Clássico dos Milhões: 95 anos da histórica goleada de 7 a 0 do Vasco sobre o Flamengo

Comemora-se 95 anos da goleada histórica de 7 a 0 do Vasco sobre o Urubu, um marco no futebol brasileiro.

Neste domingo (26/04), a maior goleada da história do clássico entre Vasco e Flamengo completa 95 anos. Na ocasião, o time cruzmaltino derrotou o arquirrival por 7 a 0 em partida realizada no Estádio de São Januário, válida pelo 1º turno do Campeonato Carioca de 1931. Os gols foram anotados por Russinho (4), Mário Mattos (2) e Sant’Anna.

As derrotas do Flamengo para o Vasco estavam se tornando cada vez mais frequentes, com o time cruzmaltino vencendo todos os seus 8 jogos oficiais contra os rubro-negros entre 1928 e 1931. Essa goleada histórica recebeu, nos jornais da época, um destaque que hoje seria considerado modesto.

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Primeiro grande time da história do Vasco

Esse foi um dos primeiros grandes times da história do Vasco. Quatro jogadores (Brilhante, Itália, Fausto e Russinho) foram convocados para a Seleção Brasileira que participou da Copa do Mundo de 1930 no Uruguai, além de Tinoco, que integrou a equipe na edição de 1934 na Itália. O meio-campista Fausto recebeu o apelido de “La Maravilla Negra” pela imprensa uruguaia devido às suas grandes atuações em campo.

O ponta-esquerda Sant’Anna foi o primeiro jogador a marcar um gol olímpico no Brasil, em 1928, durante a inauguração dos refletores de São Januário, quando o Vasco venceu o Wanderers do Uruguai por 1 a 0.

Na ala direita, Paschoal, conhecido como “Trem de Luxo” por sua velocidade, fez parte da trajetória do Vasco na superação do racismo no futebol carioca, conquistando os primeiros títulos do clube, incluindo a Série B da 1ª divisão do Carioca em 1922. Ele foi titular absoluto do Vasco e das seleções carioca e brasileira, embora não tenha participado da goleada de 7 a 0 sobre o Flamengo.

Paschoal pertencia a uma geração que nutria um amor profundo pelo clube. Ao longo de sua vida, ele continuou envolvido com o Vasco, ensinando jovens que sonhavam em representar a cruz-de-malta, assim como ele fez.

Sebastião Paiva Gomes, conhecido como Mola, também merece destaque. Campeão Carioca em 1929 e 1934, ele era considerado o cão de guarda do time, e os atacantes da época temiam enfrentá-lo. Em 1934, Mola foi convocado para a Seleção que disputaria a Copa do Mundo, mas, ao contrário de seus companheiros vascaínos Tinoco e Leônidas da Silva, decidiu permanecer como profissional no Vasco, já que a CBD apenas levaria “amadores” para a Itália.

Outro ídolo da lendária equipe foi Russinho, autor de quatro gols na goleada histórica sobre o Flamengo. Ele também se destacou como artilheiro dos Cariocas em 1929 e 1931. Em 1930, Russinho alcançou grande popularidade e foi eleito o melhor jogador do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em um concurso promovido por uma marca de cigarros.

Para liderar esse grupo de craques, o Vasco contava com Harry Welfare como técnico. Vindo do Liverpool, o inglês chegou ao Brasil em 1912, contratado pelo Colégio Anglo-Brasileiro para ensinar inglês. Como jogador, ele fez história no Fluminense e atuou como técnico do Vasco de 1927 a 1937, retornando ao cargo na temporada de 1940.

Recitando a escalação do Vasco

A base dessa vitoriosa equipe vascaína de 1931 era a mesma que conquistou o título carioca em 1929. O time se destacou ao vencer o América por 5 a 0 na final, após dois empates na série melhor-de-três. No ano seguinte (1930), a grande vítima foi o Fluminense, que também sofreu a maior goleada da história do clássico: 6 a 0 em São Januário.

O que mais impressionava no Vasco de 1929 era a criatividade dos torcedores ao recitar a escalação de seus ídolos. Frases como estas eram frequentemente ouvidas nos botequins do Rio de Janeiro:

JAGUARÉ foi na ITÁLIA comprar BRILHANTE. Assistiu com TINOCO a ópera FAUSTO, sentado numa cadeira de MOLA. Na volta, PASCHOAL encontrou OITENTA E QUATRO RUSSINHOS junto com MÁRIO MATOS na Igreja de SANTANA“.

Ou:

JAGUARÉ fez uma BRILHANTE defesa na ITÁLIA. TINOCO foi visitar FAUSTO numa cadeira de MOLA, PASCHOAL comeu OITENTA E QUATRO empadas com RUSSINHO e MARIO MATTOS no campo de SANTANA“.

Fabrício Figueira, de 26 anos, sobrinho-neto do zagueiro Itália, que faleceu em 1963, confirma essa tradição. Ele frequentemente ouve histórias de parentes mais velhos sobre o craque:

“Minha mãe sempre conta que o Itália dava doces, balas e uns trocados para os sobrinhos que decorassem a escalação do time. Era uma forma de aumentar ainda mais a identidade deles com o Vasco”, comenta Fabrício, que ainda guarda fotos do antigo xerife do Vasco.

Ficha Técnica

VASCO 7 X 0 FLAMENGO

Campeonato Carioca de 1931 (1º Turno)
Local: São Januário
Árbitro: Leandro Carnaval

Expulsões: Fausto e Penha aos 37 minutos do 1º tempo
(Obs: Naquela época, os jogadores expulsos eram substituídos.)

Gols:
No 1º tempo: Russinho aos 5 e 30, Mário Mattos aos 27 e 34 minutos;
No 2º tempo: Santana aos 4 e Russinho aos 14 e 20 minutos.

VASCO: Jaguaré, Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto (Nesi) e Mola; Baiano, Oitenta e Quatro, Russinho, Mário Mattos e Santana.

FLAMENGO: Floriano, Léo e Hélcio; Flávio, Penha (Fonseca) e Darci; Adelino, Viventino, Elói (Nélson), Álvaro e Cássio.

Repercussão e Fotos

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Com informações de Site oficial do Vasco, Site de Mauro Prais, Revista Placar, Livro “Flamengo x Vasco – O Clássico dos Milhões”, Blog Memória Vascaína

Fonte: MEUVASCO (texto), Reprodução Internet (fotos)


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