Pedro Emanuel comenta outros pontos da coletiva após empate sem gols entre Vasco e Olimpia

Pedro Emanuel discute diversos aspectos da coletiva após o empate sem gols entre Vasco e Olimpia

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Desilusão. Assim Pedro Emanuel definiu o empate do Vasco com o Olimpia, em São Januário, nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. A equipe realizou mais de 20 finalizações, mas o placar ficou em 0 a 0, sem estabelecer uma vantagem para o jogo de volta, que ocorrerá na próxima quinta-feira, no Defensores del Chaco, em Assunção.

— O Olimpia não vai atuar em casa como fez hoje. Eles foram extremamente defensivos, e os números são claros. Isso nos levou a um tipo de jogo que não é comum no nosso campeonato, com 20 chutes e vários escanteios… A atitude da equipe foi excelente, sabíamos que teríamos várias oportunidades porque o Olimpia geralmente se resguarda mais fora de casa, mas hoje foi muito mais. Criamos duas ou três boas chances para sair com um gol. Ficamos desiludidos porque queria essa vitória para a torcida. Sinto orgulho dos jogadores que se esforçaram ao máximo, mesmo aqueles que não têm sido muito utilizados. Apesar da desilusão, acredito na qualidade do nosso trabalho. Quando formos a Assunção, temos a capacidade de jogar de igual para igual. E aí veremos quem será o melhor.

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Pedro Emanuel, Vasco x Olimpia — Foto: André Durão / gePedro Emanuel, Vasco x Olimpia — Foto: André Durão / ge

O Vasco se mostrou dominante na partida. Mesmo com algumas mudanças, como a ausência de Jair, poupado, o goleiro Léo Jardim praticamente não foi acionado. O treinador destacou a evolução defensiva da equipe.

— Defendo que 50% do trabalho foi bem feito hoje (defensivamente). Os outros 50% foram apenas 30%, faltaram os últimos 20% que nos dariam o gol da vantagem. Não fiquei completamente desapontado com o resultado, que está aberto para ambos os lados. O Olimpia também terá que se esforçar. Em casa, eles são muito mais fortes ofensivamente, o que pode nos proporcionar mais brechas para o nosso estilo de jogo, que também gera dificuldades ao adversário. Acredito que esse aspecto será decisivo. O jogo tem várias fases e momentos, e hoje só tivemos um para nós. Isso deve ser uma satisfação para nós. A ansiedade de querer fazer gols, e alguns jogadores que não têm jogado tanto quererem mostrar que podem ser importantes, também não ajuda. Jogamos em São Januário lotado, com a torcida nos apoiando. Isso nos impulsiona, e nos causa essa desilusão no final, pois queríamos dar a vitória à nossa torcida. Não foi possível, mas estamos no intervalo do jogo. Ninguém ganha no intervalo. Vamos nos preparar bem para o segundo jogo e, antes disso, recuperar bem, pois no domingo temos um jogo crucial contra o Santos. Portanto, quem se apresentar e se recuperar melhor terá mais chances de alcançar o resultado que deseja – analisou.

Esta quinta-feira marcou um mês de trabalho de Pedro Emanuel desde sua chegada ao Vasco. O técnico avalia seu desempenho levando em consideração as particularidades do calendário do futebol brasileiro.

— É um período muito curto ainda para uma avaliação profunda. Fui jogador e sei o quanto é difícil jogar a cada três dias. Temos sido muitas vezes penalizados. A recuperação é fundamental, e não é apenas física, mas também mental. Esta última é a mais importante, para que o jogador se sinta renovado mentalmente e possa dar o seu melhor em campo. A questão do rodízio às vezes não é um rodízio, mas uma necessidade física. Um jogador que faz três jogos seguidos nesse contexto… Não posso exigir dele no quinto jogo consecutivo. Uma exceção que podemos avaliar, tirando o Léo (Jardim), é o Robert Renan. Ele tem jogado praticamente todos os jogos e crescido muito. Tem se mostrado consistente e hoje fez uma partida quase perfeita. Por isso, eu o mantenho. Neste jogo, foi a vez do Cuesta descansar, pois ele estava quase em desgaste máximo. Não queremos que isso aconteça. Queremos que eles tenham algum desgaste, pois nossa forma de jogar é intensa. Sei que não posso mudar de uma hora para outra nossa forma de treinar e jogar. Isso precisa ser gradual, e leva tempo. A avaliação que considero importante até agora é que houve poucas lesões, exceto as traumáticas, como as de Brenner e Andrés (Gómez), que são imprevisíveis. Agora, devemos ter controle sobre o restante, ou pelo menos avaliarmos bem essa questão. É isso que peço à minha comissão e a todos os departamentos do clube. Estamos todos pensando da mesma maneira. Todos têm suas avaliações e opiniões, e eu as respeito. No final, decidimos – afirmou.

Mais declarações de Pedro Emanuel

Marino Hinestroza

— O Marino foi uma contratação importante do clube este ano. Mas a realidade do Brasil é muito diferente de onde ele vinha. Ele precisa recuperar a confiança. Precisa oferecer à equipe o que ela necessita para ter mais oportunidades. É tão simples quanto isso. O futebol é simples, mas muitas vezes complicamos. É preciso correr mais que os outros, trabalhar mais que os outros e jogar mais que os outros para mostrar que é melhor. Quando isso acontecer, provavelmente jogará mais vezes. Enquanto isso não ocorrer, ele deve ser ele mesmo, com nossa ajuda, para encontrar esse caminho. É tão simples quanto isso. Não vale a pena complicar mais.

Montagem do meio-campo

— O que vocês consideram rodízio eu chamo de equipe mais apta para iniciar cada jogo. Tivemos 28 dias de muitos jogos, e os jogadores não são super-homens. O Jair veio de uma lesão séria e precisa de uma gestão para recuperar sua forma. O meio-campo é o coração da equipe e precisa ter qualidade. Para isso, é necessário ter qualidade e pernas frescas. O Rojas está tentando recuperar espaço e deu tudo hoje. O Zuccarello ia entrar no lugar dele no fim do jogo, mas ele teve que continuar. Barros não deixou que o adversário criasse situações de 2 contra 1 com os zagueiros. Por isso, perdemos um pouco o equilíbrio, e isso foi responsabilidade minha. A dinâmica do meio-campo depende das características dos jogadores. Para mim, os três volantes são um volante e dois meias. O Thiago é quase um camisa 10, chegando muito na área. A ideia do meio-campo é ser dinâmico e dar segurança ao restante da equipe.

Colidio jogará de 9?

— Sabemos da qualidade de quem já está aqui e da qualidade de quem chega. Minha principal função é colocar isso a serviço da equipe. Vamos tentar entender onde o Facundo pode render mais, porque o DVD, mesmo não sendo um atacante, tem desempenhado essa função. No último jogo contra o Bahia, por milímetros ou centímetros, não conseguimos marcar e criar situações de gol com a participação dele. Hoje, novamente, mas em um contexto muito diferente, com uma defesa mais baixa, onde são necessárias outras virtudes que o Facundo poderia ter nos proporcionado pela diversidade que traz ao nosso ataque. É nesse contexto que trouxemos o Facundo. Se ele jogará mais vezes como atacante ou ponta, isso será decidido com a integração na equipe. Acredito que, como vocês costumam dizer, com o Facundo e infelizmente sem o Brenner, queríamos que o caldo começasse a engrossar. Neste momento, isso nos daria mais opções. Com o Brenner na equipe, aumentaríamos a competitividade interna, o que é importante para elevar nosso nível de futebol e qualidade de jogo. Teríamos mais alternativas na forma como queremos atacar.

— Como percebemos mais para o final, deixei o DVD em campo, sabendo que estava desgastado, mas que era importante que ele se aproximasse mais do Spinelli, para termos mais presença na área. Como o adversário não saiu da área, precisávamos encontrar espaços dentro dela, momentos para atacar, momentos para ter a bola entre linhas e dar um pouco de frescor. Por isso, reacomodamos o Rojas para pegar no nosso jogo e fazer fluir um pouco mais. Também demos mais liberdade aos laterais para avançarem mais na linha defensiva. E faltou aquele momento decisivo, aquele toque, aquela última assistência, que a ansiedade de querer fazer gol nos tirou um pouco da clareza nas decisões. Mas não fiquei minimamente desapontado com a atuação dos jogadores. Às vezes, tomamos decisões em termos de substituições que no final questionamos, mas hoje não. Mesmo o Zuccarello, que entrou faltando pouco tempo, quis pegar no jogo, quis atuar, quis flutuar e contribuir com o que ele poderia acrescentar à equipe. É um jovem que precisa crescer, e são nesses momentos que ele pode entender o que é o futebol profissional e o que encontrará em um futuro próximo.

Cuesta e Andrés Gómez voltam contra o Santos?

— Eu espero que sim. Agora, como é lógico, tenho uma função importante no clube, mas não integro o departamento médico. Portanto, isso deve vir do nosso departamento médico, em quem confio e estamos em total sintonia. Assim, mediante nossa avaliação, junto com os jogadores, tomaremos uma decisão final. Espero que sim, naturalmente, pois nossa equipe terá muito mais diversidade na capacidade de atacar um jogo importante para nós. Mas só decidiremos na véspera do jogo. Neste momento, sinceramente, não posso afirmar nada concreto. Se eu gostaria, sim. Se vai acontecer, não sei.

Sequência de jogos

— Vou responder com sinceridade. Essa sequência de jogos ocorre porque estamos em várias competições, e isso exige um clube como o Vasco. Precisamos estar presentes. Já conversei com os jogadores no vestiário: ao chegarmos nas oitavas e quartas de final, se passarmos, será o momento que pode definir se conquistaremos um título ou não. Até agora, estivemos preparando um sonho. Agora esse sonho pode se tornar realidade. Clubes como o Vasco vivem de ambição e determinação, e é isso que temos neste momento. É desgastante, eu gostaria de ter mais tempo, mas as regras são essas e não abrirei mão de nada. Sabemos que a situação mais delicada é no Campeonato Brasileiro. Vamos trabalhar isso. No último jogo, faltou um pouco do que vocês chamam de sorte. Mas sorte é trabalho. Em Portugal, costumamos dizer isso. Com um pouco mais de eficácia, com 4 ou 5 centímetros a mais ou a menos no impedimento, teríamos mais pontos hoje. Mas precisamos encarar a realidade: temos pouco tempo para preparar um jogo muito importante, que pode ser a virada para voltarmos a ganhar um campeonato.

Precisa contratar um homem-gol?

— Já respondi anteriormente e acredito que todos no clube concordam: o caldo precisava engrossar. Isso não significa que quem estava aqui não tinha qualidade. Felizmente, quem está aqui está demonstrando a qualidade que possui. Isso é muito bom para a equipe e para alcançar resultados. Mas eles também precisam de ajuda. Quando falo em ajuda, refiro-me a jogadores com características diferentes que podem complementar a equipe. É assim que estamos pensando. Não significa que quem chegar será melhor. Agora, quem chega nesta fase do campeonato tem muito mais chances de jogar logo do que quem chega no início da temporada, pois no início temos tempo para trabalhar. Agora, temos apenas tempo para jogar. Se você observar, o Facundo, o Sosa e o Santiago estão preparados porque vêm jogando sempre. Por isso, a adaptação é menor e já podemos considerá-los como opções para os próximos jogos. Quando jogarão? Dependerá da necessidade da equipe e do que planejarmos para cada adversário. E isso começa no próximo domingo, contra o Santos.

Mensagem para o torcedor

— Não preciso dar conselhos ao nosso torcedor, pois ele possui algo inegociável: a paixão pelo clube. Isso eu não posso dizer mais nada, pois eles naturalmente têm, em cada jogo que comparecem a São Januário e mesmo no último jogo na Bahia, onde me orgulho de ter uma torcida que nos apoia incondicionalmente. Portanto, não preciso dizer nada, apenas que continuaremos a trabalhar e a nos esforçar para proporcionar mais alegrias. Isso faz parte do contexto do futebol. O futebol é trabalharmos para dar alegria a quem nos acompanha, muitas vezes como uma segunda família. É isso que eu gosto de vivenciar. É essa paixão que senti hoje aqui no nosso caldeirão, que começa a ferver novamente e que começa a acreditar que conseguiremos realizar coisas bonitas. E que o melhor ainda está por vir. Hoje, conversando com o presidente, disse algo que também penso: acredito que o melhor ainda está por vir, pois normalmente nesta segunda fase do campeonato é onde as coisas começam a acontecer de verdade. Agora que começa a nos exigir, temos que mostrar serviço. Acredito que este é o momento ideal para isso, e muitas coisas boas estão a caminho. Portanto, a única coisa que tenho a fazer é trabalhar para que isso se torne uma realidade para nós.

Qual a posição do Colidio?

— Isso é um bom exercício para vocês também. Vocês precisam pensar um pouco, não posso ser eu a dar todas as respostas, não é? Caso contrário, vocês saberão mais do que eu. A ideia do Facundo é que ele realmente tem essa capacidade. É um jogador inteligentíssimo, na forma como se movimenta, quer entre linhas, quer de fora para dentro, quer na última linha. Ele é um jogador que está mais do que habilitado e capaz, e tem a experiência para isso. Vem de um grande clube, de uma cultura ofensiva, que nos permite usufruir dele e ele próprio ajudar a equipe. É dentro desse contexto que vamos trabalhar. Ele sabe e é inteligente, pois disse que já assistiu a vários jogos do Vasco e tem a noção de que precisará estar preparado para eventualmente jogar em duas ou três posições diferentes. E é isso que precisamos dele, principalmente agora com a perda, infelizmente, do Brenner. Mas com esse acréscimo de qualidade, ajudaremos o caldo a engrossar.

Fonte: ge


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