Após vencer o leilão, a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, está prestes a assumir 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco. A decisão final depende do Conselho Deliberativo do clube, que votará a proposta na próxima terça-feira. Se aprovada, Lamacchia se tornará o novo proprietário do futebol vascaíno.
Um memorando de entendimento já foi enviado aos conselheiros, detalhando as obrigações financeiras e operacionais da nova gestão. Entre os principais pontos estão a cessão dos ativos desportivos e das dívidas da SAF, o uso exclusivo de São Januário até 2030 e um investimento mínimo de R$ 500 milhões no futebol até esse ano. A Almirante também pagará ao Clube de Regatas Vasco da Gama (CRVG) R$ 3 milhões anuais pelo uso do estádio, valor que pode ser reduzido em caso de obras.
Além disso, estão previstos investimentos em infraestrutura, com R$ 120 milhões destinados ao centro de treinamento profissional ao longo de dez anos e R$ 30 milhões para as categorias de base em dois anos. A negociação, no entanto, enfrenta uma investigação da Anresf devido à relação familiar entre Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Apesar disso, não há expectativa de que essa investigação impeça a venda da SAF.
O memorando prevê, entre outros pontos:
- Cessão de direitos: a nova SAF assume a totalidade dos ativos desportivos e das dívidas da SAF Vasco.
- Uso do estádio: a SAF terá o uso de São Januário em todas as partidas de futebol profissional até 31 de dezembro de 2030.
- Governança da SAF: a administração será exercida por um conselho de administração, diretoria e conselho fiscal, assegurando o voto afirmativo aos acionistas minoritários nas matérias legalmente reservadas.
- Retenção de dividendos: Lamacchia não poderá alienar novas ações da SAF por 10 anos, e a SAF não poderá distribuir dividendos pelo mesmo prazo.
- Inadimplência financeira: se Lamacchia deixar de pagar um dos cinco aportes obrigatórios, o Vasco terá uma procuração para cobrar os valores da Almirante Participações e de Lamacchia.
As obrigações da SAF incluem:
- Auxílio financeiro: pagar obrigações tributárias, previdenciárias e extraconcursais conforme os prazos estabelecidos.
- CT e base: investimento de R$ 120 milhões no CT profissional e R$ 30 milhões nas categorias de base.
- Incentivos fiscais: comprometer-se a estruturar projetos de incentivo fiscal em favor do CRVG, totalizando até R$ 150 milhões ao longo de 10 anos.
- Aportes adicionais: caso a SAF não tenha recursos suficientes para cumprir suas obrigações, Lamacchia deverá realizar os aportes necessários sem que isso aumente sua participação societária.
- Estádio: a Almirante pagará R$ 3 milhões por ano ao CRVG para usar São Januário, com possibilidade de redução para R$ 2 milhões em caso de obras.
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