Vasco oferece pagar até R$ 10 milhões anuais até 2038 em disputa na CBF

O Vasco propõe pagar até R$ 10 milhões anuais até 2038 em uma disputa na CBF.

O Vasco enfrenta a resistência de vários credores na busca pela aprovação de seu terceiro plano coletivo de pagamento na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF. A SAF do clube apresentou uma proposta que prevê um limite de pagamento de R$ 10 milhões por ano até 2038. Clubes e agentes expressaram objeções ao plano e solicitaram rigor da CNRD na análise.

Vasco tenta aprovar parcelamento de créditos na câmara de disputas da CBF — Foto: Luiz Vitor LopesVasco tenta aprovar parcelamento de créditos na câmara de disputas da CBF — Foto: Luiz Vitor Lopes

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As negociações estão em fase avançada, com um prazo recente para manifestações das partes envolvidas. A expectativa é que a CNRD tome uma decisão em breve.

Recentemente, o Vasco iniciou o pagamento de R$ 10 milhões referente a um acordo coletivo previamente aprovado na CNRD. Entre os clubes credores estão Fluminense, Santos e Red Bull Bragantino, que se manifestaram contra a proposta do Vasco. A Link, representada pelo agente André Cury, é uma das empresas que impugnou a proposta. Outras agências, como a OTB e a Guadagno Sports, também expressaram desaprovação.

Os credores levantam preocupações sobre a transparência orçamentária do Vasco em relação ao cumprimento do plano, a falta de garantias para os pagamentos e a contratação de jogadores em janelas recentes. Eles ressaltam que o plano deve demonstrar viabilidade econômico-financeira e capacidade real de cumprimento, criticando o modelo proposto pelo Vasco, que consideram uma “subatualização da dívida” e um “incentivo à inadimplência”.

— O plano subordina a satisfação do crédito ao êxito esportivo da entidade, deslocando ao credor o risco empresarial inerente à atividade, como se houvesse consentido em ser sócio dela – afirma um trecho da manifestação da Link Assessoria Esportiva.

Entre os principais pontos das impugnações estão:

  • Falta de um prazo definido para a quitação dos créditos. Um advogado critica o que considera “adimplemento indeterminado”, pois “limita-se a prever pagamentos ‘conforme necessário'”.
  • Critério de atualização da dívida pelo IPCA, sem juros;
  • Limitação de pagamento de R$ 10 milhões por ano;
  • Não previsão de garantias no plano de pagamento e ausência de punições por inadimplemento. Os advogados citam o caso do Corinthians como precedente e pedem à CNRD que aplique o mesmo regime de sanções, incluindo multas e juros sobre o saldo devedor, bloqueio e repasse de receitas, e suspensão do direito de registro de atletas;
  • O Vasco propõe pagamento até 2038, mas alguns credores sugerem reduzir esse prazo pela metade e incluir mecanismos objetivos para acelerar os pagamentos, com destinação de percentuais sobre premiações e receitas extraordinárias.

Houve também questionamentos sobre as atualizações recentes da lista de credores, o que pode indicar que o limite de pagamento sugerido pelo Vasco pode ser dividido entre mais credores, resultando em valores menores para aqueles que possuem débitos.

“Cumpre destacar que, no ínterim entre a última manifestação dos credores e a presente, foram inseridos neste Plano de Pagamento outros dois créditos principais, nos valores de R$ 316.610,19 e R$ 1.465.311,01, que podem afetar as projeções de pagamento, eis que são baseadas em eventos incertos”, destacou o escritório Trengrouse Gonçalves Advogados.

Vasco: proposta é “parte final da reestruturação financeira”

Na manifestação enviada no dia 23 de março à relatora do caso na CNRD, Ana Beatriz Macedo, a SAF do Vasco argumenta que “a estrutura proposta observa critérios de sustentabilidade financeira e previsibilidade de fluxo, evitando soluções que, embora teoricamente mais céleres no curto prazo, comprometeriam a capacidade de adimplemento integral das obrigações e poderiam levar a um indesejado descumprimento do plano”.

O representante legal do Vasco também afirma que está em “etapa avançada de seu processo de reestruturação financeira”. O plano coletivo em análise na CNRD e “as tratativas mantidas perante a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) caracterizam-se como uma das fases finais desse processo, cuja conclusão é projetada para o primeiro semestre de 2026”.

O Vasco justifica a proposta no “contexto mais amplo da recuperação judicial, na qual a reorganização econômico-financeira ocorre de forma sistêmica”. Leia mais das alegações do clube:

  • Sobre a atualização dos créditos pelo IPCA e a “limitação da distribuição de recursos nos primeiros anos” para atender “a capacidade de geração de caixa do Vasco, a necessidade de satisfação integral dos credores e o cumprimento das obrigações assumidas no âmbito do reparcelamento de débitos fiscais e previdenciários, que, por imposição legal, estão sujeitos a prazos mais curtos e rígidos”.
  • Sobre a falta de garantias aos credores, o Vasco afirma que “a adoção de garantias individualizadas, além de incompatível com a lógica coletiva da recuperação judicial, poderia gerar tratamento desigual entre credores e comprometer a própria viabilidade do plano”.
  • A respeito da contratação de jogadores em 2026, o Vasco declarou à CNRD que “sua política de contratações observa estritamente os limites orçamentários e as diretrizes estabelecidas no âmbito da reestruturação, sendo tais despesas compatíveis com o planejamento financeiro aprovado e indispensáveis à manutenção da atividade esportiva do clube e à geração de receitas”.
  • Sobre a viabilidade do plano apresentado, o Vasco afirma que “tal análise já foi devidamente realizada no âmbito do processo de recuperação judicial”, com a “demonstração técnica acompanhada de estudo independente”.

Fonte: ge


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