João Victor atravessa um novo capítulo em sua carreira. Após uma saída tumultuada do Vasco, o zagueiro se estabeleceu no CSKA, da Rússia, e atualmente está na disputa pelo título do Campeonato Russo. Adaptado ao novo ambiente e mais tranquilo fora de campo, ele considera a mudança crucial para recuperar sua estabilidade e foco no futebol.
A despedida de São Januário foi desafiadora. Criticado pela torcida vascaína no ano anterior, o defensor conversou com o ge sobre seu bom desempenho no futebol russo e revelou que esperava construir uma trajetória mais longa no clube carioca, mas decidiu buscar novos horizontes em prol de sua família.
João Victor em ação pelo CSKA — Foto: Reprodução Instagram
– Eu gostava muito de jogar no Vasco, de viver no Rio de Janeiro, dos meus companheiros. Minha saída não era o que eu desejava naquele momento, mas, após conversar com meus empresários, amigos e minha família, percebi que era a melhor decisão para mim.
Em agosto de 2025, o Vasco concretizou a venda de João Victor ao CSKA por cerca de 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 31,8 milhões), incluindo valores fixos e bônus, e o clube carioca ainda manteve 25% dos direitos econômicos do zagueiro para uma possível venda futura. Segundo João Victor, a decisão teve forte influência familiar. Embora se sentisse preparado para atuar, ele admite que o ambiente extracampo não era dos mais favoráveis.
“A questão mais delicada era familiar, algo que vinha me preocupando mais””
— João Victor
João Victor Vasco x Atlético-MG — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
– Eu estava tranquilo para jogar, mas havia questões externas que pesavam. Quando você sai e encontra um ambiente mais calmo, consegue focar apenas no futebol, sabendo que sua família está bem. Sem dúvida, a saída foi importante nesse aspecto.
“Muitos jogadores passam por um clube e, às vezes, não conseguem ter o desempenho que gostariam. Depois vão para outra equipe e começam a se destacar novamente. Vejo essa fase como um recomeço para mim””
— João Victor
No CSKA, a situação é diferente. O zagueiro conquistou a titularidade desde a pré-temporada e está diretamente envolvido na disputa pelo título. Ele chegou a marcar gols em amistosos no início do ano. Atualmente, Krasnodar, Zenit, Lokomotiv, CSKA e Baltika estão muito próximos nas primeiras posições da tabela de classificação.
– A tabela está muito equilibrada. Se você ganha ou perde um jogo, tudo muda rapidamente. Agora, quem perder menos pontos terá mais chances de ser campeão. Em casa, praticamente não podemos vacilar – declarou.
“O Diniz é, sem dúvida, um dos profissionais mais fenomenais que conheci no futebol. Nem ele nem o Pedrinho queriam que eu saísse, de jeito nenhum, mas foi uma escolha minha, ao lado da minha família, de seguir um novo caminho””
— João Victor
A adaptação à Rússia também trouxe surpresas positivas. Residente em Moscou, João Victor elogia a infraestrutura da cidade e o impacto da mudança na rotina de sua família.
– Muita gente não conhece a Rússia. Moscou é uma cidade maravilhosa, muito moderna. Meus filhos estão em uma escola britânica, o que tem sido ótimo para aprenderem inglês. Estou gostando muito de viver aqui.
João Victor em ação pelo Vasco no Brasileirão — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O CSKA Moscou voltará a campo neste domingo, às 13h (de Brasília), enfrentando o Akhmat fora de casa, pelo Campeonato Russo. A equipe ocupa a quarta posição na tabela, com 36 pontos em 18 jogos, e continua na disputa pelas primeiras colocações. O time está a quatro pontos do Krasnodar, líder com 40 pontos.
Confira outros trechos da entrevista
Disputa pelo título na Rússia
– Agora começa a segunda parte do campeonato, que é quando realmente afunila. Os grandes estão muito bem e perderam poucos pontos até aqui. Antes dessa nova fase, éramos vice-líderes, mas acabamos derrotados pelo Krasnodar, fora de casa, e caímos para a quarta colocação.
– Isso demonstra como a tabela está equilibrada. Se você ganha ou perde um jogo, a mudança é muito rápida, pois a diferença de pontos é pequena. Todas as equipes que estão no topo têm muita qualidade. Os elencos são fortes, com brasileiros, jogadores de diversas nacionalidades e também russos de alto nível, o que eleva bastante o campeonato.
– Agora, quem perder menos pontos terá mais chances de ser campeão, especialmente nos confrontos diretos. Em casa, praticamente não podemos vacilar. Se quisermos o título, precisamos vencer todos os jogos. Fora, o mínimo é somar pontos, seja com empate ou vitória. Uma derrota nesta fase pode custar muito caro e, no fim, a diferença de um detalhe pode significar perder o campeonato.
Torcida pelo Vasco
– Foi um momento um pouco conturbado. Eu gostava muito de jogar no Vasco, de viver no Rio de Janeiro, dos meus companheiros, de tudo. Tenho muito carinho pelo clube e torço até hoje. Sempre respeito todos os times por onde passei, mas o Vasco é especial, até por ter sido o último em que atuei e onde fiz grandes amizades. A minha saída não era o que eu desejava naquele momento, mas, após conversar com meus empresários, amigos e minha família, percebi que era a melhor decisão para mim. Foi algo pensado em conjunto.
– O Diniz é, sem dúvida, um dos profissionais mais fenomenais que conheci no futebol. Nem ele nem o Pedrinho queriam que eu saísse, de jeito nenhum, mas foi uma escolha minha, ao lado da minha família, de seguir um novo caminho.
João Victor pelo Vasco — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
A decisão de sair do Vasco
– Continuo torcendo muito pelo Vasco. É um clube que merece voltar a conquistar títulos e a brigar na parte de cima em todas as competições. O Pedrinho é uma pessoa muito dedicada, que tenta fazer tudo da forma correta para que as coisas aconteçam. Vejo que o clube vem se reforçando, contratando bastante, e espero que o time consiga se encaixar novamente.
– Eu estava até muito tranquilo em relação ao futebol. A questão mais delicada era familiar, algo que vinha me preocupando mais. Dentro de campo, eu sempre me senti preparado para jogar, mesmo em um momento que não era fácil. E eu sabia que não era por desempenho, porque acreditava que vinha atuando bem.
– Havia outras situações envolvidas, questões externas, e isso acaba pesando. Quando você escuta muitas coisas negativas, isso influencia. Depois que você sai e encontra um ambiente mais tranquilo, tudo muda. Você consegue focar apenas no futebol, sabendo que sua família também está bem. Sem dúvida, nesse aspecto, a saída foi importante para mim.
Passagem pelo Benfica
– Foi um momento muito bom da minha carreira. Eu saí do Corinthians jogando em alto nível, muito bem no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores. Infelizmente, tive uma lesão no último jogo da Libertadores, contra o Boca Juniors, e isso acabou pesando muito para mim. Não dá para afirmar o que teria acontecido, mas acredito que, se eu tivesse chegado bem fisicamente, teria jogado.
– Cheguei machucado e fiquei cerca de três meses fora. Naquele momento, o Lucas Veríssimo também estava lesionado, e o Morato, que vinha começando a ganhar espaço como titular, acabou se machucando. A oportunidade acabou ficando para o António Silva, que é um grande zagueiro, formado na base do Benfica.
– Acredito que a lesão me prejudicou bastante naquele momento, mas faz parte da carreira de todo atleta. Estamos sempre sujeitos a isso. Se eu não tivesse me machucado, talvez a minha trajetória no Benfica pudesse ter sido diferente, mas encaro como parte do processo.
Passagem pelo Corinthians
– Sobre o Corinthians, não tenho nem o que falar. É um clube gigantesco. Jogar lá não é fácil, é muito difícil. Mas, quando você vai bem, a proporção que isso toma é enorme. Sou muito grato ao Corinthians. O Atlético-GO foi o clube que me revelou para o Brasil, mas o Corinthians é uma vitrine diferente, não tem como explicar. Joguei ao lado de grandes jogadores, fiz muitas amizades e tive um ano bastante regular.
– Claro que, por ser jovem, cometi alguns erros, mas também tive muitos acertos. Fico muito feliz por ter vestido aquela camisa e honrado da melhor maneira possível sempre que estive em campo. Em termos de números, talvez eu fique um pouco atrás do que fiz no Atlético-GO, mas foi um dos clubes em que mais atuei e onde consegui desempenhar um bom futebol.
João Victor — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Experiência na Rússia
– Acho que muita gente não conhece a Rússia e não sabe como é. Para mim, tem sido uma experiência muito positiva. Estou me surpreendendo bastante. Moscou é uma cidade maravilhosa, muito moderna, com uma estrutura incrível. Meus filhos estão estudando em uma escola britânica, o que tem sido ótimo para eles aprenderem inglês. Está sendo algo muito bom para a nossa família.
– Minha esposa também gosta daqui. Claro que ela prefere o Brasil, morávamos no Rio de Janeiro, com clima tropical, aquela Cidade Maravilhosa, que é difícil de comparar. Mas Moscou é uma cidade fantástica, estou gostando muito de viver aqui. Também há vários brasileiros, o que ajuda bastante. Temos um grupo de amigos, estamos sempre nos encontrando. Isso facilita a adaptação e torna tudo ainda mais tranquilo.
João Victor no CSKA — Foto: Reprodução Instagram
Fonte: ge
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