A vitória do Vasco na Justiça do Rio para enfrentar o Boca Juniors no Maracanã pela semifinal da Copa Sul-Americana demonstra uma nova força do clube nos bastidores do futebol brasileiro.
A articulação para garantir essa decisão favorável envolveu esforços jurídicos e políticos, com apoio da CBF, da Federação de Futebol do Rio e de políticos tanto do Rio quanto de Brasília.
O clube também contou com a colaboração do Fluminense, enquanto não houve diálogo com o Flamengo e a Conmebol, que aguardava uma definição até este sábado, prazo limite antes do jogo marcado para o dia 20.
A Conmebol se preocupou, durante todo o processo, em garantir o número mínimo de visitantes nos dois jogos contra o Boca Juniors e em assegurar que não houvesse infringência de regulamento.
Ciente de sua limitada influência junto à Conmebol, o Vasco concentrou esforços no fortalecimento de relações com a CBF, a Ferj e o poder público do Rio, aumentando a pressão sobre o consórcio Fla-Flu.
A escalada da pressão começou com a concordância da Polícia Militar, que indicou o Maracanã como local do jogo, mesmo com a intenção do Vasco de realizar a partida em São Januário por questões de segurança.
O clube também acionou o Ministério Público, que se mostrou empático ao pleito, recomendando ao Governo do Estado que priorizasse a segurança em detrimento da escolha do gramado.
Além disso, o Vasco articulou politicamente, neutralizando a influência do vice-geral e jurídico do Flamengo, Flávio Willeman, que é Secretário da Casa Civil até novembro. A Casa Civil informou que Willeman estaria impedido de participar de decisões relacionadas ao Maracanã, mas o Vasco buscou apoio diretamente com o governador Ricardo Couto e Douglas Ruas, recém-eleito.
Embora o Governo tenha se eximido de participação direta, o Vasco persistiu nas articulações políticas e nas ações judiciais até obter uma resposta positiva.
A estratégia do clube incluiu a definição do estádio no último dia do prazo, criando um impasse que obrigaria o Governo do Rio a se posicionar, já que não haveria Maracanã nem São Januário disponíveis, restando apenas o Nilton Santos como opção.
Após a decisão favorável, o Vasco divulgou uma nota agradecendo aos envolvidos no processo, incluindo Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral e ligado ao candidato a presidente, Flávio Bolsonaro.
“O Club de Regatas Vasco da Gama informa que a partida contra o Boca Juniors, no dia 20 de outubro, será realizada no Maracanã, após a Justiça reconhecer o direito do clube. O Vasco agradece ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça, à CBF e ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo apoio e pela atuação nesse processo. A solução foi construída a partir da articulação do presidente da Assembleia Geral do Vasco, Alan Belaciano, em conjunto com as equipes jurídicas da Vasco SAF e do Club de Regatas Vasco da Gama. O caso marca a retomada do trabalho conjunto entre as áreas jurídicas das duas instituições em defesa dos interesses do Vasco”.

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