Torcedor do Vasco é assaltado à mão armada próximo ao estádio La Bombonera durante sua primeira experiência no local

Cristian Martins Abrantes, que mora na Argentina desde 2022, não conseguiu entrar no estádio devido ao furto dos celulares, que eram necessários para acessar os ingressos

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O torcedor Cristian Martins Abrantes, de 21 anos, natural de Tocantins (MG), estava empolgado para assistir a um jogo do Vasco pela primeira vez no estádio. Morando na Argentina desde 2022, ele contava os dias para a partida contra o Boca Juniors, na Bombonera. No entanto, o que deveria ser um sonho se transformou em um pesadelo: ele e sua namorada sofreram um assalto à mão armada nas proximidades do famoso estádio, e ainda foram agredidos antes do início da partida.

Diferentemente da maioria dos vascaínos que viajaram do Brasil para a semifinal da Copa Sul-Americana, Cristian não optou por um transfer para chegar ao jogo. Já adaptado na Argentina, ele decidiu usar o transporte público e foi de ônibus comum. Ao descer no ponto, notou que o clima estava hostil, mesmo com a rua movimentada. Um vendedor de choripan se aproximou, perguntou de onde eram e alertou: “vem comigo que vão te assaltar”. Assim que ele falou, um jovem de aproximadamente 18 anos surgiu, colocou uma arma na cara de Cristian e exigiu: “passa tudo”. Cristian entregou seu celular, enquanto o assaltante o revistava, levando também sua jaqueta.

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Após o furto, o grupo de assaltantes focou na namorada de Cristian e na amiga deles, aumentando a violência. “Um deles deu um soco nela e a jogou na parede”, relatou Cristian. A amiga também foi agredida, com um dos assaltantes puxando seu cabelo e apontando a arma para sua cabeça, exigindo que ela entregasse seus pertences.

O jovem desabafou sobre o trauma causado pelo episódio. O UOL teve acesso ao boletim de ocorrência registrado na delegacia, mas não o publicou para preservar a privacidade de Cristian. “Fomos para a delegacia, fizemos o boletim de ocorrência e depois conseguimos pedir um Uber. Foi uma situação humilhante, pavorosa, terror. Não conseguimos dormir, ficávamos acordando com aquela imagem horrível na mente”, contou. Cristian ainda expressou sua frustração: “Me dói no coração terem me tirado a chance de ver o Vasco”.

Com os celulares furtados, o casal não conseguiu entrar no estádio, já que os ingressos eram via QR Code. Cristian, que cresceu em uma pequena cidade de Minas Gerais, chegou à Argentina com 16 anos, estudou em um colégio público e dividiu uma residência com mais de 20 pessoas. Atualmente, ele estuda Medicina e trabalha como motoboy para se sustentar. Seu sonho é conseguir juntar dinheiro para assistir ao jogo de volta entre Vasco e Boca Juniors, que ocorrerá na próxima terça-feira, inicialmente marcado para o Maracanã, no Rio de Janeiro.

“Me desolou não poder ver o Vasco depois de tantos anos. Uma vida toda esperando essa oportunidade. O que me dói não foi nem ter perdido o bem material, mas a oportunidade de ver o Vasco. Estamos com uma vaquinha porque meu sonho é ver o Vasco. Espero muito conseguir ir ao Maracanã para assistir”, finalizou Cristian.

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