Pai de santo analisa: ‘Motivação espiritual pode explicar a fase do Vasco’

Análise de pai de santo sugere que a motivação espiritual pode ser um fator para a atual fase do Vasco

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Andrés Gomez vive grande fase no Vasco - Matheus Lima/VascoAndrés Gomez vive grande fase no Vasco – Matheus Lima/Vasco

O Vasco, atravessando mais uma crise, revisita um capítulo folclórico de sua trajetória. Desde a famosa lenda do sapo enterrado em São Januário até os diversos trabalhos espirituais atribuídos ao icônico Pai Santana, o clube continua cercado por narrativas que alimentam o imaginário popular. Recentemente, o atacante colombiano Andrés Gómez sugeriu que o momento difícil da equipe pode estar ligado a um possível “problema espiritual”. Diante disso, O DIA consultou especialistas para avaliar a teoria do jogador.

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“Há, sim, uma motivação espiritual por trás dessa situação. Isso está prejudicando o desempenho da equipe, a busca por pontos e o progresso na temporada. Para reverter isso, recomendo preparar um banho com arruda, sal grosso e manjericão. Depois, coloque a arruda e o sal grosso em um copo, faça os pedidos e deixe tudo em uma encruzilhada. O ideal é que isso ocorra dois dias antes do time entrar em campo”, explicou Pai Sérgio de Ogum.

A declaração do atacante colombiano não é a primeira superstição a emergir dentro de São Januário. Há quase um século, após uma goleada histórica de 12 a 0 sobre o Andaraí — um clube vinculado a uma antiga fábrica de tecidos —, o Vasco teria sido alvo de uma das histórias mais célebres dos bastidores do futebol carioca.

Conforme a lenda, Arubinha, jogador do extinto clube, insatisfeito com a derrota, teria afirmado que o Vasco passaria 12 anos sem conquistar títulos e que enterrou um sapo no gramado de São Januário. A suposta maldição intrigou dirigentes vascaínos, que chegaram a escavar partes do campo em busca do animal.

Sem encontrar qualquer vestígio, buscaram o próprio Arubinha. Após receber uma compensação financeira, ele confessou que nunca havia enterrado o sapo e que toda a história não passava de uma invenção. Coincidência ou não, o Vasco enfrentou um longo período sem títulos estaduais entre 1937 e 1945, encerrando o jejum apenas com a ascensão do lendário Expresso da Vitória, oito anos após o ocorrido.

Nas décadas seguintes, os vascaínos passaram a conviver com outro personagem marcante. O histórico massagista do clube, Pai Santana, ficou conhecido por suas práticas espirituais que, segundo relatos, ajudavam o Vasco em campo. Uma das histórias mais conhecidas é a de que ele enterrava ovos próximos ao gol defendido pelo Cruzmaltino para afastar o azar.

Muitos torcedores associam a fase de instabilidade do clube à ausência de seu principal talismã, falecido em 2011. Embora isso seja considerado apenas uma coincidência alimentada pelo folclore vascaíno, os números reforçam a narrativa: desde então, o Vasco disputou quatro edições da Série B e vive um jejum de 10 anos sem títulos, tendo conquistado seu último troféu em 2016, ao vencer o Campeonato Carioca.

Contrariando a ideia de que as superstições do Vasco são apenas um resquício do passado, à véspera de uma partida decisiva da Série B de 2021, um padre foi convidado para abençoar o gramado de São Januário com água benta. O episódio ganhou grande repercussão após relatos de que uma “fumaça” teria surgido durante a cerimônia, intensificando as lendas que cercam o estádio.

Em um evento mais recente, o ex-volante Souza também atribuiu os problemas do clube a questões espirituais e sugeriu uma corrente de oração em torno de São Januário.

“O problema do Vasco é espiritual, acredite ou não. São Januário precisa de uma limpeza espiritual. Muita oração e jejum. É necessário quebrar todas as maldições que foram plantadas naquele solo. E não me venha com intolerância religiosa. Não falo sobre religião, mas sobre práticas. Se você não concorda, tudo bem. Se você me acusa, o intolerante é você”, declarou o jogador na época.

A declaração de Andrés Gómez surgiu após mais uma atuação marcada por dificuldades na criação de jogadas e falhas defensivas. Após o empate em 1 a 1 com o Mirassol, o atacante ressaltou que o Vasco tem sofrido gols com facilidade, enquanto encontra grandes dificuldades para converter suas oportunidades em resultados.

A chegada de Pedro Emanuel representa uma tentativa de reverter a situação de um elenco que busca reencontrar o equilíbrio dentro e fora de campo. Contudo, a expectativa é de que novos desafios se apresentem em 2026.

“Nesse momento, o clube precisa de motivação, acolhimento e, principalmente, acreditar que são capazes de dar a volta por cima. O novo treinador vem cheio de energia, mas não sei se ficará muito tempo no comando. Vejo um grande desequilíbrio na equipe, que terá que apresentar um desempenho excepcional para evitar o rebaixamento”, avaliou Mística Rodrigues.

Mas, afinal, o problema do Vasco é realmente espiritual?

Para uma torcida cansada de frustrações, as respostas podem estar menos no sobrenatural e mais no futebol apresentado. Embora as superstições alimentem o imaginário popular, a realidade indica que as causas da crise cruzmaltina dificilmente serão encontradas em maldições ou rituais. Elas estão, acima de tudo, ligadas a um planejamento tardio, mudanças constantes no comando técnico, erros individuais frequentes e um desempenho muito abaixo das expectativas, o que ajuda a explicar a posição delicada do Vasco na tabela.

Mais uma vez, o torcedor vascaíno vê o debate se deslocar para explicações que fogem das quatro linhas. Enquanto o folclore continua a alimentar conversas e teorias, os problemas que afligem o Vasco na temporada permanecem, sobretudo, relacionados ao desempenho em campo.

Fonte: O Dia


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