O ge teve acesso ao contrato assinado entre as partes, que revela detalhes do acordo firmado em 9 de maio de 2025, válido de 2026 a 2032.
Camisa Vasco, Nike — Foto: Matheus Lima/Vasco
O contrato estabelece dois principais itens de remuneração: royalties e bônus de performance. Não há previsão de valores fixos de pagamento ao clube, o que contrasta com acordos mais convencionais no mercado, que dependem do patrocinador esportivo. O Vasco não se manifestou sobre o assunto quando procurado pelo ge.
O bônus determina os valores a serem pagos ao futebol profissional masculino em caso de conquistas:
- Campeão do Mundial de Clubes da Fifa – R$ 1,5 milhão
- Campeão da Libertadores – R$ 600 mil
- Campeão Brasileiro Série A – R$ 400 mil
- Campeão da Sul-Americana – R$ 275 mil
- Campeão da Supercopa – R$ 50 mil
- Campeão da Copa Intercontinental – R$ 650 mil
- Campeão da Recopa – R$ 50 mil
- Campeão da Copa do Brasil – R$ 325 mil
- Campeão Carioca – R$ 100 mil
Para o futebol feminino, a premiação é de R$ 50 mil por título do Carioca da 1ª divisão.
Bandeirão da torcida do Vasco em jogo contra o Mirassol em São Januário — Foto: Alexandre Durão
Em relação aos royalties, a remuneração prevista segue a tabela abaixo:
- De 0 a 200 mil unidades de produtos licenciados vendidos por ano de contrato – Taxa de 12% de royalties
- De 200.001 a 500 mil unidades de produtos licenciados vendidos por ano de contrato – Taxa de 15% de royalties
- Acima de 500 mil unidades de produtos licenciados vendidos por ano de contrato – Taxa de 18% de royalties
O ge apurou que o acordo com a Nike gerou divisões na direção do Vasco. Parte da diretoria, liderada por Pedrinho, defendia a marca americana devido ao posicionamento de mercado do clube e à representatividade da empresa. Por outro lado, uma corrente entre a SAF e o associativo preferia a proposta da Puma, que apresentava uma oferta financeira considerada superior e estava próxima de um entendimento com os vascaínos.
A marca alemã acabou fechando com o Fluminense. Em termos de luvas, a Mizuno ofereceu R$ 300 mil; a Kappa, R$ 500 mil; a Diadora, R$ 1 milhão; e a Puma, R$ 500 mil, conforme relatado pelo ge.
Além disso, os royalties das concorrentes, com projeção de vendas de 400 mil peças, variavam de 18% a 20%. A Nike só alcança 18% se as vendas superarem 500 mil peças. No Flamengo, os royalties são significativamente mais altos, atingindo 35%.
A proposta firmada com a Nike inclui a maior verba de marketing prevista, com um mínimo de R$ 2 milhões por ano, enquanto as demais concorrentes limitavam suas ofertas a R$ 1 milhão por ano (Mizuno).
Considerando um cenário em que o valor médio de produtos vendidos é de R$ 200, o cálculo para 400 mil unidades vendidas em um ano seria o seguinte:
- primeiras 200 mil unidades (preço de R$ 200), totalizando R$ 40 milhões. Com a aplicação de 12%, o Vasco receberia R$ 4,8 milhões em royalties
- 200 mil unidades seguintes (preço de R$ 200), totalizando R$ 40 milhões. Com a aplicação de 15%, o Vasco receberia R$ 6 milhões em royalties
- Assim, o Vasco receberia, em um ano, R$ 10,8 milhões de royalties pela venda de 400 mil unidades de produtos Nike/Vasco
Redução ou rescisão em caso de permanência na Série B
O contrato com a Nike prevê uma redução automática na remuneração de marketing e royalties nas seguintes situações:
- Se o time profissional masculino deixar de jogar a Primeira Divisão por dois anos consecutivos ou mais.
- Nesse caso, o terceiro ano e os anos subsequentes nessa condição terão uma redução de 30% no valor anual mínimo de marketing e de royalties.
Outra cláusula prevê a rescisão contratual caso o Vasco “deixe de jogar a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro por três anos consecutivos ou mais”. Nesse cenário, tanto o Vasco quanto a Nike poderão solicitar a rescisão do contrato mediante notificação prévia por escrito, com um mínimo de 12 meses de antecedência.
Em relação ao valor mínimo de R$ 2 milhões por ano que a Nike deve investir em marketing, o contrato estipula que essa quantia deve ser utilizada “em atividades de marketing relacionadas ao Vasco e às marcas registradas do Vasco, incluindo campanhas e ações de marketing online e offline”.
A Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil, fornece ao clube R$ 7.218.227,00 em produtos para o futebol anualmente, valor que será corrigido pelo IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Caso o Vasco solicite mais produtos, a diferença será descontada dos valores de royalties.
Além disso, o Vasco recebe anualmente 3 mil unidades de produtos Nike “de natureza esportiva”, que não necessariamente levam a marca do clube.
O Corinthians também possui um contrato de fornecimento esportivo com a Nike, que vai até 2035, prevendo a entrega anual de até 60 mil itens de material esportivo ao clube do Parque São Jorge, com um custo estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. O Atlético-MG também firmou um contrato com a Nike para 2026, com duração de quatro anos.
Fonte: ge
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