— O acordo já está firmado. Contudo, nós só permaneceremos se o presidente for o Pedrinho. Eu sou o avalista da operação, por isso estou envolvido. Estou avalizando R$ 2 bilhões do meu filho, embora ele não precise, pois possui esse dinheiro. Meu filho é uma pessoa íntegra e independente.
Apesar do acordo, informações do ge indicam que ainda não há um acerto formal entre as partes. Discussões sobre o reinvestimento no futebol, a partir da venda de jogadores, ainda estão em andamento. O que existe, até o momento, é um memorando de entendimento, conhecido como MOU.
O empresário de 83 anos expressou sua indignação com o afastamento de Pedrinho do comando da SAF, decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele criticou aqueles que, segundo ele, estão prejudicando o Vasco e negou qualquer conflito de interesses no negócio, respondendo às declarações do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista.
— Eu não me importo com isso. Ele deveria focar no Flamengo, que também enfrenta problemas. Ele deveria cuidar do seu clube e não se intrometer no que não lhe diz respeito. Nunca me intrometi em assuntos que não são da minha conta, e ele deveria fazer o mesmo.
Lamacchia ainda mencionou que Leila Pereira se dedica integralmente ao Palmeiras, mas não descartou a possibilidade de que ela assuma um cargo no Vasco após o término de seu mandato.
— Ela pode ajudar o Vasco no futuro, mas isso só ocorrerá depois que ela concluir seu mandato no Palmeiras, pois atualmente está totalmente envolvida com o clube.
Leia abaixo a entrevista com José Roberto Lamacchia:
ge: O afastamento do Pedrinho muda o desejo de comprar o Vasco? Lamacchia: — Não muda o desejo. O meu filho só comprará o Vasco se Pedrinho estiver na presidência, pois com os atuais dirigentes não há condições. Marcos não quer negociar com essas pessoas que apenas buscam cargos no clube. O que fizeram com Pedrinho foi uma aberração. Eles agem nas sombras, sem coragem de se expor. Essa briga política só atrapalha o Vasco.
— Essas pessoas nunca investiram um centavo no Vasco. Estão lá há anos e a situação do clube é resultado de suas ações. O problema do Vasco é que muitos ocupam cargos há muito tempo.
Você diz que o Pedrinho é um aliado. Pretende levá-lo para a futura governança da SAF? — Sim, o Pedrinho e todos os que são vascaínos terão oportunidades. Mas aqueles que desejam o mal do Vasco não terão espaço.
As decisões judiciais estão dificultando a compra da SAF? — Totalmente. Quem compraria o clube com essas pessoas à frente? Eles não têm credibilidade. Sem Pedrinho na presidência, meu filho não comprará o Vasco. Ele está negociando com Pedrinho há três anos, que sempre agiu com cautela. Essas pessoas estavam envolvidas no início das negociações e agora dizem que não têm nada a ver com isso.
Pedrinho, do Vasco — Foto: Dikran Sahagian/Vasco
— Inclusive, eles afirmam que não têm nada a ver com o processo. Então, por que estavam no meu escritório? Tenho gravações que provam a presença deles. Eles não foram lá para tomar sorvete, mas para discutir assuntos relacionados ao negócio.
Já existe um acordo vinculante assinado entre o seu filho e o Vasco? — Sim, esse acordo existe e está em vigor. Contudo, a juíza suspendeu o memorando de entendimento que foi assinado.
Foi você quem indicou ao seu filho esse negócio com o Vasco? — O Pedrinho nos procurou há três anos. Ele sempre agiu com integridade e honestidade. Se há alguém honesto, esse alguém é Pedrinho, ao contrário de quem deseja prejudicar o Vasco.
Houve divergência sobre o reinvestimento no futebol em caso de venda de jogadores. Como isso ficou definido? 100% das vendas serão reinvestidas no futebol ou vocês encontraram um meio-termo nessa negociação? — Haverá reinvestimento, com certeza. Meu filho deseja colocar o Vasco no topo, em igualdade com os outros clubes. Para isso, é necessário investir em jogadores, pois com o elenco atual isso não é viável, sem desmerecer os atletas.
O plano era adquirir a SAF do Vasco em 2024. Por que não deu certo antes e agora parece que está avançando? — Houve muita interferência de certas pessoas. Eu deixei claro que não queria dessa forma, mas Pedrinho insistiu e voltamos a negociar exclusivamente por causa dele. Ele sempre esteve à frente das negociações. Essas pessoas conhecem todos os detalhes do memorando de entendimento, mas agora alegam desconhecimento.
A disputa de poder ameaça a conclusão do negócio? Ou o acordo já está firmado e não tem volta? — O acordo já está firmado. Contudo, nós só permaneceremos se Pedrinho for o presidente. Sou o avalista da operação e estou avalizando R$ 2 bilhões do meu filho. Embora ele não precise, pois possui esse dinheiro. Meu filho é uma pessoa íntegra e independente.
Como você vê a questão do conflito de interesses devido à presidência de Leila Pereira no Palmeiras? — Não existe conflito. O Marcos é meu filho e enteado da Leila. Se você ler a lei, verá que não há problema. Se havia conflito, isso já existia há três anos. Eles agem de má-fé, nas sombras, sem se expor. Mas eu e Pedrinho sabemos quem são.
— Não adianta eles se esconderem. O presidente tem credibilidade e fez muito pelo Vasco. Se não fosse por ele, o clube estaria em uma situação ainda pior. Falo isso sem interesse pessoal. Meu filho não está comprando o Vasco para revender. Ele é um projeto pessoal.
O que você achou das declarações do presidente do Flamengo sobre o conflito de interesses envolvendo Leila no Palmeiras? — Não me importo com isso. Ele deveria focar no Flamengo, que também tem seus problemas. Ele deveria cuidar do seu clube e não se intrometer no que não lhe diz respeito.
Bap, presidente do Flamengo, durante reunião — Foto: Mariana Sá/CRF
Quando avaliaram a compra do Vasco, consultaram as agências responsáveis pelo Fair Play para evitar conflitos de interesse? — Consultei a lei e advogados, e não há conflito. Na época, não havia agência de Fair Play, mas mesmo assim consultei. A lei diz que enteados não são considerados parentes diretos. É simples, basta ler a lei.
— Agora, com a eleição no Vasco se aproximando, eles decidiram se manifestar. Não é uma manifestação, mas uma tentativa de interferir em um negócio. Eles têm interesses que desconheço. Todos sabem quem são.
A Leila interfere de alguma forma nesse processo de compra do Vasco? — De forma alguma. O filho é meu, não dela.
Você é conselheiro do Palmeiras. Pretende deixar o clube após a compra do Vasco? — Não sei. Por enquanto, não houve compra definitiva, apenas um memorando de entendimento. Não posso responder a isso agora. Meu filho é enteado da Leila, mas pela lei, ele não está impedido de fazer nada.
A Crefisa pretende fazer mais algum empréstimo ao clube antes da sua compra? — Depende das necessidades do clube. Com essas pessoas no comando, não faremos mais empréstimos. Apenas com Pedrinho, pois confio 100% nele. Ele é uma pessoa íntegra que não merece o que estão fazendo com ele.
— Fiquei estarrecido ao saber do que ocorreu. Pessoas próximas a Pedrinho, que gozavam de sua confiança, o traíram. Isso prejudica o Vasco. Um clube da grandeza do Vasco não deveria estar nessa situação. É uma questão de má administração e de pessoas que querem se intrometer demais.
— Eles nunca investiram um centavo. O Marcos está disposto a investir R$ 2 bilhões, enquanto eles não colocam nada. Isso é vergonhoso. Eles querem manter seus privilégios.
— Isso acontece em muitos clubes, infelizmente. O futebol brasileiro está se distanciando dos grandes centros europeus. Muitas pessoas veem o clube como um meio de vida, enquanto Pedrinho está lá por amor. Isso nos motivou, eu e Marcos.
— Encontramos um presidente à altura do clube. Pedrinho nunca me pediu nada em troca, e isso é admirável.
Existe alguma possibilidade de reaproximação com eles? — Jamais. Quem paga, manda. Pergunte a eles quanto investiram no Vasco durante o tempo em que estão lá. Eles estão há anos e não colocaram um centavo. Apenas buscavam cargos e benefícios.
Mas vocês mantêm a confiança de que tudo será resolvido e que a liminar será derrubada? — Tenho confiança, mas não posso responder pelos outros. Espero que as instâncias superiores resolvam, pois é impossível que a situação permaneça assim. O processo correu em segredo de Justiça, mas a compra do Vasco é de conhecimento público.
A Leila comentou que, no Palmeiras, ela tem total controle. Isso é verdade? — Não, 100%, não. Ela manda 200%. No Palmeiras, ela impõe sua vontade. É um clube extremamente bem organizado sob sua liderança, e ela é reconhecida como uma das melhores dirigentes do futebol brasileiro.
Vocês pretendem seguir o modelo de organização do Palmeiras no Vasco? — Com certeza, o que funciona deve ser replicado. Marcos se inspirou em Leila para a compra do Vasco. Ela mencionou que, após seu mandato, tem interesse em adquirir outro clube. Embora não seja o Vasco, ela pode assumir um cargo no futuro.
— Ela quer ajudar clubes que estão em dificuldades financeiras. Assim como Pedrinho está totalmente comprometido com o Vasco. Se ele sair, eu e Marcos também nos afastaremos. O Vasco não pode ser deixado à deriva.
— O que está acontecendo é vergonhoso. Um clube da magnitude do Vasco não deveria estar nessa situação. Estamos dispostos a investir R$ 2 bilhões para criar o maior centro de treinamento da América do Sul, pagar dívidas e investir em jogadores. O que mais a torcida poderia querer? Se você ama o clube, deve contribuir e não atrapalhar.
— Somente vejo pessoas atrapalhando o Vasco. Um clube com a torcida que tem não deveria estar nessa condição. A diferença entre um clube bem administrado e um mal administrado é evidente. Junto com Pedrinho, meu filho tem a capacidade de colocar o Vasco no topo da América do Sul.
Eu gostaria de deixar uma mensagem para a torcida do Vasco. — A torcida pode ter certeza do que estou dizendo. Se tudo der certo, com Pedrinho na presidência, meu filho não venderá o clube. Ele não está interessado em negociar o Vasco como muitos fundos fazem.
— É uma filosofia de vida, pois ele ama o futebol e se inspirou em Leila. Ele não pretende vender o Vasco. Há uma cláusula no MOU que impede a venda do clube por 10 ou 20 anos. É uma visão diferente, não é a de um fundo que compra para revender. Ele não buscará dividendos, pois tem outras fontes de renda. Todo lucro será reinvestido no Vasco.
Fonte: ge
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