Embora a lista dos 26 convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo não inclua jogadores nascidos no Espírito Santo, o Estado conta com um representante na Seleção Brasileira. O atacante Rayan, de 19 anos, é uma das promessas do futebol nacional e possui uma forte ligação com Cachoeiro de Itapemirim. Filho do ex-zagueiro Valkmar, que nasceu no município, o jovem passou parte de sua infância na cidade, cercado por avós, tios e primos que acompanham, com orgulho, sua ascensão no futebol, agora prestes a brilhar no maior palco do mundo.
Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, Rayan se mudou para Cachoeiro ainda pequeno. De acordo com seus familiares, ele viveu na cidade dos dois aos sete anos, período em que construiu memórias que permanecem vivas para aqueles que acompanharam seus primeiros passos. Sua avó, Maria Cecília da Silva Rocha, era quem cuidava dele enquanto os pais trabalhavam.
— Eu levava para a escola, pegava na escola. Ajudei a cuidar dele. Quando eles voltaram para o Rio, ele tinha sete, oito anos — recordou Maria Cecília, mãe de Valkmar.
Ao relembrar a infância do atacante, ela destaca a paixão dele pelo futebol.
— Sempre gostou de bola. Muito feliz com bola.
Rayan e suas avós — Foto: Arquivo Pessoal
A paixão pelo futebol também é lembrada por Amarildo da Rocha, tio de Rayan. Ele conta que o sobrinho transformava qualquer lugar em um campo de futebol improvisado.
— Rayan, com seis anos, chegava na minha casa e faltava pouco quebrar tudo. O negócio dele era só bola. Não queria outra coisa — afirmou, entre risos. — Ele não largava a bola.
Valkmar, ex-zagueiro do Vasco e pai de Rayan, com os seus — Foto: Arquivo Pessoal
A tradição familiar no futebol é forte. Valkmar, pai de Rayan, nasceu em Cachoeiro e foi revelado pelo Vasco da Gama. Ele fez parte do elenco cruzmaltino entre 1995 e 2001, conquistando a Copa Libertadores de 1998, os Campeonatos Brasileiros de 1997 e 2000, além de títulos como a Copa Mercosul e o Torneio Rio-São Paulo. A trajetória do ex-zagueiro serviu de inspiração para o filho.
— O Rayan alcançou aquilo que sempre desejou. E tão jovem — comentou o pintor Wagner da Silva Rocha, tio do atacante. — Somos de uma família futebolística. Tivemos dois na família que tiveram oportunidade de ser jogadores profissionais.
A convocação para a Copa do Mundo gerou nervosismo e alegria em Cachoeiro. Maria Cecília admite que quase não conseguiu assistir ao anúncio da lista.
— Fiquei nervosa na hora. Acho que todo mundo ficou. A felicidade foi muito. Espero que a Copa este ano seja ganha por causa do Rayan — disse.
A cabeleireira Monique Gomes Rocha, prima do jogador, também viveu momentos de tensão antes da confirmação do nome de Rayan entre os convocados.
— Ele falou muitos nomes. Quando falou o nome do Neymar, achei que não ia falar o nome do Rayan. Na hora que falou, eu pulei muito na minha casa. Gritei muito. Ele é um orgulho para a nossa geração — relatou.
Rayan e seus familiares — Foto: Arquivo Pessoal
A ascensão de Rayan no futebol foi rápida. Revelado pelo Vasco, ele estreou precocemente entre os profissionais e se destacou como uma das principais promessas do Brasil. Após um bom desempenho no Campeonato Brasileiro de 2025, transferiu-se para o Bournemouth em uma negociação histórica para o clube carioca. Em poucos meses na Inglaterra, teve atuações notáveis na Premier League, conquistou espaço na Seleção Brasileira principal e garantiu sua vaga na lista final para a Copa do Mundo.
Apesar da projeção internacional, seus familiares ressaltam que o jovem mantém as características que o acompanharam desde a infância.
— O que mais orgulha é a simplicidade. Ele está colhendo frutos porque é uma pessoa simples — afirmou Amarildo da Rocha. — Ele não está sozinho. Tem várias pessoas por trás desse sucesso.
Wagner da Silva Rocha acredita que a personalidade do sobrinho é um fator importante para seu sucesso.
— O limite dele é ele mesmo. Sempre teve alegria de jogar, alegria de treinar. Por isso está colhendo tudo o que está vivendo hoje.
Em Cachoeiro, a expectativa para os jogos do Brasil é alta, com famílias se reunindo para assistir e torcer. A família já se organiza para acompanhar a estreia da Seleção e sonha com um momento especial: ver Rayan marcar um gol em uma Copa do Mundo.
— Se ele fizer um gol, capaz de eu pular daqui de cima lá embaixo de tanta felicidade — brincou Maria Cecília, entre risos.
Fonte: ge
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