Vasco mantém Maracanã disponível para semifinal contra o Boca Juniors após decisão do STJ

A disputa pelo Maracanã se estendeu por quase um mês, com a semifinal marcada para 20 de outubro na Copa Sul-Americana

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A disputa do Vasco com o Consórcio Fla-Flu para garantir o Maracanã como local da partida contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, marcada para 20 de outubro, se arrasta há quase um mês. Nesta quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que favoreceu o Vasco, permitindo o uso do estádio pela equipe treinada por Pedro Emanuel.

Após decisões que beneficiaram o Consórcio Fla-Flu no TJ-RJ, o Vasco obteve uma vitória na última sexta-feira, quando o desembargador Marco Antônio Ibrahim determinou a liberação do Maracanã. Contudo, essa decisão foi suspensa no dia seguinte pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, vice-presidente do TJ-RJ. O clube conseguiu reverter a situação na terça-feira, com uma nova decisão do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto.

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Em resposta, o Fla-Flu recorreu ao STJ, mas o ministro Luis Felipe Salomão considerou que não havia legitimidade para analisar o caso, afirmando que não se tratava de interesse público primário nem de um serviço público em questão.

Nos bastidores, Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral e próximo de Pedrinho na gestão do Vasco, desempenhou um papel crucial na reversão das ações adversas. Com boa relação no Supremo Tribunal Federal (STF), Belaciano ajudou o clube a apresentar contrargumentos eficazes.

Além disso, o Vasco recebeu um parecer favorável da Conmebol, que manifestou interesse em que a partida ocorra no Maracanã. Embora a entidade não tenha interferido diretamente na decisão judicial, nos bastidores, indicou que o estádio seria o local mais adequado para o confronto.

Torcida do Vasco presente no Maracanã, na classificação sobre o Fluminense — Foto: Matheus Lima/Vasco

O que argumentou a dupla Fla-Flu

Até chegar ao STJ, Flamengo e Fluminense apresentaram diversas razões para tentar impedir que o jogo ocorresse no Maracanã, incluindo:

  • Condições técnicas do gramado
  • Prejuízo à “plena recuperação” do gramado devido ao jogo do Vasco
  • Desgaste causado por três jogos em cinco dias no estádio
  • Necessidade de um prazo mínimo de 72 horas entre as partidas
  • Questões de segurança pública
  • Disponibilidade do Estádio Nilton Santos
  • Um jogo entre Flamengo e Botafogo, pelo NBB, agendado para o mesmo dia no Maracanãzinho

A estratégia do Vasco de iniciar a venda de ingressos na noite de sexta-feira, após a primeira aprovação do TJ-RJ, visou antecipar-se a possíveis ações futuras dos rivais. Em apenas 12 horas, mais de 46 mil ingressos foram vendidos, número que supera a capacidade atual do Estádio Nilton Santos, e o clube utilizou isso como um dos principais argumentos em sua defesa.

O Vasco argumentou que as preocupações com segurança não se sustentavam, pois não havia comparação entre um jogo de basquete e uma semifinal de competição continental. O Ministério Público também protocolou recomendações afirmando que o Maracanã seria a melhor opção para o jogo contra o Boca.

No aspecto jurídico, o clube sustentou que o Fla-Flu recorreu ao STJ de maneira prematura, uma vez que o Órgão Especial só deveria analisar o caso, se necessário, em 19 de outubro, um dia antes da partida, quando qualquer mudança se tornaria ainda mais problemática. A Conmebol havia alertado que o jogo poderia ser transferido para fora do Brasil em caso de novas complicações jurídicas.

Após a liminar negativa de sábado, a defesa do Vasco decidiu usar contra-argumentos do próprio Consórcio Fla-Flu. Internamente, o clube percebeu que a situação se tornara um embate de egos, especialmente envolvendo Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, com quem Pedrinho não mantém uma boa relação.

Com a chegada de Marcos Lamacchia, futuro investidor da SAF do clube, uma das metas da nova gestão será revisar partes da concessão do Maracanã, atualmente controlada por Flamengo e Fluminense até 2044. A avaliação é de que houve um desgaste significativo para garantir o direito de uso do estádio.

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