Como ele justifica seu desempenho no Vasco da Gama? Quais sonhos não conseguiu concretizar?
– A palavra que me vem à mente é desilusão, pois embarquei nesse projeto com uma grande expectativa, que também foi alimentada por promessas. O Vasco é um clube imenso, com uma base de torcedores extraordinária. Eles explicaram por que eu havia sido escolhido e o que esperavam da minha chegada, que era, essencialmente, formar uma equipe com uma identidade, cultura e filosofia próprias.
Mas para isso era necessário tempo…
– Isso me foi assegurado. Estávamos em processo de negociação, mas, ao mesmo tempo, estava ocorrendo uma disputa legal entre a 777 Partners, que me contratou, e o então presidente do clube, Pedrinho. Na véspera da minha viagem ao Brasil, entrei em contato com a pessoa responsável pela minha contratação e questionei se fazia sentido seguir em frente diante da situação de conflito, além da possibilidade de a 777 ser retirada da liderança do clube. Ele me garantiu que a 777 venceria essa luta e que eu deveria seguir calmamente para o Brasil. Fiz a viagem, mas, três dias depois, saiu a decisão da justiça brasileira que afastou a 777, e o Pedrinho assumiu o clube. A partir daquele momento, ficou claro que meu afastamento era iminente, pois todos os que foram contratados pela 777 foram dispensados. Fiquei desiludido, pois tinha grandes expectativas; era um desafio feito sob medida para mim, visando construir uma equipe do zero.
E como era o plantel que você encontrou?
– Era um grupo que necessitava de alguns ajustes, fato que já tinha sido discutido. No entanto, percebi que estava dividido por diversos problemas. Minha obrigação nos primeiros dias foi unir o grupo e enfatizar a importância da coesão em um esporte coletivo. Havia muito potencial a ser explorado.
Você se arrepende?
– De forma alguma, pois fui com a expectativa de um projeto promissor. Quando embarcamos em uma nova empreitada, é essencial sentir que as pessoas estão comprometidas e dispostas a apoiar nossas ideias. Eu sentia que era assim com o grupo da 777. Se tivesse a chance de repetir a experiência hoje, aceitaria novamente, pois a expectativa e a proteção que acreditava que teria ofereciam-me garantias de sucesso.
O que motivou sua aceitação do projeto na Arábia Saudita? Foi a questão financeira, esportiva ou outra?
– Foi uma combinação de fatores. Atraído pelo futebol árabe, onde os melhores jogadores estão se transferindo, isso gerou uma grande curiosidade. É um país onde a dimensão financeira é bastante significativa, e não posso ignorar esse aspecto. Além disso, o projeto em si me atraiu.
Por qual razão?
– Ao me reunir com os líderes do Al-Orobah, eles me informaram que o clube havia estado apenas uma vez na primeira divisão, há 21 anos, e estava de volta agora. Eles buscavam alguém que pudesse ajudar na estruturação, crescimento e na construção de algo novo. Minha experiência anterior em Vizela poderia ser valiosa para estabelecer fundamentos sólidos que garantissem ao Al-Orobah uma permanência na elite do futebol. Por isso, a proposta me motivou a aceitá-la com entusiasmo.
O que não funcionou?
– Quando tomei a decisão de deixar o clube, as pessoas queriam que eu permanecesse. O que me levou a sair foram as condições gerais de trabalho, que não atendiam às expectativas mínimas. Ademais, havia salários em atraso. Esse foi o desafio mais difícil que enfrentei, mas me deixou melhor preparado para o futuro.
Fonte: O Jogo

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