Zé do Carmo celebra aniversário e recorda gol de Cocada na final do Carioca de 1988

Zé do Carmo comemora seu aniversário e relembra o gol de Cocada na final do Campeonato Carioca de 1988

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Reações: com emoção e muita risada, Zé do Carmo passa carreira a limpo em quadro do GE

Capitão do Vasco que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1989, Zé do Carmo é uma figura emblemática do futebol brasileiro, sempre pronto para compartilhar suas histórias. Amigo de Eurico Miranda e colega de equipe de ícones como Romário, Bebeto e Roberto Dinamite, o ex-volante, que integrou a seleção brasileira, possui uma vasta coleção de relatos curiosos.

Um dos episódios mais conhecidos e divertidos envolve um dos gols mais memoráveis de Zico, marcado em uma cobrança de falta impressionante contra o Santa Cruz, no Maracanã, durante o Campeonato Brasileiro de 1987.

Na barreira do time pernambucano, Zé teria respondido ao goleiro Birigui, que insistia para que ele olhasse para frente na hora da cobrança: “E eu vou perder de ver o gol, é?”

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Em 1987, Zico faz gol de falta sobre o Santa Cruz

O ex-jogador, que completa 65 anos neste sábado, admite que essa história é mais folclore do que realidade. Com bom humor, ele explica: “Isso aí inventaram, e eu continuei dizendo que era verdade porque dava Ibope. Mas nunca falei isso não”.

Zé do Carmo recorda que, mesmo após tantos anos, Zico ainda brinca com a situação: “Zé, quer ver o gol ainda?” Ele relembra que o time estava perdendo por 2 a 1, com dois gols de Zico, e que estavam em busca do empate. “A verdade é que ele fez o terceiro, um golaço. O Birigui quis adivinhar. Mas eu nunca falei que queria ver o gol, não deu nem tempo. Mas como sempre deu Ibope eu dizia: ‘Foi, foi'” — conta, entre risos.

Golaço, aumento e seleção

Outros dois gols se destacam na trajetória de Zé do Carmo, ambos sem a aura de folclore, mas igualmente notáveis.

O primeiro foi anotado em 1986, pelo Santa Cruz, contra o Atlético-GO, no Serra Dourada, durante o Campeonato Brasileiro. Um gol que lhe rendeu o título de “Gol do Fantástico” daquele domingo, marcado de calcanhar, no ar, e de primeira.

Esse gol resultou em um aumento salarial.

Baú do Moraes

“Eu fiz o gol no domingo e durante a semana o Zé Neves (então presidente do Santa Cruz) me chamou na sala de presidência e disse: ‘Zé, eu não posso te dar uma placa pelo gol que tu marcou lá no Serra Dourada. Mas eu vou te dar um aumento, pode ser?’ E eu disse: ‘Tá muito bem-vindo'” – recorda.

Ele relembra que, em tempos de hiperinflação, o aumento foi de 400%. “Pra você ter uma ideia de como o dinheiro não valia nada naquela época, quando eu comecei a receber o salário do Santa Cruz, isso só valia 200%. Mas foi melhor que a placa”, acrescenta, rindo.

Zé do Carmo, por um momento, acreditou que seu gol poderia render uma placa no Serra Dourada. “Eu joguei com o Celso (ex-zagueiro) e ele me disse: ‘Zé, tem uma placa pra tu lá no Serra Dourada’. E quando fui jogar de novo lá, saí procurando a placa em todo lugar, mas era tudo mentira. Não tinha nada” – recorda.

Zé do Carmo, ex-jogador do Santa Cruz — Foto: ReproduçãoZé do Carmo, ex-jogador do Santa Cruz — Foto: Reprodução

O outro gol significativo na carreira de Zé do Carmo foi o único que marcou pela seleção brasileira, em um amistoso contra o Peru, no Castelão, em Fortaleza, em maio de 1989, um mês antes da Copa América, que seria realizada no Brasil e que culminou com o título da seleção brasileira.

Apesar de ter balançado as redes às vésperas da convocação, Zé do Carmo tinha plena consciência de que sua participação na competição era improvável.

Gol de Zé do Carmo pela seleção brasileira em amistoso contra o Peru em 1986

“Eu estava cobrindo Dunga e Alemão, que estavam na Alemanha e na Itália jogando pelos seus clubes. Então eu já sabia que não ia ter brecha para ser convocado. Pensei em fazer o melhor para colocar uma interrogação, mas eles tinham um vasto currículo na seleção, então não tinha como brigar com eles. Só se eles tivessem uma contusão e não adianta eu ficar secando porque a rebordosa ia para cima de mim” — explica.

E qual dos gols foi mais marcante? O de calcanhar pelo Santa Cruz ou o marcado pela seleção?

“O de calcanhar, com certeza. Todo mundo só fala desse. Tem gente que nem sabe que eu fiz gol na seleção” — responde, sem hesitar.

Ídolo de Vasco e Santa Cruz

Além de ser campeão brasileiro em 1989, Zé do Carmo também conquistou pelo Vasco o título do Campeonato Carioca de 1988, o último do clube sobre o Flamengo. A final foi marcada por tumulto após a comemoração do gol do atacante Cocada.

— Não dei tapa em ninguém. Só ficava olhando para um lado e para o outro para não levar um murro sem saber de quem foi. E ficava só no grito: ‘Se vier vai levar porrada’. Mas só no grito. No dia seguinte no Rio de Janeiro não tinha Cocada em lugar nenhum. Os vascaínos compraram todas as cocadas para distribuir com os rubro-negros — conta Zé do Carmo.

Gol de Cocada para o Vasco sobre o Flamengo em 1988

No Santa Cruz, clube que o revelou, Zé do Carmo também se tornou ídolo, conquistando quatro Campeonatos Pernambucanos, em 1983, 1986, 1993 e 1995.

Atualmente, o ex-jogador e comentarista expressa sua preocupação com a situação dos dois clubes onde fez história. O Vasco se encontra na zona de rebaixamento, lutando para evitar a quinta queda para a Série B, enquanto o Santa Cruz, atualmente na Série C, chegou a ficar sem divisão nacional em 2024.

“Meu sentimento é de tristeza porque esses foram dois times que eu aprendi a torcer. Então, quando eu entrava em campo, era também o meu sentimento de torcedor ali dentro. Mas acredito que ambos possam dar a volta. Sabe por quê? Porque os dois têm um dos maiores patrimônios que um clube pode ter, que é o torcedor que nunca abandona” — finalizou Zé do Carmo, no dia de seu aniversário.

Em 1988, Zé do Carmo brinca após quinta vitória consecutiva do Vasco sobre o Flamengo

Ficha como jogador:

  • Clubes na carreira: Santa Cruz, Vasco, Coimbra (Portugal), CRB, Ituano e Uniclinic-CE.
  • Títulos: Campeão brasileiro de 1989, Campeão Carioca (1988), Campeão pernambucano (1983, 1986, 1993 e 1995)
  • Jogos pela seleção brasileira: 3
  • Gol: 1 (Brasil 4×1 Peru, amistoso em 1989)
  • Fonte: ge


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