jogador, Souza estreará em uma nova função no futebol nesta segunda-feira, às 14h45. O ex-volante do Vasco agora é treinador do FC Rio de Janeiro/Arouca, equipe que disputa a Quarta Divisão do Campeonato Carioca. O primeiro adversário será o Búzios, no Estádio Los Larios.

Nos últimos anos de carreira na Turquia, eu sempre fui um líder. Automaticamente, dentro de campo, já organizava o time, o treinador me chamava para conversar sobre o que eu pensava da formação. Fui me acostumando a gostar disso e já praticava, para mim era um processo muito natural. Fiquei um ano aproveitando a família, fiz tudo o que tinha que fazer, mas agora comecei a tirar as licenças da CBF e apareceu essa oportunidade para colocar em prática e ver se de fato é isso que eu quero, porque uma coisa é a teoria, outra é vivenciar. Estou gostando, relembrando meu início e todas as dificuldades que tive para me tornar um atleta. Para ser treinador, estou passando pelo mesmo processo — contou Souza ao ge.

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Churrasco com Coutinho

Revelado pelo Vasco e com passagens por Grêmio, São Paulo e clubes internacionais, Souza encerrou a carreira como atleta de uma maneira que não gostaria. Retornou ao time carioca em 2024, junto com os amigos Philippe Coutinho e Alex Teixeira, mas teve seu contrato rescindido menos de um ano depois. Agora, busca usar suas conquistas e experiência para inspirar outros jogadores que sonham com a carreira profissional.

Todo dia eu coloco na cabeça deles: “Vocês vão ser campeões, a gente vai ser campeão, vamos subir, vamos subir sendo campeões”. O que eu falo para eles é que só os campeões são lembrados. O resto acaba não sendo tão lembrado no futebol, e eles querem ser lembrados.

Eles acham que eu sou meio louco, mas eu sou megalomaníaco. Eu acho que na vida a gente precisa ter ambições grandes. Se a gente não chegar nelas, a gente chega próximo delas, e o próximo delas já é maravilhoso. Eu falo para eles: “Eu tenho um sonho de ser campeão da Champions League como treinador”. E eu vou trabalhar para isso todos os dias até um dia chegar lá. Caso não chegue, se eu ganhar uma Premier, trabalhar na Europa e ganhar um campeonato bom, ganhar um Campeonato Brasileiro, para mim já está de bom tamanho. Mas eu sempre coloco o sarrafo lá em cima.

Para inspirar o elenco do FC Rio de Janeiro antes da estreia no Estadual, Souza contou com a ajuda de um velho amigo. Ele convidou seus comandados para um churrasco em sua casa e levou Coutinho para conhecê-los.

Levei eles para ver meu museu que tem as camisas de jogadores que enfrentei. Messi, Ibrahimovic… Fiz isso para abrir a mente deles, mostrar com quem estão trabalhando, valorizar tudo isso. E, no final, o Coutinho apareceu. Chegou lá, abraçou, apertou a mão de todo mundo, brincou com eles e prometeu participar de um treino com a gente. Eu vou cobrar. Isso motiva muito esses meninos.

Eu fui bem sincero com eles, falei que seria leviano e mentiroso dizer que 30% deles se tornariam um jogador profissional. Então, se 1% se tornar atleta profissional de futebol, já vou agradecer a Deus, porque é muito difícil. Mas fui sincero: se pelo menos 50% deles tomarem um rumo legal na vida como ser humano, porque a maioria vive em realidade muito difícil, seria uma conquista. O nosso intuito também é humano, é fazê-los refletir sobre a vida e tentar levá-los para um caminho diferente. Isso já vai me deixar satisfeito.

Dificuldades da Quarta Divisão

Souza foi anunciado como treinador do FC Rio de Janeiro em julho. Além das partes estratégica e tática, ele precisa lidar com outras demandas que a Quarta Divisão proporciona. O técnico tem ajudado financeiramente o grupo e usa seu nome para buscar apoio para a equipe.

Aqui a gente é treinador, psicólogo, tem que buscar patrocínios. Requer muito de mim, porque fico quase o dia todo resolvendo essas coisas de arrumar recurso. No início, ajudei com dinheiro de passagem para os meninos, lanche, resolvendo questões de bola, de colete, enfim, é muita coisa. Mas é muito bom poder aprender com tudo isso. São muitas situações que a gente tem que agir como psicólogo, alguém que ajuda eles a esquecer um pouco o problema de casa e focar aqui. Eu aceitei esse desafio já sabendo disso, tenho o costume de liderar pessoas, então estou só estendendo para o campo e tentando ajudar os meninos de todas as formas que puder.

Referências

Eu trabalhei com muitos treinadores, mas tem um treinador específico que não trabalhei tanto, mas observei muito, que é o Diniz. Tive oportunidade de trabalhar com ele um mês só no Vasco e comprovei tudo aquilo que já via de longe, um excelente ser humano e treinador. E o Luxemburgo, trabalhei dois anos com ele no Grêmio e me ensinou muito. Se eu conseguir pegar um pouco do Luxemburgo, que é a questão de campo, sabe muito bem arrancar o melhor do jogador, é um cara que no vestiário consegue motivar de uma forma sobrenatural. Já viramos muito jogo depois do intervalo, com ele chacoalhando a gente no vestiário. E aí pegar a parte tática do Diniz, que gosto muito, acho que assim estaria bem cercado.

Injustiça no Vasco?

Além de Souza, Alex Teixeira e Coutinho também rescindiram seus contratos com o Vasco. Coutinho alegou esgotamento psicológico e afirmou que a decisão de encerrar o ciclo foi tomada no intervalo de um jogo contra o Volta Redonda, após sofrer fortes cobranças e vaias da torcida.

Não houve injustiça. Eu acho que existiu uma cobrança em cima daquilo que você pode oferecer. A torcida do Vasco cobrou muito de mim e dele porque sabia que a gente poderia dar mais. No meu caso, porque o Coutinho deu tudo que tinha. Eu acho que o contexto não ajudou muito e a torcida vai cobrar porque tem que cobrar. Criou-se uma esperança e as coisas não aconteceram. Ele tentou dar o melhor, não aconteceu do jeito que todos nós pensávamos, mas levamos como aprendizado, e a gente tentou. Tanto dele quanto para mim fica uma gratidão tremenda por tudo que o Vasco fez pela gente. Ele só é o que é hoje por causa do Vasco. Eu só me tornei o que me tornei por causa do Vasco.

Coutinho vai voltar a jogar?

Ele ainda está mantendo a forma, não decidiu o que vai fazer, até o chamei para vir treinar com a gente para ajudá-lo a manter o ritmo. Somos vizinhos, estamos sempre juntos, é uma amizade que a gente vai levar para a vida. Coutinho é um cara sensacional e que eu espero muito que ele consiga voltar, porque tem muita qualidade, tem muito para dar ao futebol. Como amante do futebol, queria vê-lo jogar mais um pouco, desfrutando da qualidade que ele tem.


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